O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou as articulações com lideranças do Centrão para conquistar apoios individuais no segundo turno da eleição presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL). A movimentação ocorre após partidos como Republicanos, União Brasil, PP, Novo e Podemos anunciarem adesão ao candidato do PL, ampliando a necessidade de negociações com políticos que mantêm relações com o governo.
Na quinta-feira (8), Lula recebeu o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), no Palácio da Alvorada, em Brasília. O encontro ocorreu um dia depois de o Republicanos oficializar apoio a Flávio. Apesar da decisão nacional da legenda, Motta havia participado da campanha do petista na Paraíba durante o primeiro turno e não esteve presente no evento de adesão ao candidato bolsonarista.
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A reunião entre Lula e Hugo Motta durou aproximadamente 45 minutos e contou com a participação do deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que já estava no Palácio da Alvorada quando o presidente da Câmara chegou.
Segundo o Metrópoles, Aguinaldo permaneceu na residência oficial da Presidência por cerca de duas horas.
Após o encontro, Lula foi questionado por jornalistas sobre a conversa com Motta e avaliou positivamente a reunião.
“Foi boa.”
O presidente também afirmou:
“Ele vai me ajudar a ganhar as eleições.”
A declaração sinaliza a expectativa de Lula de contar com o apoio pessoal do presidente da Câmara, apesar da posição adotada pelo Republicanos. Não houve, entretanto, anúncio formal de adesão de Motta à campanha petista no segundo turno.
Relação política na Paraíba ajuda a explicar aproximação
O vínculo entre Lula e Hugo Motta envolve alianças construídas na Paraíba, estado de origem do presidente da Câmara.
Durante o primeiro turno, o petista apoiou a reeleição de Lucas Ribeiro (PP) ao governo estadual, além das candidaturas de João Azevêdo (PSB) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB) ao Senado.
Lucas Ribeiro é sobrinho de Aguinaldo Ribeiro, que participou da reunião no Alvorada. O grupo político também mantém relações com Hugo Motta.
Na eleição presidencial, Lula recebeu 61,31% dos votos válidos na Paraíba, enquanto Flávio Bolsonaro obteve aproximadamente 33%.
O desempenho do presidente no estado ajuda a contextualizar a manutenção de alianças regionais, mesmo quando os partidos envolvidos adotam posições nacionais diferentes.
Hugo Motta também tentou aproximar Lula da campanha de seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos), que disputou uma vaga no Senado, mas não foi eleito.
Republicanos e União Progressista aderiram a Flávio Bolsonaro
O encontro no Alvorada ocorreu em meio a uma sequência de anúncios de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Na terça-feira (6), a Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP), oficializou sua adesão ao senador do PL. As duas siglas haviam mantido neutralidade formal no primeiro turno.
Na quarta-feira (7), foi a vez do Republicanos anunciar apoio ao candidato, em evento realizado em Brasília com a participação do presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, e do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Hugo Motta não participou da cerimônia. Durante a primeira etapa da disputa presidencial, o deputado havia apoiado Lula na Paraíba, enquanto outras lideranças do Republicanos atuavam ao lado de Flávio.
O Novo também formalizou apoio ao candidato do PL. Na quinta-feira (8), o Podemos anunciou sua adesão, ampliando o conjunto de partidos que decidiram participar da campanha de Flávio no segundo turno.
MDB também entra nas negociações eleitorais
O MDB é outra legenda envolvida nas articulações da reta final da eleição.
Segundo o Metrópoles, Flávio Bolsonaro conversou com o presidente nacional do partido, Baleia Rossi, sobre a possibilidade de receber apoio de diretórios regionais.
Integrantes da direção do MDB afirmaram que 14 dos 27 diretórios estaduais estariam alinhados à candidatura do senador. A informação representa uma articulação regional e não deve ser confundida com uma declaração de apoio nacional de toda a legenda.
O cenário demonstra a diferença entre decisões tomadas pelas direções partidárias e posicionamentos individuais de governadores, deputados, senadores e outras lideranças.
É justamente nesse espaço que Lula tenta preservar alianças com integrantes de partidos que, nacionalmente, decidiram apoiar seu adversário.
Segundo turno também mobiliza ex-candidatos à Presidência
Além das negociações com partidos do Centrão, as campanhas buscam apoios de candidatos que ficaram fora da segunda etapa da eleição presidencial.
Flávio Bolsonaro recebeu manifestações de apoio de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Clariana Barão (DC), segundo levantamento publicado pelo Metrópoles.
Do outro lado, a Unidade Popular (UP), partido da ex-candidata Samara Martins, anunciou apoio a Lula.
Renan Santos, do partido Missão, declarou que permanecerá neutro na disputa.
Essas manifestações ampliam as alianças políticas das candidaturas, mas não representam transferência automática dos votos recebidos pelos candidatos eliminados no primeiro turno.
Lula retoma campanha no Distrito Federal e no Rio Grande do Norte
Paralelamente às negociações políticas, Lula retoma os compromissos de campanha fora do Palácio do Planalto.
Nesta sexta-feira (9), o presidente tem uma caminhada prevista em Ceilândia, no Distrito Federal, ao lado de Leandro Grass (PT), candidato ao governo distrital.
Grass disputa o segundo turno contra a governadora Celina Leão, apoiada por Michelle Bolsonaro e por outras lideranças do PL.
O ato está previsto para ocorrer na Feira da Ceilândia, região onde Lula também participou de atividades durante o primeiro turno.
No sábado (10), o presidente deve viajar a Natal, no Rio Grande do Norte, para uma caminhada na Avenida Coronel Estevam, no bairro Alecrim.
A agenda também busca dar visibilidade à candidatura de Cadu Xavier (PT), que disputa o governo estadual contra Allyson Bezerra (União Brasil).
Na primeira votação, Allyson recebeu 36,94% dos votos válidos, enquanto Cadu obteve 36,16%.
Durante a passagem pelo estado, Lula também deverá abordar a proposta de redução da jornada de trabalho e o debate sobre o fim da escala 6×1.
Disputa por apoios continua até 25 de outubro
O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro. Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%, segundo os resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Desde então, os dois candidatos intensificaram conversas com partidos, governadores, parlamentares e lideranças regionais.
Enquanto Flávio reúne apoios formais de legendas que estavam neutras no primeiro turno, Lula busca manter relações com políticos dessas mesmas siglas e fortalecer sua campanha nos estados.
A reunião com Hugo Motta exemplifica essa estratégia: mesmo após o Republicanos anunciar apoio ao adversário, o presidente da Câmara permanece como interlocutor do governo federal.
O alcance eleitoral dessas articulações dependerá da atuação efetiva das lideranças e das escolhas dos eleitores na votação de 25 de outubro.