O euro registrou forte queda diante do real nesta segunda-feira (5), primeiro pregão depois do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil. Às 15h39, a moeda europeia recuava 4,52% e era negociada a R$ 5,608, depois de chegar à mínima de R$ 5,543 durante o dia.
O movimento ocorreu em duas frentes. No Brasil, o real ganhou força com a reação dos investidores ao resultado das urnas. Na Europa, preocupações com a situação fiscal da França pressionaram o euro e aumentaram a aversão a ativos franceses.
A movimentação acompanhou um dia de fortes oscilações no mercado brasileiro. O dólar também caiu mais de 4% diante do real, enquanto o Ibovespa avançou 7,7% no fechamento e terminou o pregão acima dos 206 mil pontos.
Euro cai ao menor nível em 17 meses frente ao dólar com temor fiscal na Europa
Resultado das eleições fortaleceu o real
Parte da queda do euro diante da moeda brasileira está relacionada à reação do mercado ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais.
Flávio Bolsonaro (PL) terminou a votação à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Investidores passaram a reavaliar as perspectivas para a política econômica e fiscal do país a partir de 2027, movimento que aumentou a procura por ativos brasileiros.
A reação também apareceu no câmbio com o dólar. A moeda norte-americana encerrou a segunda-feira em queda de 4,12%, cotada a R$ 5,0022, maior recuo diário desde junho de 2018.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, avançou 7,7% e fechou aos 206.911,89 pontos, estabelecendo um novo recorde de fechamento.
Crise fiscal na França também pressiona euro
A queda da moeda europeia não está relacionada apenas ao cenário brasileiro.
Investidores acompanham com preocupação a situação das contas públicas da França e as dificuldades do país para controlar o déficit orçamentário.
A pressão sobre os títulos da dívida francesa aumentou depois de uma forte venda desses papéis, ampliando as dúvidas sobre a capacidade da segunda maior economia da zona do euro de colocar as contas públicas em uma trajetória considerada sustentável pelo mercado.
O diferencial entre os rendimentos dos títulos franceses e dos títulos alemães, considerados referência de segurança na Europa, chegou recentemente ao maior nível desde a crise da dívida soberana da zona do euro, em 2011.
Euro também perdeu força no mercado internacional
A moeda europeia já vinha enfrentando pressão antes da reação dos mercados brasileiros às eleições.
Nesta segunda-feira, o euro chegou ao menor nível em cerca de 17 meses diante do dólar, em meio à combinação de preocupações fiscais na Europa e fortalecimento da moeda norte-americana no cenário internacional.
Isso significa que o recuo diante do real foi resultado de dois movimentos simultâneos: a valorização da moeda brasileira no mercado doméstico e a perda de força do euro no exterior.
Segundo turno mantém mercado atento
A movimentação registrada depois do primeiro turno não significa que as cotações seguirão necessariamente a mesma direção nas próximas semanas.
Com o segundo turno presidencial marcado para 25 de outubro, investidores devem acompanhar propostas econômicas, formação de alianças e declarações dos candidatos, principalmente aquelas relacionadas às contas públicas e à trajetória da dívida.
O cenário internacional também continuará influenciando o euro, especialmente diante das preocupações com a situação fiscal francesa e com o comportamento dos juros nas principais economias.
Por isso, novas mudanças nas expectativas políticas e econômicas podem provocar oscilações significativas no câmbio até a definição da eleição brasileira.