Ex-embaixador vê interferência indireta dos EUA na eleição brasileira: “Está acontecendo”

Rubens Barbosa relaciona medidas recentes de representações diplomáticas à atuação americana e avalia que eventual contestação de um resultado apertado poderia ampliar a pressão de Washington; governo dos EUA nega intenção de interferir no pleito
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O ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos Rubens Barbosa afirmou que vê uma interferência indireta americana no processo eleitoral brasileiro. Em entrevista à CNN Brasil, ele relacionou movimentos recentes de representações diplomáticas estrangeiras no país ao ambiente político às vésperas do primeiro turno, marcado para este domingo (4).

Barbosa, que também chefiou a representação brasileira no Reino Unido, apresentou a avaliação ao comentar a suspensão ou restrição de serviços consulares por embaixadas como as dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Reino Unido diante de alertas de segurança no Brasil.

“Eu sempre achei que os Estados Unidos, direta ou indiretamente, iriam interferir nas eleições aqui no Brasil. É o que está acontecendo”, afirmou.

A declaração representa a avaliação do ex-embaixador. O governo americano tem negado publicamente a intenção de interferir na escolha dos brasileiros e afirma que pretende respeitar o processo eleitoral.

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Barbosa relaciona medidas de embaixadas aos Estados Unidos

Ao analisar a suspensão e a restrição de serviços adotadas por representações diplomáticas, Barbosa afirmou acreditar que as decisões tenham sido influenciadas pela posição americana.

“Nada disso está acontecendo. Eu acredito que essas medidas foram tomadas por inspiração americana como uma maneira indireta de interferir aqui na eleição”, afirmou.

Segundo o ex-embaixador, o cenário observado no encerramento da campanha é de tranquilidade. Ele também disse que não foram comprovadas as situações mais graves apontadas nos alertas de segurança mencionados durante a entrevista.

Nesta sexta-feira (2), os Estados Unidos suspenderam os serviços presenciais da embaixada em Brasília e dos consulados em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre após um alerta relacionado a uma ameaça digital. A Austrália também fechou sua representação em Brasília. Até o momento, as autoridades americanas não disseram que a medida tenha como objetivo interferir no processo eleitoral.

Ex-embaixador cita decisões do STF e do TSE

Barbosa também criticou decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) relacionadas à campanha, classificando algumas delas como “interferências indevidas”. A avaliação é do ex-embaixador e ocorre após decisões judiciais que afetaram as regras do debate presidencial que seria realizado pela TV Globo.

Apesar das críticas, Barbosa avaliou que os episódios não impediram o andamento da campanha e destacou que os candidatos continuaram realizando atividades pelo país.

O diplomata também mencionou reportagem do jornal britânico The Guardian sobre a destinação de US$ 1 milhão a instituições brasileiras que se opõem ao Supremo Tribunal Federal.

Resultado apertado poderia aumentar pressão, avalia Barbosa

Questionado sobre uma eventual atuação mais direta do governo de Donald Trump caso a disputa presidencial avance para o segundo turno, Barbosa disse não acreditar em uma intervenção direta dos Estados Unidos.

Na avaliação dele, entretanto, uma eventual contestação da apuração em uma disputa muito apertada poderia abrir espaço para uma pressão maior de Washington.

“Isso sim pode suscitar uma interferência mais forte do governo americano, sobretudo se o caso for do Bolsonaro”, declarou.

Barbosa ressaltou que, em sua avaliação, uma eventual reação americana estaria concentrada no campo econômico e diplomático, e não envolveria uma ação militar.

“Não acredito que haja nenhuma intervenção militar aqui no Brasil. O que pode haver são ameaças de sanções, de coerção, mas nada mais grave do que isso”, disse.

A possibilidade apresentada por Barbosa é uma avaliação sobre um cenário futuro e não significa que o governo americano tenha anunciado medidas desse tipo em resposta ao resultado das eleições de 2026.

Observadores internacionais acompanham eleição

Barbosa também destacou a presença de instituições internacionais que acompanham o processo eleitoral brasileiro. Segundo ele, a atuação de entidades reconhecidas internacionalmente pode contribuir para respaldar o resultado das urnas.

Entre as organizações mencionadas pelo ex-embaixador estão a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Carter Center.

A discussão sobre uma possível influência americana ganhou espaço durante a campanha. Em setembro, um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) classificou como “crítico” o nível de escalada da pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil e apontou risco de influência externa sobre o ambiente eleitoral.

O documento da Abin, porém, não representa comprovação de manipulação do processo eleitoral ou das urnas. Da mesma forma, parlamentares democratas dos Estados Unidos já manifestaram preocupação com ações do governo Trump em relação ao Brasil, enquanto a administração americana sustenta que cabe aos brasileiros escolher o próximo presidente.

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