Para vencer a eleição para presidente da República já no primeiro turno, um candidato precisa conquistar a maioria absoluta dos votos válidos. Na prática, isso significa receber mais da metade dos votos considerados válidos pela Justiça Eleitoral.
A regra é importante para entender a apuração das Eleições 2026, cujo primeiro turno acontece neste domingo (4). Não existe um número fixo de votos necessário para garantir a vitória, porque a quantidade depende de quantos votos válidos forem registrados após o fechamento das urnas.
Votos em branco e nulos ficam fora dessa conta. Assim, um candidato não precisa receber o apoio de mais da metade de todas as pessoas que comparecerem às urnas, mas de mais da metade dos votos válidos efetivamente registrados para as candidaturas.
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Como funciona a conta para vencer no primeiro turno?
A Constituição e a legislação eleitoral estabelecem o sistema majoritário para a escolha do presidente da República. Para encerrar a disputa no primeiro turno, uma candidatura precisa superar a marca de 50% dos votos válidos.
Um exemplo ajuda a entender: se uma eleição terminar com 100 milhões de votos válidos, será necessário receber mais de 50 milhões para garantir a vitória no primeiro turno.
Se houver 120 milhões de votos válidos, a marca necessária também aumenta: o vencedor precisará superar 60 milhões.
O número definitivo, portanto, só pode ser conhecido durante a apuração, depois que votos brancos e nulos forem separados dos votos destinados às candidaturas.
Votos brancos e nulos entram na conta?
Não. Tanto os votos em branco quanto os nulos são registrados pela Justiça Eleitoral, mas ficam fora do cálculo usado para definir o vencedor.
Se 130 milhões de pessoas comparecerem às urnas, por exemplo, e 10 milhões votarem em branco ou anularem o voto, a disputa presidencial será calculada sobre os 120 milhões de votos válidos restantes.
Nesse cenário hipotético, seria necessário obter mais de 60 milhões de votos válidos para vencer no primeiro turno.
Votos brancos e nulos também não são transferidos para qualquer candidatura.
Mais de 50% de votos nulos anulam a eleição?
Não. A Justiça Eleitoral esclarece que mesmo se mais da metade dos eleitores optar por anular o voto, isso não provoca automaticamente uma nova eleição.
O voto nulo registrado voluntariamente pelo eleitor é diferente da nulidade jurídica de uma votação. A anulação de uma eleição depende das hipóteses previstas na legislação e de decisão da Justiça Eleitoral.
Assim, quanto maior a quantidade de votos brancos e nulos, menor será o universo de votos válidos utilizado para calcular a maioria absoluta necessária para a eleição.
Quando acontece o segundo turno?
Se nenhum candidato obtiver mais da metade dos votos válidos neste domingo, a disputa presidencial seguirá para o segundo turno.
Nesse caso, apenas os dois candidatos mais votados no primeiro turno participam da nova votação, marcada para 25 de outubro.
O segundo turno é uma nova eleição. Os votos recebidos pelos candidatos no primeiro turno não são somados aos obtidos na segunda votação.
No segundo turno, vence o candidato que receber a maioria dos votos válidos.
Regra também vale para governador
A exigência de maioria absoluta no primeiro turno também se aplica às eleições para governador dos estados e do Distrito Federal.
Se nenhum candidato a governador superar a metade dos votos válidos, os dois mais votados avançam para o segundo turno.
A lógica é diferente na eleição para o Senado. Nas Eleições 2026, serão escolhidos dois senadores por estado e pelo Distrito Federal, e serão eleitos os dois candidatos mais votados, sem necessidade de superar 50% dos votos válidos.