Gilmar Mendes manda arquivar pedido de investigação por estupro contra vice de Flávio

Ministro acolheu pedido da PGR, que apontou contradições nos depoimentos e ausência de elementos para avançar contra Alfredo Gaspar; deputado sempre negou a acusação.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (6) o arquivamento do pedido de investigação por estupro contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL).

A decisão atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo o parecer encaminhado ao Supremo, foram identificadas contradições nos depoimentos colhidos durante as diligências e não surgiram elementos que justificassem o avanço da apuração contra Gaspar.

O deputado sempre negou a acusação e chegou a realizar voluntariamente uma coleta de material genético para um exame de DNA, defendendo que a análise poderia ajudar a esclarecer o caso.

LEIA MAIS

Vice de Flávio rejeita acordo com Lindbergh e decide levar caso até o fim

Como surgiu a acusação contra Alfredo Gaspar

O caso começou em março, quando Gaspar ainda atuava como relator da CPMI do INSS no Congresso Nacional.

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) apresentaram à Polícia Federal uma notícia-crime relatando uma acusação de estupro de vulnerável envolvendo Gaspar.

Os parlamentares afirmaram ter recebido informações segundo as quais o deputado teria mantido relação sexual com uma adolescente que tinha 13 anos na época dos fatos. A acusação dizia ainda que a relação teria resultado no nascimento de uma criança.

Gaspar negou desde o início qualquer participação no episódio.

PF chegou a pedir abertura de inquérito

Depois de receber a notícia-crime, a Polícia Federal pediu ao Supremo autorização para abrir formalmente um inquérito.

O caso ficou sob a relatoria de Gilmar Mendes, que solicitou uma manifestação da Procuradoria-Geral da República antes de decidir sobre a abertura da investigação.

A PGR pediu inicialmente que novas diligências fossem realizadas pela Polícia Federal.

Entre as providências, Gilmar determinou que Lindbergh e Soraya apresentassem informações adicionais que pudessem ajudar a identificar pessoas mencionadas nas mensagens e outros elementos relacionados à acusação.

PGR apontou contradições

Depois da realização das diligências, o material voltou para análise da Procuradoria-Geral da República.

A PGR pediu o arquivamento da apuração em relação a Alfredo Gaspar. Segundo o parecer, foram encontradas contradições nos depoimentos dos envolvidos e não foram identificados elementos suficientes para justificar o prosseguimento contra o parlamentar.

Gilmar Mendes acolheu a manifestação e determinou o arquivamento nesta terça-feira.

A decisão encerra o pedido de investigação contra Gaspar relacionado à acusação apresentada em março.

Gaspar realizou coleta para exame de DNA

Durante a tramitação do caso, Alfredo Gaspar adotou medidas para tentar afastar publicamente a acusação.

Em abril, o deputado realizou a coleta do próprio material genético. A defesa sustentava que um exame de DNA poderia ser utilizado para verificar eventual vínculo biológico com a criança mencionada na denúncia.

Gaspar também pediu ao STF e à PGR que acelerassem os procedimentos relacionados ao exame.

O parlamentar classificou reiteradamente a acusação como falsa e afirmou ter sido alvo de um ataque político durante sua atuação na CPMI do INSS.

Acusação ganhou espaço na campanha presidencial

O caso passou a ter repercussão ainda maior depois que Flávio Bolsonaro anunciou Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente em agosto.

Durante a campanha, conteúdos políticos passaram a associar Gaspar diretamente à acusação.

Em agosto, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada de publicações que apresentavam a acusação como se houvesse elementos suficientes para sustentar a prática do crime.

Na ocasião, Mendonça destacou que a existência de uma acusação não permitia apresentá-la ao eleitor como um fato comprovado.

Outras apurações relacionadas continuam no STF

O arquivamento determinado por Gilmar Mendes diz respeito à apuração contra Alfredo Gaspar pela acusação de estupro.

Outros procedimentos relacionados à origem e aos desdobramentos da denúncia continuam sob análise no Supremo.

Entre eles estão apurações sobre possíveis crimes de denunciação caluniosa e coação envolvendo pessoas ligadas ao episódio.

Com a decisão desta terça-feira, o pedido para investigar Gaspar especificamente pela acusação de estupro é encerrado após meses de diligências realizadas pela Polícia Federal e análise da Procuradoria-Geral da República.

Carregar Comentários