Incêndios florestais estão destruindo plantações, atingindo imóveis e provocando problemas de saúde em comunidades rurais de Itacoatiara, no interior do Amazonas. Moradores relatam perdas materiais e dificuldades para permanecer nas propriedades por causa da fumaça intensa. Há também relatos de pessoas que desmaiaram durante os episódios de incêndio.
O avanço das chamas preocupa famílias que dependem da agricultura para sobreviver. Além dos danos à vegetação, o fogo ameaça moradias e compromete áreas utilizadas para a produção de alimentos. Para os agricultores, as perdas representam não apenas a destruição do que foi plantado, mas também o comprometimento da renda familiar.
A situação ocorre em meio à crise ambiental enfrentada pelo Amazonas. Itacoatiara está entre os 36 municípios com situação de emergência reconhecida pelo governo federal devido aos incêndios. Nos dez primeiros dias de outubro, o estado registrou 1.380 focos de fogo, aumento de 271% em comparação com o mesmo período de 2025.
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Moradores relatam perdas de plantações e imóveis
Na zona rural de Itacoatiara, o avanço do fogo tem atingido propriedades e provocado prejuízos para famílias que vivem da produção agrícola.
Em algumas localidades, as chamas se espalham pela vegetação e ameaçam áreas de cultivo. A situação exige atenção constante dos moradores, que enfrentam dificuldades para proteger suas plantações e evitar que o fogo alcance as residências.
A destruição das lavouras representa um problema especialmente grave para pequenos produtores, que dependem da colheita para garantir a própria alimentação e comercializar os produtos.
Além das perdas imediatas, a recuperação das áreas atingidas pode exigir novos investimentos em sementes, preparação do solo e reconstrução de estruturas danificadas.
O impacto econômico ainda não foi quantificado pelas autoridades. Também não há, nas informações confirmadas até o momento, um balanço consolidado sobre a quantidade de imóveis e plantações destruídos no município.
Fumaça intensa provoca desmaios e preocupa famílias
Os efeitos dos incêndios não se limitam aos danos materiais. Moradores da zona rural também relatam problemas de saúde associados aos episódios de fumaça intensa, incluindo desmaios.
A exposição à fumaça produzida pela queima da vegetação pode causar irritação nos olhos, tosse, dificuldade para respirar e agravamento de doenças respiratórias.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com problemas cardíacos ou pulmonares estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos da poluição.
Embora os desmaios tenham sido relatados durante os incêndios, não há informações suficientes para determinar a causa médica de cada episódio.
Em situações de dificuldade respiratória intensa, perda de consciência ou outros sintomas graves, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.
Incêndio já havia atingido 686 hectares em Itacoatiara
O município enfrenta uma sequência de ocorrências relacionadas ao avanço do fogo.
Em setembro, um incêndio na região do Lago do Canaçari atingiu aproximadamente 686 hectares de vegetação, segundo dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
As chamas foram identificadas inicialmente em 19 de setembro e avançaram por áreas de mata de várzea nos dias seguintes.
Na ocasião, imagens registradas na região mostraram grandes concentrações de fumaça sobre a vegetação, a cerca de dez quilômetros do centro de Itacoatiara.
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas enviou equipes para realizar vistorias e atuar no combate ao incêndio.
O episódio integra uma série de ocorrências registradas no município durante o período de estiagem. Entretanto, não há confirmação de que todos os incêndios relatados nas comunidades rurais tenham a mesma origem.
Amazonas registra aumento de 271% nos focos de incêndio
A situação de Itacoatiara faz parte de um cenário mais amplo de avanço das queimadas no Amazonas.
Segundo dados do Painel do Fogo, o estado registrou 1.380 focos de incêndio entre 1º e 10 de outubro de 2026. No mesmo intervalo de 2025, foram contabilizadas 372 ocorrências.
O aumento foi de aproximadamente 271%, evidenciando a intensificação dos incêndios durante o período de estiagem.
Diante da gravidade da situação, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional reconheceu, no sábado (10), a situação de emergência em 36 municípios amazonenses.
A medida permite acelerar o acesso a recursos federais destinados ao combate ao fogo, à assistência às famílias atingidas e à recuperação de serviços essenciais.
Além de Itacoatiara, a lista inclui municípios como Manaus, Autazes, Iranduba, Manacapuru, Humaitá, Lábrea, Apuí e Parintins.
Governo mobiliza aeronaves e brigadistas para combater as chamas
O governo federal anunciou o reforço das operações de combate aos incêndios com aeronaves e equipes especializadas.
Entre os equipamentos mobilizados estão quatro aviões Air Tractor, dois helicópteros e dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB).
O Amazonas também conta com aproximadamente 290 brigadistas federais mobilizados para atuar nas áreas atingidas.
As operações incluem monitoramento dos focos de incêndio, deslocamento de equipes e ações de combate em regiões de difícil acesso.
O governo estadual também utiliza aeronaves para apoiar o trabalho terrestre. Um avião com capacidade para transportar até 1.930 litros de água por operação já foi empregado em ocorrências registradas em Itacoatiara e outros municípios.
O combate, entretanto, enfrenta dificuldades relacionadas às grandes distâncias, ao acesso limitado a determinadas comunidades e às condições climáticas que favorecem a propagação das chamas.
Autoridades investigam suspeitas de incêndios criminosos
O avanço do fogo também levou autoridades federais a levantar suspeitas sobre a origem de parte das ocorrências.
Após sobrevoar áreas atingidas no Amazonas, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou ter observado focos de incêndio em regiões de floresta preservada.
Segundo o ministro, a localização de algumas queimadas indica a possibilidade de ações intencionais para degradar a vegetação e facilitar o desmatamento.
A suspeita, porém, depende de investigação para que as causas sejam esclarecidas e eventuais responsáveis identificados.
Até o momento, não há confirmação de que os incêndios que atingiram as propriedades rurais mencionadas nesta reportagem tenham sido provocados criminosamente.
Moradores devem redobrar cuidados durante o período de queimadas
Com a permanência dos focos de incêndio, as autoridades recomendam que a população evite atividades ao ar livre durante os períodos de maior concentração de fumaça.
Também é importante manter portas e janelas fechadas quando a qualidade do ar estiver comprometida, reforçar a hidratação e procurar atendimento médico em caso de sintomas respiratórios.
Para evitar novas ocorrências, a orientação é não utilizar fogo para limpar terrenos, não queimar lixo e não acender fogueiras em áreas próximas à vegetação.
Incêndios podem ser comunicados ao Corpo de Bombeiros pelo telefone 193. Denúncias de possíveis crimes ambientais também podem ser encaminhadas ao Ibama, pelo número 0800 061 8080.
Enquanto as equipes atuam no combate às chamas, famílias da zona rural de Itacoatiara continuam enfrentando os prejuízos provocados pelo fogo e a preocupação com a segurança das propriedades e a saúde dos moradores.