O motorista de aplicativo Gilberto Nogueira de Oliveira, de 42 anos, que teve o pênis amputado pela então companheira em dezembro de 2023, pretende usar parte de uma indenização judicial de R$ 20 mil para se casar novamente com a mulher responsável pela agressão. O casal retomou o relacionamento após Daiane dos Santos Farias deixar a prisão e agora planeja uma nova cerimônia.
O dinheiro será pago pela Santa Casa de Misericórdia de Atibaia, no interior de São Paulo, condenada pela Justiça após fotografias do ferimento de Gilberto, registradas durante o atendimento médico, terem sido divulgadas sem autorização. Além do casamento, ele pretende utilizar recursos para buscar uma prótese peniana e reformar sua residência.
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Gilberto, também conhecido como Tony, decidiu retomar o relacionamento com Daiane mesmo depois da violência sofrida. A mulher foi presa pelo ataque, mas o casal manteve contato durante o período em que ela esteve detida.
Após a saída de Daiane da prisão, os dois voltaram a viver como casal. Agora, Gilberto afirma que pretende oficializar novamente a união e utilizar parte do dinheiro da indenização para custear a celebração.
O motorista também declarou que continua amando a companheira e considera que a agressão ocorreu em um momento de descontrole emocional. A avaliação é pessoal de Gilberto e não altera a gravidade do crime pelo qual Daiane foi responsabilizada.
Entenda como aconteceu a amputação em Atibaia
O crime que levou Gilberto ao hospital ocorreu em 22 de dezembro de 2023. Na data, Daiane dos Santos Farias, então companheira dele, cortou o órgão genital do motorista com uma navalha, após descobrir uma traição. Ela amarrou as mãos de Gilberto com uma peça íntima durante relação sexual e, em seguida, amputou o pênis. Daiane confessou o ataque, foi condenada a 4 anos e oito meses de reclusão e hoje está em liberdade condicional. Logo após a agressão, Gilberto passou por três unidades de saúde: primeiro na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Cerejeiras, em Atibaia, onde recebeu os primeiros socorros; depois na Santa Casa Misericórdia de Atibaia; e, por fim, no Hospital Universitário São Francisco, em Bragança Paulista, onde foi submetido a cirurgia. Na Santa Casa, médicos e enfermeiros informaram a Gilberto que seria necessário fotografar o ferimento para definir a conduta clínica, já que diziam nunca ter atendido um caso semelhante. Ele consentiu com o registro das imagens para uso exclusivamente médico. Meses depois, descobriu que as fotos circulavam em redes sociais.
A mulher deixou o sistema prisional em novembro de 2025. Apesar do histórico de violência, os dois decidiram reconstruir o relacionamento.
Fotos íntimas vazadas durante atendimento motivaram indenização
Além das consequências físicas da agressão, Gilberto enfrentou a exposição de fotografias de seu ferimento, que passaram a circular em grupos de WhatsApp e em outras redes sociais.
Durante o atendimento médico, profissionais solicitaram autorização para registrar imagens da lesão. Segundo o relato apresentado no processo, Gilberto concordou com os registros para fins médicos, mas não autorizou sua divulgação pública.
O motorista recebeu os primeiros socorros na Unidade de Pronto Atendimento do Jardim Cerejeiras, passou pela Santa Casa de Atibaia e posteriormente foi transferido para o Hospital Universitário São Francisco, em Bragança Paulista.
Na investigação judicial, a análise de elementos presentes nas fotografias permitiu identificar um computador da Santa Casa de Atibaia associado às imagens divulgadas.
O juiz Marcelo Octaviano Diniz Junqueira reconheceu os danos morais decorrentes da exposição indevida e determinou que a instituição pagasse R$ 20 mil ao paciente, acrescidos dos encargos estabelecidos na decisão.
A condenação está relacionada exclusivamente ao vazamento das fotografias durante o atendimento hospitalar. Não se trata de uma indenização pela amputação praticada por Daiane.
Vítima considera R$ 20 mil insuficientes e pretende recorrer
Embora tenha obtido uma decisão favorável, Gilberto considera que o valor fixado pela Justiça não corresponde aos danos sofridos com a exposição de sua intimidade.
O pedido inicial de indenização chegou a R$ 500 mil e posteriormente foi reduzido para R$ 50 mil. A sentença, no entanto, estabeleceu o pagamento de R$ 20 mil.
O motorista informou que pretende recorrer para tentar aumentar a quantia. Ele também deseja utilizar os recursos para reformar a casa e custear despesas relacionadas à reconstrução de sua vida pessoal.
Como a decisão ainda pode ser contestada, o recebimento definitivo dos valores dependerá do andamento do processo e do cumprimento da determinação judicial.
Gilberto também busca prótese peniana pelo SUS
Além dos planos de casamento, Gilberto procura alternativas médicas para lidar com as consequências da amputação. Uma das possibilidades consideradas é a colocação de uma prótese peniana.
O motorista iniciou procedimentos preparatórios para avaliar a realização da cirurgia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo exames de sangue.
A realização do procedimento, no entanto, depende de avaliação médica, indicação clínica e disponibilidade de atendimento. Até o momento, não há confirmação de uma data para a cirurgia.
Enquanto aguarda os próximos desdobramentos judiciais e médicos, Gilberto mantém os planos de uma nova cerimônia com Daiane, em uma reconciliação que voltou a chamar atenção após a divulgação da indenização.