Nunes Marques volta a mandar derrubar canal “Exército do Lula” e impõe condições para reativação

Presidente do TSE reverte liberação determinada por outro ministro e exige regularização do canal administrado por André Janones; campanha de Lula poderá ser responsabilizada por irregularidades.
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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta terça-feira (13) uma nova suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A decisão estabelece que o espaço só poderá voltar a funcionar regularmente após ser registrado na Justiça Eleitoral como ferramenta de propaganda da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A determinação reverte, na prática, a liberação concedida no domingo (11) pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. O canal, que reúne milhões de seguidores, havia sido suspenso inicialmente por Nunes Marques após uma representação da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. Horas depois, Cueva autorizou seu funcionamento provisório até uma análise do plenário do tribunal.

Na nova decisão, Nunes Marques apontou que o canal estava sendo utilizado para propaganda eleitoral sem a comunicação formal exigida pelas regras do TSE. O ministro também advertiu que a coligação de Lula poderá ser responsabilizada por eventuais irregularidades e determinou o monitoramento de publicações vinculadas às duas campanhas presidenciais.

Nunes Marques reúne campanhas de Lula e Flávio após decisões conflitantes sobre canal pró-PT

Canal só poderá funcionar após regularização no TSE

A principal exigência estabelecida por Nunes Marques é que o endereço eletrônico do “Exército do Lula” seja comunicado oficialmente à Justiça Eleitoral, conforme as regras aplicáveis aos canais utilizados para propaganda política durante as eleições.

Segundo o ministro, o espaço administrado por Janones vinha funcionando como instrumento de comunicação da candidatura de Lula sem o registro necessário.

“A ausência da comunicação exigida constitui fundamento suficiente para impedir a continuidade da utilização eleitoral do canal enquanto não regularizada sua situação perante esta Justiça especializada, observados os prazos normativos aplicáveis.”

A decisão condiciona a continuidade das atividades à regularização da ferramenta, mas não estabelece uma proibição definitiva de seu funcionamento.

Nunes Marques também indicou que a campanha de Lula poderá responder por irregularidades relacionadas ao uso do canal, caso sejam identificadas violações das normas eleitorais.

Apesar da determinação, o canal continuou recebendo publicações logo após a divulgação do despacho. Segundo informações divulgadas nesta terça-feira, Janones publicou uma nova mensagem poucos minutos depois da decisão.

Ministro determina fiscalização de canais de Lula e Flávio

Além de estabelecer condições para o funcionamento do “Exército do Lula”, Nunes Marques determinou que a Justiça Eleitoral acompanhe as publicações realizadas no canal.

O procedimento também deverá alcançar canais públicos de aplicativos de mensagens mantidos pela campanha de Flávio Bolsonaro ou efetivamente vinculados à candidatura do senador.

A decisão determina ainda que a Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, acompanhe as publicações durante o período eleitoral e identifique conteúdos iguais ou substancialmente semelhantes àqueles que já tenham sido alvo de ordens de remoção do TSE.

Nesses casos, a plataforma deverá retirar os materiais abrangidos pelas determinações judiciais em vigor.

A medida amplia a fiscalização sobre ferramentas digitais utilizadas pelas campanhas durante o segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.

Relatório técnico não encontrou conteúdos falsos investigados

A nova suspensão ocorre depois que uma análise da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE não identificou, nas publicações examinadas entre 2 e 11 de outubro, a circulação dos conteúdos falsos apontados pela campanha de Flávio Bolsonaro.

O levantamento foi solicitado pelo próprio Nunes Marques após a primeira controvérsia envolvendo o canal.

Apesar disso, os técnicos fizeram ressalvas sobre as limitações da análise. Parte das mensagens publicadas anteriormente havia sido apagada, o que dificultou a reconstrução do histórico completo das atividades.

O relatório também apontou preocupação com a capacidade de disseminação de mensagens em larga escala e com o uso de linguagem polarizadora.

A ausência de identificação dos conteúdos questionados no material examinado não significa que todas as publicações do canal tenham sido consideradas regulares.

A nova decisão de Nunes Marques, por sua vez, apresenta a falta de comunicação formal do canal à Justiça Eleitoral como fundamento para impedir sua utilização enquanto não houver regularização.

Entenda a disputa entre os ministros do TSE

A controvérsia começou no domingo (11), quando Nunes Marques determinou a suspensão do “Exército do Lula” após um pedido apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro.

Os advogados do candidato do PL alegaram que o canal estaria sendo utilizado para organizar a disseminação de informações falsas contra o senador.

A primeira decisão determinava a interrupção das publicações e impedia a entrada de novos seguidores até o encerramento do segundo turno.

Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu a ordem e autorizou a reativação provisória do canal.

Cueva considerou que eventuais irregularidades em publicações específicas não justificariam automaticamente a suspensão de todo o espaço de comunicação.

“A eventual ilicitude de conteúdos específicos não se comunica, por presunção, à totalidade das manifestações veiculadas no mesmo espaço de comunicação.”

O corregedor também destacou que a discussão já estava submetida à sua análise judicial e encaminhou a controvérsia ao plenário do TSE.

A nova determinação de Nunes Marques acrescenta outro elemento ao impasse: a exigência de regularização formal do canal como instrumento de propaganda eleitoral.

PT critica decisão e anuncia contestação

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, criticou a nova determinação e afirmou que a legenda pretende contestá-la judicialmente.

Em publicação nas redes sociais, Edinho classificou a suspensão como censura e afirmou que a medida compromete a liberdade de organização e participação política durante o período eleitoral.

O dirigente também questionou a restrição a uma ferramenta utilizada para mobilizar apoiadores da candidatura de Lula.

A campanha de Flávio Bolsonaro, por outro lado, sustenta que o canal administrado por Janones deve cumprir as normas eleitorais e ser fiscalizado para impedir a circulação de conteúdos considerados irregulares.

As divergências fazem parte de uma disputa judicial que envolve os limites da propaganda eleitoral na internet, a fiscalização de aplicativos de mensagens e a atuação da Justiça Eleitoral durante a campanha.

Próximos passos

Nunes Marques tem uma reunião prevista para as 15h30 desta terça-feira (13) com representantes das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.

O encontro ocorre em meio à sequência de decisões conflitantes sobre propaganda eleitoral e à discussão sobre o funcionamento do “Exército do Lula”.

A regularização do canal perante o TSE é uma das condições estabelecidas pelo ministro para permitir a retomada de suas atividades.

O plenário do tribunal também deverá analisar a controvérsia entre as decisões judiciais, mas ainda não há data confirmada para o julgamento.

Enquanto isso, a nova ordem de suspensão permanece como o desdobramento mais recente do caso, e o PT anunciou que pretende questionar a medida.

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