Xi Jinping declara apoio à soberania do Brasil e oposição à interferência externa em conversa com Lula

Em ligação de mais de uma hora, líderes de Brasil e China concordam em ampliar cooperação estratégica e acelerar acordo com o Mercosul em meio a tensões diplomáticas e tarifárias com os EUA.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o presidente da China, Xi Jinping, na noite de domingo (26). Durante a chamada, que durou mais de uma hora, o líder chinês afirmou que a China apoia o Brasil na defesa de sua soberania e independência, posicionando-se de forma contrária a qualquer interferência externa nos assuntos do país.

De acordo com a imprensa estatal chinesa, Xi Jinping ressaltou que Pequim valoriza expressivamente o status internacional e a influência do Brasil no cenário global.

Ampliação da cooperação bilateral e Mercosul

Durante o diálogo, os dois chefes de Estado concordaram na intenção de avançar com a expansão da cooperação bilateral em diversas áreas estratégicas:

  • Tecnologia e Inovação: Ampliação de parcerias nos setores de inteligência artificial e satélites.
  • Recursos e Indústria: Cooperação voltada ao beneficiamento de minerais críticos e ao comércio de fertilizantes.

Em nota oficial, o governo brasileiro reafirmou o compromisso de seguir diversificando seus mercados e parceiros comerciais globais. Nesse contexto, Lula e Xi Jinping concordaram sobre a importância de acelerar as negociações para um acordo comercial entre o Mercosul e a China que contemple flexibilidades necessárias para as partes.

Tensão com o governo dos Estados Unidos

A declaração do presidente chinês ocorre em um momento de escalada na relação diplomática e comercial entre o Brasil e os Estados Unidos. Recentemente, o governo norte-americano impôs tarifas adicionais a produtos brasileiros, com alíquotas que variam entre 12,5% e 37,5%.

Em reação, o presidente Lula publicou um artigo no jornal Washington Post direcionado a Donald Trump, no qual declarou que “ninguém vai nos derrotar através de mentiras” e rejeitou tentativas de impor restrições à parceria bilateral para fins eleitorais.

O clima de tensão também se desdobrou na área diplomática após o governo brasileiro negar vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA — Riley M. Barnes e Samuel D. Samson — que tinham viagem programada para Brasília. Segundo relatos, a missão visava levantar questionamentos sobre o processo eleitoral brasileiro. O governo norte-americano negou qualquer intenção de descredibilizar as eleições, classificando a acusação como infundada, embora tenha confirmado que a integridade eleitoral constava na pauta dos encontros previstos.

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