Casos de diferentes tipos de câncer estão aumentando mais rapidamente entre pessoas com menos de 50 anos, segundo uma análise internacional divulgada nesta terça-feira (6) pelo World Cancer Research Fund (WCRF). O levantamento encontrou crescimento significativo de tumores de início precoce na Inglaterra, nos Estados Unidos e na Holanda.
Na Inglaterra, foram analisados dados oficiais de registros de câncer entre 2001 e 2023. Sete dos 12 tipos estudados apresentaram aumento significativo entre pessoas abaixo dos 50 anos: mama, colorretal, rim, fígado, pâncreas, próstata e útero.
Os pesquisadores destacam que os números precisam ser interpretados com cautela. Apesar do crescimento, o câncer continua sendo muito mais frequente nas faixas etárias mais avançadas, e a idade permanece como o principal fator de risco para a doença.
LEIA MAIS:
Novo exame no SUS e vacinas mudam combate ao câncer de intestino
Câncer de próstata quadruplicou entre homens com menos de 50 anos na Inglaterra
Um dos resultados que mais chamaram a atenção ocorreu com o câncer de próstata. Na Inglaterra, o número de diagnósticos entre homens com menos de 50 anos passou de 158 em 2001 para 640 em 2023, aumento superior a quatro vezes.
A taxa de incidência também avançou, passando de aproximadamente um caso para 3,6 casos a cada 100 mil homens. Mesmo com o crescimento proporcional expressivo, o tumor permanece raro nessa faixa etária.
O câncer colorretal também apresentou avanço importante. O aumento desse tipo de tumor entre adultos mais jovens já vinha sendo observado por pesquisadores em diferentes países e está entre as principais preocupações relacionadas ao chamado câncer de início precoce.
EUA e Holanda também registraram aumento
A tendência não ficou restrita à Inglaterra. A análise encontrou crescimento significativo de cinco tipos de câncer entre pessoas com menos de 50 anos nos Estados Unidos e de quatro tipos na Holanda.
Entre os tumores que apresentaram aumento nos países analisados estão os de intestino, rim e útero. Os pesquisadores apontam que a velocidade do crescimento entre os mais jovens, em determinados tipos de câncer, supera a registrada em grupos de maior idade.
Obesidade, alimentação e sedentarismo são investigados
Os pesquisadores ainda não apontam uma única explicação para o fenômeno. Entre os fatores considerados estão o aumento da obesidade, alimentação inadequada, sedentarismo, consumo de álcool e tabaco e determinadas exposições ambientais.
A maior conscientização da população e os avanços na capacidade de detectar tumores também podem contribuir para o crescimento dos diagnósticos. Os especialistas, porém, avaliam que a melhora na detecção não explica sozinha todas as mudanças observadas.
O cenário reforça a importância de hábitos associados à prevenção do câncer, como manter peso adequado, praticar atividade física regularmente, priorizar uma alimentação equilibrada, evitar o tabagismo e limitar o consumo de bebidas alcoólicas.
Câncer ainda é mais comum depois dos 50 anos
O aumento proporcional entre pessoas mais jovens não significa que o câncer tenha se tornado mais comum entre elas do que entre idosos. A maior parte dos diagnósticos continua ocorrendo após os 50 anos, e a idade média ou mediana de diagnóstico nos países desenvolvidos permanece acima dos 60.
Essa diferença é especialmente importante na interpretação de aumentos percentuais elevados. Quando o número inicial de casos é pequeno, uma elevação relativamente limitada em números absolutos pode representar um crescimento proporcional expressivo.
Nova pesquisa acompanhará 250 mil pessoas
As causas do aumento dos tumores de início precoce ainda são objeto de investigação. Um novo estudo conduzido pelo King’s College London deverá acompanhar cerca de 250 mil pessoas para tentar compreender melhor os fatores relacionados ao câncer colorretal em adultos mais jovens.
Os pesquisadores pretendem avaliar fatores ambientais, comportamentais e biológicos que possam ajudar a explicar por que determinados tumores estão aparecendo com maior frequência antes dos 50 anos.
Próximos passos
Os resultados aumentam a pressão por novas pesquisas e estratégias específicas de prevenção e diagnóstico precoce para adultos mais jovens. Especialistas ressaltam, porém, que os dados analisados são de países específicos e não devem ser automaticamente extrapolados para toda a população mundial.
A investigação científica agora busca entender quanto desse crescimento está relacionado às mudanças no estilo de vida, às exposições ambientais, ao avanço dos métodos de diagnóstico e a outros fatores ainda não totalmente identificados.