Anvisa proíbe venda de canetas emagrecedoras sem registro no Brasil

Medida determina apreensão de produtos vendidos pela internet; medicamentos regularizados não são afetados.
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta quarta-feira (14), a apreensão e a proibição de comercialização de canetas emagrecedoras e outros produtos à base de tirzepatida e retatrutida vendidos sem registro sanitário no Brasil. A medida atinge medicamentos anunciados em sites e impede a fabricação, importação, distribuição, propaganda e utilização dos produtos irregulares.

A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e inclui diferentes apresentações das substâncias, além de outros peptídeos comercializados pela internet. Segundo a Anvisa, os itens não possuem comprovação de regularidade sanitária, qualidade, segurança e eficácia, o que representa riscos à saúde dos consumidores.

A proibição não significa que todos os medicamentos com tirzepatida estejam proibidos no Brasil. O Mounjaro, por exemplo, possui registro na Anvisa e continua autorizado. Já a retatrutida permanece em fase experimental e não tem aprovação para comercialização em nenhum país.

Anvisa proíbe no Brasil T36, marca de tirzepatida fabricada no Paraguai

Quais canetas emagrecedoras foram proibidas pela Anvisa?

A fiscalização identificou produtos sem registro sanitário anunciados em diferentes plataformas de comércio eletrônico. Entre os itens atingidos estão apresentações de tirzepatida e retatrutida oferecidas como alternativas às canetas emagrecedoras utilizadas no tratamento da obesidade.

No site ZPHC Store, vinculado pela agência à empresa ZPH Contabilidade S/C Ltda., foram identificados os seguintes produtos:

  • Retatrutide 120 mg;
  • Caneta Retatrutide 60 mg;
  • Tirzepatide 150 mg;
  • Caneta Tirzepatide 75 mg.

A decisão também alcança produtos com tirzepatida e retatrutida comercializados pelo site Peptídeos do Brasil, além de itens anunciados na plataforma Zyntra Shop, incluindo Retatrutida, Tirzepatida e Selank.

Outra plataforma citada pela Anvisa é a Oxygen KWP Pharma Brasil, que anunciava produtos injetáveis e peptídeos como Retagen 40 mg, BPC-157, GHK-Cu e TB-500.

A Resolução 4.035/2026 também estabelece restrições a produtos anunciados sob a marca Liberty Pharma, entre eles Retatrutida Liberty Pharma, Tirzepatida Liberty Pharma, NAD+ Liberty Pharma e diferentes apresentações de GHK-Cu.

A medida impede que esses produtos continuem circulando no mercado brasileiro sem a regularização exigida pela legislação sanitária.

Qual a diferença entre tirzepatida e retatrutida?

Embora as duas substâncias sejam associadas ao tratamento da obesidade, existem diferenças importantes quanto ao funcionamento e à autorização para uso.

A tirzepatida atua sobre os receptores dos hormônios GIP e GLP-1, relacionados ao controle da glicose no sangue, à sensação de saciedade e à regulação do apetite.

No Brasil, a substância está presente no Mounjaro, medicamento desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly e autorizado pela Anvisa para indicações específicas, incluindo o tratamento do diabetes tipo 2 e o controle crônico do peso conforme os critérios aprovados.

A retatrutida, por sua vez, é uma substância experimental que atua sobre três receptores hormonais: GLP-1, GIP e glucagon.

O medicamento está sendo estudado como possível tratamento para obesidade e outras condições metabólicas. Apesar dos resultados observados em pesquisas clínicas, sua segurança e eficácia ainda dependem da conclusão dos estudos e da avaliação das autoridades reguladoras.

A Anvisa ressalta que a retatrutida não possui registro sanitário em nenhum país e que a empresa responsável pelo desenvolvimento ainda não solicitou autorização para comercialização.

Mounjaro também foi proibido?

Não. A determinação divulgada nesta quarta-feira não proíbe o Mounjaro nem outros medicamentos devidamente registrados na Anvisa.

A restrição é direcionada aos produtos irregulares identificados pela fiscalização, que são vendidos sem autorização e não passaram pelos procedimentos necessários para comprovar sua qualidade, segurança e eficácia.

Isso significa que a presença de tirzepatida na composição de um produto não garante que ele seja equivalente ao Mounjaro.

Medicamentos comercializados sem registro podem apresentar diferenças na concentração do princípio ativo, problemas de fabricação, contaminação ou condições inadequadas de armazenamento.

Por esse motivo, a Anvisa orienta que consumidores não utilizem produtos de origem desconhecida, mesmo quando anunciados como alternativas mais baratas a medicamentos autorizados.

Quais são os riscos das canetas emagrecedoras sem registro?

Segundo a Anvisa, medicamentos sem regularização sanitária podem colocar a saúde dos consumidores em risco porque não existem garantias de que o conteúdo corresponda às informações apresentadas na embalagem.

Entre os problemas possíveis estão doses diferentes das anunciadas, presença de substâncias não declaradas, contaminação durante a fabricação e falhas no armazenamento.

No caso dos medicamentos injetáveis, a ausência de controle adequado de esterilidade representa uma preocupação adicional, já que produtos contaminados podem provocar infecções e outras complicações.

A agência também alerta que o uso de substâncias experimentais, como a retatrutida, envolve riscos ainda não completamente conhecidos.

Em maio de 2026, a Anvisa e a Polícia Federal anunciaram uma atuação conjunta para analisar medicamentos injetáveis irregulares apreendidos no país.

Segundo os órgãos, fiscalizações realizadas ao longo do ano identificaram problemas na importação, manipulação e comercialização desses produtos, incluindo a apreensão de mais de 1,3 milhão de unidades de medicamentos injetáveis irregulares.

Anvisa já havia proibido outras marcas de tirzepatida

A decisão desta quarta-feira faz parte de uma sequência de ações contra a comercialização irregular de medicamentos utilizados para emagrecimento.

Em janeiro, a Anvisa determinou a apreensão de produtos com tirzepatida das marcas Synedica e TG, além de apresentações irregulares de retatrutida.

Em setembro, a agência também proibiu a comercialização da T36, marca de tirzepatida fabricada no Paraguai que não possui registro sanitário brasileiro.

Na terça-feira (13), um dia antes da nova decisão, a Anvisa determinou a apreensão de um lote de tirzepatida produzido pela Farmausa Pharmaceutical Ltda., após identificar o descumprimento de uma determinação anterior de destruição do medicamento.

As medidas refletem a intensificação da fiscalização sobre produtos injetáveis comercializados fora dos canais regulares, especialmente diante do crescimento da procura por tratamentos para diabetes e obesidade.

Como saber se uma caneta emagrecedora é autorizada?

Antes de adquirir um medicamento, o consumidor pode consultar a situação do produto no portal oficial da Anvisa.

A pesquisa pode ser realizada pelo nome comercial, número de registro, CNPJ da empresa responsável ou número do processo sanitário.

Quando o sistema apresenta a situação como ativa ou válida, significa que o produto está regularizado. Registros inativos ou inválidos indicam que o medicamento não está autorizado naquela condição.

A agência também recomenda desconfiar de produtos vendidos exclusivamente pelas redes sociais, sem identificação clara do fabricante, sem registro sanitário ou com promessas de resultados rápidos.

Pessoas que já adquiriram produtos atingidos pela proibição devem evitar sua utilização e procurar orientação de um profissional de saúde. Caso apresentem sintomas após o uso, devem buscar atendimento médico.

Próximos passos

Com a publicação da resolução, os produtos irregulares identificados pela Anvisa ficam sujeitos à apreensão e não podem continuar sendo fabricados, importados, distribuídos, anunciados ou comercializados no Brasil.

A fiscalização poderá envolver autoridades sanitárias locais e outros órgãos responsáveis pelo combate à circulação ilegal de medicamentos.

A agência reforça que a utilização de produtos sem registro representa um risco sanitário e que tratamentos para diabetes e obesidade devem ser realizados com medicamentos autorizados e acompanhamento profissional.

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