Trump ameaça não esquecer derrota no Nobel da Paz e aumenta tensão com a Noruega

Presidente dos EUA acusa responsáveis pela premiação de prejudicar seu país e questiona escolha de jurista sul-africana
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a atacar a Noruega após ficar de fora do Prêmio Nobel da Paz de 2026. Durante um comício em Syracuse, no estado de Nova York, nesta sexta-feira (9), o republicano classificou a decisão como vergonhosa, afirmou que a premiação perdeu credibilidade e deixou um recado direto aos responsáveis pela escolha: “Não vamos esquecer”.

A reação ocorreu poucas horas depois de o Comitê Norueguês do Nobel anunciar a jurista sul-africana Navi Pillay, de 85 anos, como vencedora deste ano. Trump, que há meses defende publicamente seu nome para a honraria, voltou a afirmar que merece o reconhecimento por sua atuação em conflitos internacionais.

O presidente norte-americano também acusou a Noruega de prejudicar os Estados Unidos e declarou que a decisão deixou uma marca negativa na reputação do país. Apesar das críticas, o Nobel da Paz é escolhido por um comitê independente, e não pelo governo norueguês.

Quem é Navi Pillay, jurista sul-africana vencedora do Prêmio Nobel da Paz

Trump diz que Noruega não será esquecida após decisão

Durante o discurso, Trump afirmou que os Estados Unidos deveriam ter recebido o prêmio em reconhecimento à sua atuação diplomática. Ele voltou a sustentar que contribuiu para encerrar oito guerras, embora essa contagem seja contestada por especialistas e lideranças internacionais.

O republicano também questionou a credibilidade do Comitê Norueguês do Nobel e acusou seus integrantes de agir por motivações ideológicas.

“O Prêmio Nobel da Paz foi desacreditado para sempre por um punhado de ideólogos radicais que são antidemocráticos e verdadeiros inimigos da civilização. E nós não nos esqueceremos disso, Noruega.”

Trump afirmou ainda que a escolha representava uma injustiça contra os Estados Unidos. Segundo ele, o país deveria ter sido reconhecido pelas iniciativas de sua administração em negociações internacionais.

As declarações ocorreram em um momento de divergências entre Washington e instituições internacionais, especialmente em temas relacionados à segurança, à diplomacia e à atuação de tribunais multilaterais.

Presidente também critica vencedora do Nobel

Trump não limitou suas críticas ao comitê responsável pela premiação. O presidente também questionou a escolha de Navi Pillay, afirmando que ela seria uma pessoa desconhecida do público.

“Eu nunca ouvi falar dessa pessoa. Ninguém ouviu.”

A declaração contrasta com a trajetória internacional da jurista, que ocupou cargos importantes na Organização das Nações Unidas (ONU) e em tribunais responsáveis pelo julgamento de crimes contra a humanidade.

Pillay foi alta comissária da ONU para os Direitos Humanos e atuou no Tribunal Penal Internacional. Também integrou o tribunal criado para julgar crimes cometidos durante o genocídio em Ruanda.

Mais recentemente, presidiu uma comissão independente da ONU que concluiu, em relatório divulgado em 2025, que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza. O governo israelense rejeita essa conclusão.

Por que Navi Pillay recebeu o Nobel da Paz?

O Comitê Norueguês do Nobel concedeu o prêmio à jurista sul-africana por sua trajetória na defesa dos direitos humanos, da Justiça internacional e do Estado de Direito.

Ao anunciar a vencedora, a organização destacou a importância de instituições capazes de responsabilizar governos e indivíduos por violações graves do direito internacional.

A escolha também ocorre em meio a tensões envolvendo o Tribunal Penal Internacional. Nesta sexta-feira (9), o governo Trump anunciou novas sanções contra a instituição, ampliando as restrições impostas por Washington.

As medidas foram anunciadas no mesmo dia em que uma ex-integrante do tribunal recebeu uma das principais homenagens internacionais relacionadas à paz.

Quem decide o vencedor do Nobel da Paz?

Embora Trump tenha direcionado suas críticas à Noruega, o governo do país não escolhe diretamente os vencedores.

A decisão cabe ao Comitê Norueguês do Nobel, formado por cinco integrantes indicados pelo Parlamento norueguês. O grupo atua de maneira independente na seleção dos laureados.

A premiação foi criada a partir do testamento de Alfred Nobel e reconhece pessoas e organizações que contribuíram para a promoção da paz.

Trump já havia demonstrado insatisfação em ocasiões anteriores por não receber a honraria. Em seus discursos, costuma citar iniciativas diplomáticas de sua administração como justificativa para ser reconhecido.

Próximos passos

A cerimônia de entrega do Nobel da Paz de 2026 está marcada para 10 de dezembro, em Oslo, capital da Noruega.

Navi Pillay deverá receber uma medalha, um diploma e o prêmio financeiro de 12 milhões de coroas suecas.

As críticas de Trump não alteram o resultado anunciado pelo comitê. Até o momento, não há indicação de que a organização pretenda rever sua decisão.

Carregar Comentários