Um homem investigado por se passar por pastor e simular que mulheres idosas estavam “possuídas” para conseguir dinheiro delas foi preso pela Polícia Civil em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Segundo os investigadores, Anad Ilson Prates Ferreira usava até uma substância química para convencer as vítimas de que havia algo errado com elas.
O suspeito foi localizado na quinta-feira (1º), durante o cumprimento de um mandado de recaptura. De acordo com a investigação, ele atuava com um comparsa e abordava principalmente mulheres idosas em períodos de pagamento de aposentadorias, benefícios e salários.
O golpe começava com a promessa de orações capazes de curar doenças e trazer prosperidade. Durante a encenação, o investigado pedia que a vítima cuspisse em um papel. O material adquiria uma coloração avermelhada e era apresentado como suposta evidência de que a mulher estava “possuída” ou havia sido vítima de algum “trabalho”.
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Substância fazia papel ficar vermelho
A Polícia Civil afirma que não havia qualquer fenômeno sobrenatural na mudança de cor. O efeito seria provocado pelo permanganato de potássio, substância que reagia em contato com a saliva e deixava o papel avermelhado.
Segundo a investigação, a encenação era usada para provocar medo e aumentar a confiança das vítimas no homem que se apresentava como pastor. Depois de convencê-las de que enfrentavam um problema espiritual, o suspeito perguntava se elas carregavam dinheiro.
A quantia seria usada em uma suposta oração pela vida financeira da vítima. As notas eram colocadas em um envelope pardo, que era lacrado com fita.
Dinheiro era trocado por bilhetes de loteria
Ainda de acordo com a polícia, durante o procedimento o envelope com o dinheiro era substituído por outro semelhante. No lugar das notas, as vítimas recebiam um pacote contendo bilhetes de loteria.
As mulheres eram orientadas a não abrir o envelope imediatamente. Segundo os investigadores, o suspeito determinava que elas esperassem uma semana antes de verificar o conteúdo, intervalo que daria tempo para os envolvidos deixarem o local.
A investigação aponta que o homem contava com a participação de José Carlos da Silva Batista. Ele seria responsável por abordar as vítimas e dizer que conhecia um pastor capaz de realizar orações, curar doenças e trazer prosperidade.
Suspeito estava foragido da Justiça
Anad Ilson foi localizado após trabalho de monitoramento e inteligência de agentes da 125ª Delegacia de Polícia. Ele estava foragido e tinha contra si um mandado de recaptura.
Durante a abordagem, os policiais encontraram R$ 1,4 mil em dinheiro, cuja procedência não havia sido comprovada, além da substância que, segundo a investigação, era utilizada para produzir a coloração avermelhada durante o golpe.
A Polícia Civil afirma ainda que o investigado possui registros relacionados a golpes desde 2001, na Bahia, e que ele fugiu do Complexo Policial de Irecê em 2016.
José Carlos também foi levado à delegacia e prestou depoimento, mas foi liberado porque, segundo a polícia, não havia situação de flagrante naquele momento.
Polícia procura outras possíveis vítimas
Após a prisão, a Polícia Civil pediu que outras pessoas que reconheçam os investigados procurem uma delegacia para registrar ocorrência. A medida pode ajudar a identificar novas vítimas e esclarecer a extensão dos golpes atribuídos ao grupo.
Anad Ilson permanece à disposição da Justiça. As acusações fazem parte da investigação policial e deverão ser analisadas no decorrer do processo.