Marina Silva e mais 3 disputam voto a voto Senado SP hoje

Pesquisa Datafolha revela empate técnico entre quatro candidatos na disputa por duas vagas ao Senado em São Paulo.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A eleição para as duas vagas ao Senado por São Paulo chega à véspera do primeiro turno com um cenário raro: quatro candidatos aparecem embolados, dentro da margem de erro. Guilherme Derrite (PP), André do Prado (PL), Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) disputam voto a voto o direito de representar o maior colégio eleitoral do país em Brasília.

A nova pesquisa Datafolha, feita nesta semana com 2.520 eleitores, mostra que qualquer movimento nas próximas horas pode redefinir o mapa político do Senado. Em um pleito que renova 54 das 81 cadeiras da Casa, o resultado paulista pesa diretamente na correlação de forças do futuro governo e da oposição.

Quatro favoritos, duas vagas e margem apertada

No recorte de votos válidos, usado pela Justiça Eleitoral na apuração oficial, Derrite e André do Prado aparecem na frente, com 22% cada. Marina Silva surge em seguida, com 21%, e Simone Tebet vem logo atrás, com 20%. A diferença de dois pontos percentuais entre o primeiro e o quarto colocado está dentro da margem de erro, de dois pontos, o que configura um empate técnico completo.

Geraldo Rufino (Podemos) soma 3% dos votos válidos. Em seguida aparecem Soninha Francine (Cidadania), Guto Schiavetto (Missão), Marcio Alves (UP), Maíra de Souza (UP) e a professora Dra Eliana Ferreira (PSTU), todos com 2%. William Teixeira (Agir) tem 1%. Weller Gonçalves (PSTU), Ednelson Cesaretti (PCO) e Petter Maahs (PCB) não pontuam. Salles (Novo), que já desistiu da disputa, ainda marca 2%.

Quando o Datafolha considera os votos totais, incluindo brancos, nulos e indecisos, o quadro continua embolado. Derrite e André do Prado registram 16% cada, Marina tem 15% e Tebet, 14%. Os demais candidatos ficam até 2%, enquanto os votos em branco somam 14% e os eleitores que ainda não sabem em quem votar ou não responderam chegam a 13%.

O instituto também testou um cenário estimulado, em que os nomes aparecem na tela ou são lidos ao eleitor. Nesse recorte, Derrite alcança 25%, Prado tem 23%, Marina e Tebet aparecem com 22% cada. Guto Schiavetto surge com 2%. Dra Eliana Ferreira, Ednelson Cesaretti, Geraldo Rufino e Soninha Francine somam 1% cada.

Indecisos encolhem, mas seguem decisivos

A reta final mostra um eleitorado mais definido, mas ainda capaz de produzir viradas. Na pesquisa anterior, os indecisos eram 15%. Agora, no cenário estimulado, caem para 6%. Já os votos em branco, nulos e os que declaram não pretender votar recuam de 16% para 15%. Em um ambiente em que os quatro líderes estão separados por, no máximo, cinco pontos, essa fatia pode decidir quem entra e quem fica fora.

O desenho da disputa também é moldado pelo sistema eleitoral para o Senado. Cada paulista poderá escolher até dois nomes distintos na urna eletrônica. Segundo a orientação oficial, “cada eleitor terá direito a dois votos na urna eletrônica, devendo escolher nomes distintos que terão o mesmo peso”. Não existe voto de legenda. O eleitor precisa digitar o número de cada candidato, o que obriga as campanhas a insistir na memorização dos números até o último minuto.

A dinâmica de dois votos favorece arranjos táticos. Parte do eleitorado pode combinar um nome ligado ao campo governista com outro identificado com a oposição, ou mesclar um candidato mais conhecido nacionalmente com outro de base regional. Esse comportamento tende a beneficiar quem consegue transitar entre bolhas políticas e dialogar com mais de um segmento ideológico.

Impacto nacional e estratégia de última hora

As cadeiras em jogo em São Paulo têm peso que vai além das fronteiras do estado. As bancadas de PP, PL, Rede e PSB medem forças, sabendo que um ou dois senadores a mais podem alterar votações apertadas em temas como reforma tributária, regras fiscais e nomeações para tribunais superiores. Em um Senado que se renova parcialmente, São Paulo funciona como termômetro da eleição nacional.

O desempenho de Marina Silva e Simone Tebet, figuras com projeção em Brasília, será lido como sinal da força de seus campos políticos no pós-eleição. Já uma eventual vitória dupla de nomes apoiados por partidos como PL e PP reforça o peso das siglas conservadoras na Casa. No outro extremo, legendas menores usam a disputa para marcar posição, ainda que sem perspectiva de vitória imediata.

Neste sábado, campanhas intensificam agendas em regiões de alta abstenção histórica e apostam em mobilização digital para firmar o último contato com o eleitor. A virada de indecisos, hoje em 6%, e o resgate de parte dos 14% de votos em branco podem redefinir quem garante as duas vagas.

O que esperar das urnas neste domingo

O levantamento, feito entre os dias 2 e 3 de outubro, tem nível de confiança de 95% e está registrado na Justiça Eleitoral. O dado reforça que o quadro não está resolvido. Em eleições anteriores, disputas com margens semelhantes terminaram decididas por pequenos deslocamentos de voto nas últimas 24 horas.

A partir da abertura das urnas neste domingo, partidos e campanhas devem acompanhar a apuração voto a voto e, diante da disputa apertada, já trabalham com a hipótese de contestações pontuais em caso de divergências em atas de seções ou resultados muito próximos na segunda vaga. A Justiça Eleitoral tem mecanismos para recontagem e auditoria, mas só aciona esses procedimentos em situações específicas.

Para o eleitor paulista, o desfecho definirá que tipo de voz o estado levará ao Senado nos próximos anos: alinhada ou crítica ao governo eleito, mais comprometida com agendas ambientais e sociais, ou afinada com pautas econômicas liberais e de segurança pública. As duas cadeiras que saem das urnas neste domingo ajudam a desenhar o centro de gravidade do próximo Congresso. A forma como São Paulo vota hoje servirá de base para estratégias nacionais nas próximas disputas estaduais e federais.

Como funciona o voto para senador em São Paulo?

Cada eleitor em São Paulo terá direito a dois votos para o Senado, em 4 de outubro, digitando na urna eletrônica números de candidatos distintos, que terão exatamente o mesmo peso, sem possibilidade de voto apenas no partido, o que torna obrigatório escolher nomes específicos e permite combinações variadas de perfis políticos.

Quem lidera a pesquisa para o Senado em SP hoje?

Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) lideram hoje a disputa ao Senado em São Paulo, com 22% dos votos válidos cada, seguidos muito de perto por Marina Silva (Rede), com 21%, e Simone Tebet (PSB), com 20%, o que configura um empate técnico entre os quatro principais candidatos.

Qual o peso dos indecisos na eleição para o Senado paulista?

Os indecisos somam hoje 6% na pesquisa estimulada para o Senado em São Paulo, após terem sido 15% no levantamento anterior, número aparentemente pequeno, mas capaz de virar o jogo em uma disputa em que os quatro favoritos estão tecnicamente empatados e separados por apenas dois pontos percentuais.


Carregar Comentários