AO VIVO: TSE tem 3 a 0 para anular votos de Garotinho e pode acabar com o 2º turno no Rio

Destino de 274 mil votos pode dar vitória a Douglas Ruas no primeiro turno e cancelar disputa contra Eduardo Paes.
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem na pauta desta quinta-feira (8) o julgamento de um recurso envolvendo o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), que pode mudar o resultado da eleição para o Governo do Rio de Janeiro. A sessão estava prevista para começar às 10h, em Brasília. Dependendo da decisão, Douglas Ruas (PL) poderá ser declarado eleito ainda no primeiro turno, sem a necessidade de enfrentar Eduardo Paes (PSD) em 25 de outubro.

O julgamento envolve os 274.411 votos recebidos por Garotinho na eleição de domingo (4). Como o ex-governador disputou o pleito com o registro de candidatura indeferido, a validade desses votos depende de uma definição judicial. Após a votação, Garotinho apresentou um pedido de desistência do recurso que havia protocolado para tentar reverter sua inelegibilidade.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) se manifestou favoravelmente à desistência. Caso o TSE aceite o pedido ou mantenha definitivamente o indeferimento da candidatura, os votos de Garotinho poderão ser excluídos da totalização, alterando os percentuais dos demais concorrentes. Até a publicação das informações consultadas, não havia confirmação de uma decisão final do plenário nesta quinta-feira.

TSE julga recurso de Garotinho e pode definir eleição para governador do Rio

Como a decisão pode dar vitória a Douglas Ruas no primeiro turno?

Douglas Ruas terminou a apuração de domingo com 4.271.199 votos, equivalentes a 49,27% dos votos válidos considerados na totalização inicial. Eduardo Paes ficou em segundo lugar, com 3.706.984 votos, ou 42,76%.

Como nenhum dos candidatos ultrapassou a marca de 50%, a Justiça Eleitoral indicou inicialmente a realização de um segundo turno entre Ruas e Paes.

A situação pode mudar porque Garotinho recebeu 274.411 votos, correspondentes a 3,17% da votação considerada inicialmente. Se esses votos forem definitivamente excluídos do cálculo, o total de votos válidos será reduzido.

Nesse cenário, Ruas permaneceria com os mesmos 4,27 milhões de votos, mas seu percentual subiria para aproximadamente 50,88%, suficiente para vencer a eleição no primeiro turno.

A mudança, entretanto, não é automática. Além da definição judicial sobre o recurso, será necessária a atualização oficial da totalização pela Justiça Eleitoral.

Por que Garotinho teve a candidatura indeferida?

Anthony Garotinho disputou a eleição para governador do Rio de Janeiro com o registro de candidatura indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).

O impedimento está relacionado a uma condenação por ato doloso de improbidade administrativa, que levou a Justiça Eleitoral a reconhecer sua inelegibilidade.

O ex-governador apresentou recurso ao TSE para tentar reverter a decisão e permitir a validação de sua candidatura.

Na sexta-feira (2), dois dias antes da eleição, o ministro Floriano de Azevedo Marques revogou uma liminar que beneficiava Garotinho e determinou que os votos destinados ao candidato fossem registrados como anulados sub judice.

Essa classificação significa que os votos permanecem sujeitos à definição judicial sobre a situação da candidatura.

Mesmo com o indeferimento, o nome e a fotografia de Garotinho continuaram aparecendo nas urnas eletrônicas porque os sistemas de votação já haviam sido preparados para a eleição.

Garotinho desistiu do recurso após a votação

Na segunda-feira (5), um dia depois do primeiro turno, Garotinho apresentou ao TSE um pedido formal de desistência do recurso contra o indeferimento de sua candidatura.

No documento encaminhado à Justiça Eleitoral, a defesa afirmou que a decisão foi tomada de maneira livre, consciente e irretratável.

O pedido passou a ter importância decisiva porque a exclusão definitiva dos votos recebidos pelo ex-governador pode alterar o cálculo necessário para definir o resultado da eleição.

Antes de decidir, o ministro Floriano de Azevedo Marques solicitou uma manifestação da Procuradoria-Geral Eleitoral.

O Ministério Público Eleitoral se posicionou a favor da aceitação da desistência. Caso o tribunal não acolha o pedido, o órgão defende que o recurso seja rejeitado e que a decisão que barrou a candidatura seja mantida.

O que o TSE vai analisar nesta quinta-feira?

O processo está identificado como Recurso Ordinário Eleitoral nº 0602359-26.2026.6.19.0000 e tem como relator o ministro Floriano de Azevedo Marques.

O principal ponto em discussão é o pedido de desistência apresentado por Garotinho e seus efeitos sobre o processo de registro da candidatura.

A Corte deverá avaliar a possibilidade de acolher a solicitação e as consequências jurídicas para os votos recebidos pelo ex-governador.

O caso integra uma pauta de 16 processos previstos para análise na sessão desta quinta-feira.

Entre os demais assuntos estão recursos envolvendo registros de candidaturas e representações relacionadas à propaganda eleitoral na disputa presidencial.

A sessão é transmitida pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral, incluindo a TV Justiça e o canal do TSE no YouTube.

Entenda o que muda para a eleição no Rio

A definição sobre os votos de Garotinho pode produzir dois cenários principais para a disputa estadual.

Se o indeferimento da candidatura se tornar definitivo e a nova totalização confirmar Douglas Ruas com mais de 50% dos votos válidos, o candidato do PL poderá ser declarado eleito governador ainda no primeiro turno.

Nesse caso, não haverá necessidade de uma nova votação para o cargo.

Por outro lado, se a situação jurídica dos votos permitir a manutenção do resultado inicialmente divulgado, Ruas e Eduardo Paes continuarão indicados para disputar o segundo turno, previsto para 25 de outubro.

A decisão não envolve uma nova votação do primeiro turno, mas a definição sobre quais votos podem ser considerados válidos na totalização oficial.

Por isso, os votos recebidos pelos candidatos não mudam. O que pode ser alterado é o percentual de cada um em relação ao total de votos válidos.

Próximos passos

Após a análise do recurso, a Justiça Eleitoral deverá esclarecer os efeitos da decisão sobre a totalização da eleição para governador do Rio de Janeiro.

Caso seja necessária uma nova contagem dos percentuais, o procedimento deverá ser realizado oficialmente antes de qualquer confirmação de vitória no primeiro turno.

Também existe a possibilidade de o julgamento não ser concluído nesta quinta-feira, caso haja pedido de vista ou outro adiamento processual.

Até que o TSE apresente uma definição e seus efeitos sejam aplicados à totalização, permanece a indicação inicial de segundo turno entre Douglas Ruas e Eduardo Paes.

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