O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou forte reação de autoridades da Califórnia após afirmar que o Irã poderia “destruir” Los Angeles ou San Diego enquanto defendia os custos da guerra contra Teerã. A declaração foi feita nesta segunda-feira (5), durante um comício republicano em Grand Island, no estado de Nebraska.
Trump argumentava que os impactos econômicos do conflito, incluindo a pressão sobre os preços dos combustíveis, representam um “pequeno preço a pagar” para manter os Estados Unidos e o mundo seguros. Na sequência, mencionou a possibilidade de uma cidade americana ser atingida e citou especificamente Los Angeles e San Diego.
A declaração gerou críticas imediatas, mas o contexto da fala é alvo de disputa. Lideranças da Califórnia interpretaram o comentário como uma sugestão de que as duas cidades poderiam ser tratadas como dano aceitável na guerra. A Casa Branca, por outro lado, afirmou posteriormente que Trump não estava defendendo ataques contra cidades americanas e que a fala buscava destacar as consequências que, segundo o governo, poderiam ocorrer caso o Irã adquirisse capacidade de ameaçar diretamente o território dos Estados Unidos.
Guerra contra o Irã já custa US$ 33,4 bilhões aos Estados Unidos
O que Trump disse sobre Los Angeles e San Diego
Durante o discurso, Trump voltou a defender a participação americana no conflito e afirmou que esperava uma vitória sobre o Irã.
Ao abordar os custos da guerra, o presidente declarou que seriam um preço pequeno diante da necessidade de impedir ameaças maiores aos Estados Unidos.
Foi nesse contexto que Trump afirmou que o Irã poderia atingir uma cidade americana e disse: “Deixem que destruam Los Angeles. Deixem que destruam San Diego”.
A declaração foi recebida com aplausos por parte do público presente no comício.
Casa Branca diz que Trump não defendeu ataques
Após a repercussão, a Casa Branca afirmou que o presidente não estava sugerindo que Los Angeles ou San Diego fossem efetivamente atacadas.
Steven Cheung, diretor de comunicação da Casa Branca, disse que Trump pretendia destacar a necessidade de impedir que o Irã desenvolvesse capacidade suficiente para ameaçar cidades americanas.
A explicação veio depois de diferentes veículos americanos relatarem que o significado exato da declaração não estava claro imediatamente após o discurso.
Não há indicação de que Trump estivesse apresentando informações de inteligência sobre um ataque iraniano planejado contra Los Angeles ou San Diego.
Autoridades da Califórnia criticam declaração
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, criticou duramente a declaração. O democrata interpretou a fala como uma sugestão de que cidades americanas poderiam ser atacadas por um inimigo estrangeiro.
A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, também reagiu e afirmou que o papel de um presidente é proteger o país. Segundo ela, declarações desse tipo podem comprometer a segurança da população.
O prefeito de San Diego, Todd Gloria, afirmou que a cidade não pode ser considerada “dano colateral” e rejeitou a possibilidade de seus moradores serem tratados como um custo aceitável do conflito.
Guerra já provocou impacto bilionário nos EUA
A declaração ocorre em meio ao debate sobre os custos econômicos e militares da guerra contra o Irã.
Relatório do Pentágono divulgado em setembro apontou que os quatro primeiros meses da ofensiva já haviam custado US$ 33,4 bilhões aos Estados Unidos. O cálculo considerou gastos com munições, perdas de equipamentos e outros custos militares.
Trump tem defendido publicamente que impactos econômicos temporários são necessários para impedir que o Irã represente uma ameaça maior aos Estados Unidos.
No discurso em Nebraska, o presidente afirmou ainda que acredita que a guerra terminará em breve, mas não apresentou um prazo nem detalhes sobre como o conflito seria encerrado.