O que é o “Efeito Aécio” e como isso pode mudar as eleições

Aliados de Lula comparam a disputa atual à eleição em que Dilma Rousseff superou Aécio Neves no segundo turno, mas diferenças entre os cenários exigem cautela.
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Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão recorrendo a uma comparação com as eleições de 2014 para interpretar o cenário do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). A expectativa dentro da campanha petista é de que ocorra o chamado “efeito Aécio”, expressão usada para lembrar a disputa em que Dilma Rousseff (PT) superou Aécio Neves (PSDB) depois de aparecer numericamente atrás nas primeiras pesquisas da etapa decisiva.

A referência ganhou força após a divulgação do Datafolha, na quinta-feira (8), que mostrou Flávio com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, integrantes do PT enxergam na eleição de 2014 um exemplo de como o cenário das pesquisas pode mudar durante a campanha. A comparação, porém, representa uma expectativa política, não uma previsão de resultado.

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O que é o ‘efeito Aécio’?

O termo faz referência à eleição presidencial de 2014, disputada pela então presidente Dilma Rousseff e pelo senador Aécio Neves.

Naquele ano, Dilma terminou o primeiro turno em primeiro lugar, com 41,59% dos votos válidos, enquanto Aécio recebeu 33,55%. Entretanto, nas primeiras pesquisas realizadas após a votação, o candidato do PSDB apareceu numericamente à frente da petista.

Um levantamento Datafolha divulgado em outubro de 2014 mostrou Aécio com 51% dos votos válidos, contra 49% de Dilma. Os dois estavam tecnicamente empatados, mas a vantagem numérica do tucano passou a ocupar o centro do debate eleitoral.

Ao longo das semanas seguintes, os percentuais mudaram. Dilma voltou a aparecer à frente nas pesquisas e acabou reeleita em 26 de outubro, com 51,64% dos votos válidos, contra 48,36% de Aécio.

É essa mudança entre o início do segundo turno e a votação final que aliados de Lula utilizam como referência. A expressão “efeito Aécio” não designa um fenômeno estatístico reconhecido, mas uma comparação política com aquele episódio.

Dilma começou atrás no segundo turno e protagonizou virada | Foto: Reprodução

Por que o PT acredita que a história pode se repetir?

Segundo a Folha, integrantes da campanha de Lula avaliam que o resultado do primeiro Datafolha do segundo turno ainda deixa espaço para mudanças na preferência dos eleitores.

A semelhança mais evidente com 2014 está nos percentuais. Naquela disputa, Aécio apareceu com 51% dos votos válidos, contra 49% de Dilma. Agora, Flávio registra 52%, enquanto Lula tem 48%.

Para os aliados do presidente, a experiência de Dilma demonstra que uma vantagem numérica nas primeiras pesquisas não determina o resultado das urnas.

O raciocínio também leva em consideração o período de campanha que ainda resta, com propaganda eleitoral, debates e agendas públicas dos candidatos.

Apesar disso, o cenário de 2026 apresenta diferenças importantes em relação ao de 2014, especialmente no resultado do primeiro turno e na distribuição dos votos entre os candidatos.

Uma diferença importante: Lula perdeu o primeiro turno

Em 2014, Dilma Rousseff chegou ao segundo turno depois de vencer a primeira votação. Aécio Neves, que terminou em segundo lugar, assumiu a vantagem numérica nas pesquisas realizadas posteriormente, mas não conseguiu mantê-la até o dia da eleição.

Em 2026, a situação inicial é diferente. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%.

A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos a favor do senador do PL.

Isso significa que, ao contrário de Dilma em 2014, Lula precisa superar um adversário que já havia recebido mais votos na primeira etapa da disputa.

Outra diferença está na quantidade de votos disponíveis entre os candidatos eliminados. Em 2014, Marina Silva terminou em terceiro lugar com mais de 21% dos votos válidos. Em 2026, a votação ficou muito mais concentrada nos dois primeiros colocados.

Essas características limitam a comparação entre as eleições e impedem concluir que a trajetória das pesquisas seguirá o mesmo caminho.

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. | Foto: Reprodução

O que mostra o Datafolha de outubro de 2026?

A primeira pesquisa Datafolha do segundo turno, divulgada em 8 de outubro, registrou Flávio Bolsonaro com 49% das intenções de voto totais, contra 45% de Lula.

Outros 5% dos entrevistados declararam voto branco, nulo ou em nenhum dos candidatos, enquanto 1% afirmou não saber em quem votar.

Quando considerados apenas os votos válidos, Flávio aparece com 52% e Lula com 48%.

O levantamento ouviu 2.520 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 6 e 7 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

A diferença de quatro pontos percentuais nos votos válidos coloca os candidatos no limite do empate técnico. O resultado representa a intenção de voto dos entrevistados naquele período, e não uma antecipação do resultado eleitoral.

Campanha de Flávio interpreta pesquisa de outra maneira

Enquanto aliados de Lula buscam inspiração na eleição de 2014, integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro fazem uma leitura diferente do levantamento.

De acordo com a Folha de S.Paulo, a equipe do senador considera que o presidente apresenta dificuldades para ampliar sua votação e avalia que Flávio conseguiu manter a mobilização de seus apoiadores após o primeiro turno.

Essa interpretação é utilizada pelos aliados do candidato do PL para defender a continuidade da estratégia eleitoral adotada até agora.

As duas campanhas, portanto, trabalham com avaliações distintas sobre os mesmos números. O PT destaca a possibilidade de mudança no decorrer do segundo turno, enquanto o PL enfatiza a vantagem numérica registrada pelo Datafolha.

Nenhuma dessas leituras, isoladamente, permite determinar como os eleitores votarão em 25 de outubro.

A equipe do senador considera que o presidente apresenta dificuldades para ampliar sua votação | Foto: Reprodução

Votos consolidados são desafio para os dois candidatos

Outro dado do Datafolha ajuda a dimensionar a dificuldade de alterar o cenário eleitoral.

Segundo o levantamento, 94% dos entrevistados afirmam estar totalmente decididos sobre o voto. Apenas 6% admitem que ainda podem mudar de candidato.

O instituto também identificou diferenças nas motivações dos eleitores. Entre os apoiadores de Lula, 83% dizem escolher o presidente por considerá-lo a melhor opção, enquanto 13% afirmam votar principalmente para impedir a vitória de Flávio.

Entre os eleitores do senador, 69% dizem votar nele por considerá-lo a melhor alternativa, enquanto 25% apontam o desejo de derrotar Lula como principal motivação.

Os números indicam um eleitorado com alto grau de definição, embora ainda exista espaço para mudanças de preferência e para a participação de pessoas que não votaram no primeiro turno.

Comparação com 2014 não garante repetição do resultado

A eleição de 2014 demonstra que as intenções de voto podem mudar entre as primeiras pesquisas do segundo turno e a votação final.

Naquele ano, Dilma Rousseff recuperou a vantagem numérica depois de Aécio Neves aparecer à frente nos levantamentos e conquistou a reeleição por uma diferença apertada.

Em 2026, aliados de Lula utilizam essa lembrança para sustentar a expectativa de uma reação eleitoral diante da vantagem inicial de Flávio Bolsonaro.

Entretanto, as diferenças entre os dois pleitos, a concentração de votos nos candidatos e o elevado percentual de eleitores decididos tornam inadequado tratar o episódio de 2014 como um padrão que necessariamente se repetirá.

O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Até lá, os próximos levantamentos poderão mostrar se haverá mudanças nas intenções de voto ou manutenção do cenário registrado no início da disputa.

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