Rui Costa Pimenta, candidato à Presidência pelo Partido da Causa Operária (PCO), apresenta nas eleições de 2026 um programa que propõe mudanças profundas na economia, nas relações de trabalho e na estrutura do Estado. Entre as principais medidas estão um salário mínimo de pelo menos R$ 7.500, estatização do sistema financeiro, cancelamento das dívidas com bancos e grandes credores e nacionalização do petróleo.
O valor de R$ 7.500 consta no programa de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral. Durante a campanha, porém, Rui também passou a citar a referência de R$ 8 mil ao falar do salário necessário para uma família trabalhadora. O salário mínimo vigente em 2026 é de R$ 1.621.
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Salário mínimo e mudanças no trabalho
O programa do PCO prevê reposição integral das perdas salariais e um aumento emergencial de 50% para os salários. Também estabelece uma escala móvel, com reajustes automáticos sempre que a inflação acumulada chegar a 3%.
Para o salário mínimo, a proposta é de pelo menos R$ 7.500, definido pelas organizações operárias. Rui também defende a redução da jornada para 35 horas semanais, sem diminuição dos salários, além da proibição de demissões e da ocupação e controle dos trabalhadores sobre empresas que pretendam demitir ou fechar.
O programa ainda propõe a revogação das reformas trabalhista e da Previdência e mudanças nas regras de aposentadoria, com reposição das perdas de benefícios e gestão dos fundos previdenciários pelos trabalhadores.
Bancos e dívida pública
Na área econômica, o PCO propõe o cancelamento das dívidas externa e interna com bancos e grandes credores. O partido também defende o fim da independência do Banco Central e a estatização do sistema financeiro, com a concentração das operações em um banco estatal sob controle dos trabalhadores.
A proposta inclui ainda o fim do teto de gastos e da Lei de Responsabilidade Fiscal. O programa afirma que os recursos públicos devem ser direcionados prioritariamente para áreas como saúde, educação e serviços públicos, em vez de atender ao pagamento da dívida.
Petróleo e empresas privatizadas
Rui também propõe cancelar as privatizações realizadas nas últimas décadas e reestatizar empresas como Vale, Eletrobras, bancos e companhias de telefonia. No setor de petróleo, a proposta é de nacionalização das reservas e das refinarias, com a Petrobras mantida integralmente estatal e sob controle dos trabalhadores.
O programa prevê ainda uma redução imediata de 50% no preço dos combustíveis. As receitas do petróleo seriam direcionadas para áreas como saúde, educação, moradia e infraestrutura.
Fim do STF e eleição de juízes
As mudanças propostas pelo PCO também alcançam a estrutura do Judiciário. Rui Costa Pimenta defende a extinção do Supremo Tribunal Federal e a eleição popular de juízes e procuradores, com possibilidade de revogação dos mandatos.
O programa também propõe a dissolução da Polícia Militar e do aparato repressivo, além do direito de autodefesa dos trabalhadores e da formação de comitês de autodefesa. Na área institucional, o candidato defende liberdade irrestrita de expressão e critica mecanismos de censura.
Saúde, educação e reforma agrária
Na saúde, o PCO propõe aumento das verbas públicas, construção de hospitais e postos, retomada do Mais Médicos e abertura de cursos de medicina e enfermagem com livre acesso nas universidades públicas. O plano estabelece piso de R$ 8 mil para profissionais da saúde.
Na educação, a proposta inclui piso nacional de pelo menos R$ 8.500 para professores, jornada de 30 horas semanais e eleição direta de gestores escolares. O programa também defende a estatização do ensino privado e o ingresso livre em universidades públicas.
Na questão agrária, Rui defende uma reforma ampla, a expropriação de grandes propriedades e a demarcação de terras indígenas. O programa também prevê um plano nacional para construção de moradias populares e medidas de proteção a trabalhadores desempregados.
O conjunto de propostas coloca a candidatura do PCO em uma posição de ruptura com o modelo econômico e institucional atual. Em vez de mudanças pontuais, o programa prevê alterações simultâneas no mercado de trabalho, sistema financeiro, empresas estatais, Judiciário, segurança pública e política de exploração dos recursos naturais.