A cantora Marvvila, de 27 anos, denunciou à polícia que está sendo perseguida há cerca de seis meses por um homem que acredita manter um relacionamento amoroso com ela. Segundo a artista, o suspeito chegou a se apresentar como seu marido para conseguir acesso ao camarim durante um show, além de enviar mensagens insistentes, presentes e até criar imagens falsas dos dois juntos.
O caso foi detalhado pela ex-participante do Big Brother Brasil em entrevista ao Domingo Espetacular, exibida no domingo (11). Marvvila contou que as abordagens começaram pelas redes sociais, mas passaram a envolver ligações frequentes, tentativas de acompanhar sua localização e aparições em apresentações musicais.
A cantora afirma que nunca teve qualquer envolvimento amoroso com o homem. Mesmo depois de bloqueá-lo, ele teria continuado a procurá-la por diferentes perfis e por meio de pessoas próximas, incluindo familiares e integrantes de fã-clubes.
Homem se apresentou como marido para chegar ao camarim
Um dos episódios mais preocupantes relatados por Marvvila ocorreu durante uma apresentação, quando o homem teria conseguido ultrapassar a segurança e entrar na área reservada à artista.
Segundo a cantora, ele se identificou como seu marido para justificar a presença no local. Em outra ocasião, também teria tentado entrar em um show utilizando um ingresso falso.
“Tentou entrar com ingresso falso, falando que era meu marido. Foi tomando outra proporção”, relatou Marvvila.
Diante das tentativas de aproximação, a artista passou a orientar sua equipe para impedir que o homem tivesse contato com ela durante os compromissos profissionais.
Perseguidor enviava presentes e planejava casamento
Marvvila contou que, inicialmente, as mensagens pareciam demonstrações exageradas de admiração. O homem enviava declarações amorosas, flores, chocolates, vinhos, cartas e ursos de pelúcia, além de comparecer às apresentações.
Com o passar do tempo, ele começou a agir como se os dois fossem um casal. Segundo a cantora, o suspeito chegou a criar discussões e reconciliações imaginárias, mesmo sem receber respostas dela.
Em um dos áudios divulgados pela artista, o homem afirmou:
“Fica tranquila. Eu estou aqui de longe cuidando de você. Você será a minha mulher, será a minha esposa!”
A situação se agravou quando ele anunciou que havia comprado alianças e pretendia pedir Marvvila em casamento durante um show no Salgueiro, no Rio de Janeiro.
O homem apareceu com um buquê de flores, mas foi impedido pela equipe de segurança de se aproximar da cantora.
Fotos falsas com inteligência artificial aumentaram preocupação
Além das abordagens presenciais, o suspeito teria utilizado ferramentas de inteligência artificial para produzir imagens falsas em que aparecia beijando Marvvila, simulando um relacionamento que, segundo a artista, nunca existiu.
A cantora também relatou ter recebido um vídeo no qual o homem aparecia sozinho, brindando diante de uma televisão que transmitia uma de suas apresentações.
Para ele, segundo Marvvila, a gravação representava um encontro romântico entre os dois.
O comportamento levou a artista a reforçar os cuidados com a própria segurança e a interromper qualquer possibilidade de contato.
Cantora registra ocorrência e defesa do homem se manifesta
Após os episódios, Marvvila registrou um boletim de ocorrência para denunciar a perseguição. A equipe da cantora também reforçou a segurança nos shows e passou a monitorar possíveis tentativas de aproximação.
Em manifestação encaminhada ao Domingo Espetacular, a defesa do homem informou que ele deverá se pronunciar apenas perante as autoridades.
Os advogados também afirmaram que o suspeito se comprometeu a não procurar novamente Marvvila, seus familiares ou integrantes de sua equipe, além de deixar de frequentar as apresentações da artista.
Perseguição é crime previsto na legislação brasileira
A prática de perseguição reiterada, conhecida como stalking, é considerada crime no Brasil desde 2021, quando passou a integrar o Código Penal.
A legislação prevê punição para quem ameaça a integridade física ou psicológica de outra pessoa por meio de perseguição repetida, restringe sua liberdade ou invade sua privacidade.
A pena prevista é de seis meses a dois anos de reclusão, além de multa, podendo ser aumentada em circunstâncias previstas na lei.
No caso de Marvvila, o registro policial permitirá que as autoridades analisem as mensagens, imagens e demais episódios relatados para apurar a eventual responsabilidade criminal do investigado.