O mapa eleitoral traçado neste domingo (04) coloca, lado a lado, políticos associados ao escândalo do banco Master que saem fortalecidos das urnas e outros que veem a carreira ameaçada. Enquanto investigados ligados ao banco garantem mandatos e até vaga no segundo turno presidencial, nomes também citados em fraudes no INSS amargam derrotas em disputas-chave.
Investigados no caso Master se mantêm no poder

Entre os vitoriosos está o senador Jaques Wagner (PT-BA), reeleito após uma campanha marcada pela Operação Compliance Zero. Ele foi alvo de mandados de busca e apreensão e é acusado de receber vantagens do ex-sócio do banco Master, como negociação de apartamento de luxo, voos em jatinhos e ingressos para shows, em troca de atuação em favor do banco no Congresso. Wagner afirma, por meio de sua assessoria, que “é inocente e nunca atuou em benefício do banco ou qualquer outra instituição financeira”.
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Também investigado, o deputado Mário Frias (PL-SP) garantiu novo mandato na Câmara. Produtor-executivo do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, ele foi alvo de mandados em desdobramento que apura desvio de emendas parlamentares para o projeto audiovisual. Frias “sempre negou qualquer irregularidade”.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Rep-PB), foi reeleito deputado federal mesmo após ter o nome associado a Daniel Vorcaro, controlador do Master. Em mensagens apreendidas, o banqueiro o chama de “número 1”, e a Polícia Federal apontou diárias pagas a Motta em suíte de hotel de luxo em Lisboa. À época, ele disse “não ver problemas” no custeio, por se tratar de um evento “corporativo e jurídico”.

No Rio de Janeiro, o presidente do União Brasil, Antônio Rueda (União-RJ), obteve seu primeiro mandato como deputado federal. Documentos da investigação mostram pagamentos de R$ 2,1 milhões do banco Master ao advogado entre 2024 e 2025. Rueda sustenta que “os repasses se referiam a serviços advocatícios prestados ao banco”.
Flávio Bolsonaro lidera corrida presidencial sob inquérito
Na disputa pelo Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) larga em vantagem e avança ao segundo turno com mais de 2 milhões de votos à frente do adversário. Ele é investigado em inquérito que apura o financiamento do filme “Dark Horse” e supostos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, sob relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal.
A apuração aponta que Flávio pediu diretamente a Daniel Vorcaro R$ 131 milhões para bancar o longa-metragem sobre o pai. O presidenciável “nega qualquer irregularidade e diz que todos os recursos do filme foram privados”. A defesa de Vorcaro informou que “não iria comentar os casos”.
O desempenho robusto de Flávio, de Wagner, de Frias, de Motta e de Rueda indica que, em boa parte do eleitorado, as suspeitas em torno do Master não foram suficientes para derrubar essas candidaturas. Em regiões onde esses nomes têm base consolidada, a associação ao banqueiro parece ter tido peso menor do que identidades partidárias e alinhamentos ideológicos.
Fraudes no INSS cobram preço nas urnas

No outro extremo, políticos que aparecem tanto no caso Master quanto em investigações sobre fraudes previdenciárias enfrentam revés. O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do PP, não conseguiu se reeleger. Ele foi alvo de mandados de busca na quinta fase da Operação Compliance Zero e é acusado de atuar no Congresso em favor de Vorcaro em uma “emenda Master”, recebendo “vantagens financeiras indevidas”, o que nega. Em nota, sua defesa rejeita “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.

Na Bahia, o ex-prefeito de Salvador e vice-presidente do União, ACM Neto, ficou em segundo lugar na disputa pelo governo. Mensagens do celular de Vorcaro indicam proximidade entre os dois, e relatório do Coaf registra R$ 3,6 milhões pagos pelo Master a empresa de consultoria ligada a Neto entre março de 2023 e maio de 2024. Ele afirma que os valores se referem a serviços de consultoria e nega irregularidades.
Investigados em esquema de fraudes no INSS, que corre em paralelo ao caso Master, também foram rejeitados nas urnas. O senador Weverton Rocha (PSD-MA) não obteve novo mandato, e os deputados Euclydes Pettersen (Rep-MG) e Gorete Pereira (MDB-CE) não se reelegeram. A Operação Zero Desconto apura desvios em aposentadorias e pensões, com uso de empresas, sociedades patrimoniais e até postos de combustíveis para lavar recursos, segundo a Polícia Federal. Todos se declaram inocentes.
Pettersen chegou a ser indiciado sob suspeita de atuar como principal “fiador político” da organização criminosa, chancelando indicações de procuradores e diretores corrompidos para manter o esquema. Gorete passou a usar tornozeleira eletrônica e teve endereços vasculhados por ordem do Supremo, por suposta “articulação política e operacional” de associações fraudulentas. Nenhuma das acusações foi julgada em definitivo até agora.
Eleições expõem sensibilidade seletiva do eleitor
O contraste entre os reeleitos ligados ao Master e os derrotados associados a fraudes no INSS sugere uma sensibilidade seletiva do eleitorado. Em estados como Piauí e Bahia, o envolvimento com irregularidades previdenciárias e estruturas de desvio de benefícios parece ter pesado mais do que a ligação com financiamento político ou cultural.
Nos bastidores, dirigentes de PP e União Brasil já avaliam o impacto do resultado sobre o peso das legendas no Congresso e nos palanques regionais. A perda de Ciro Nogueira reduz a influência do partido em negociações futuras no Senado, enquanto a derrota de ACM Neto reequilibra forças na política baiana.
Para os vitoriosos, a nova composição do Congresso oferece espaço para interferir no ritmo e no alcance das apurações, sobretudo em comissões de fiscalização e em eventuais CPIs. A permanência de figuras centrais do escândalo em posições estratégicas também pressiona Polícia Federal, Ministério Público e Supremo a blindarem as investigações de tentativas de esvaziamento.
Os próximos movimentos dependem de decisões judiciais e de como a campanha do segundo turno presidencial vai explorar o escândalo. O desempenho de Flávio Bolsonaro sob investigação mantém o caso Master no centro do debate nacional e tende a influenciar, já no início da próxima legislatura, a prioridade de pautas de controle e transparência no Congresso.
Quem são os políticos investigados no caso Master relacionados ao INSS?
Os políticos diretamente ligados às fraudes no INSS são o senador Weverton Rocha e os deputados Euclydes Pettersen e Gorete Pereira, todos alvo da Operação Zero Desconto, enquanto Ciro Nogueira e ACM Neto aparecem no caso Master, sem investigação específica sobre benefícios previdenciários, mas conectados ao mesmo ambiente de suspeitas.
Quais foram os resultados eleitorais dos políticos envolvidos no caso Master do INSS?
Nas urnas, Jaques Wagner, Mário Frias, Hugo Motta e Antônio Rueda se elegeram ou se reelegeram, Flávio Bolsonaro avançou ao segundo turno presidencial, enquanto Ciro Nogueira perdeu a reeleição, ACM Neto ficou em segundo na Bahia e Weverton Rocha, Euclydes Pettersen e Gorete Pereira não conseguiram renovar seus mandatos.
Qual é o andamento da investigação sobre o caso Master envolvendo o INSS?
As apurações seguem em curso na Polícia Federal e no Supremo Tribunal Federal, com o caso Master concentrado em suspeitas de vantagens indevidas, financiamento de filme e lobby legislativo, e a Operação Zero Desconto mirando fraudes no INSS; não há sentenças definitivas, e novas diligências e fases investigativas continuam em avaliação.
Como o caso Master impacta os benefícios do INSS para os aposentados?
Os fatos conhecidos hoje indicam que o caso Master atinge sobretudo o financiamento político, o lobby e contratos privados, enquanto as fraudes apuradas no INSS, em investigação separada, podem afetar a confiança na gestão de aposentadorias e pensões, mas não há notícia de corte direto ou suspensão em massa de benefícios já concedidos.
Quais são as principais acusações contra os políticos no caso Master do INSS?
As acusações centrais envolvem, no caso Master, supostas vantagens financeiras indevidas, pedidos de R$ 131 milhões para filme, pagamentos de R$ 2,1 milhões e R$ 3,6 milhões a políticos e consultorias, além de uso de influência parlamentar; no INSS, a PF apura desvio de aposentadorias via empresas e indicação de dirigentes corruptos.
O que motivou a investigação sobre o INSS no caso Master?
O que desencadeia a frente previdenciária é a suspeita de um esquema organizado para desviar recursos de aposentadorias e pensões do INSS, revelado pela Operação Zero Desconto, que identificou estruturas empresariais, postos de combustíveis e articulação política para lavar valores ilícitos, em paralelo, mas distinto, das apurações sobre o banco Master.