Agricultor encontra pedra misteriosa no Egito e revela estátuas de Ramsés II com mais de 3 mil anos

Descoberta por acaso em terreno próximo à casa de um morador levou arqueólogos a encontrar duas esculturas monumentais e inscrições do antigo faraó egípcio.
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Uma pedra com inscrições misteriosas encontrada por um agricultor no Egito levou arqueólogos a descobrir restos de duas estátuas gigantes atribuídas ao faraó Ramsés II, que governou o país há mais de 3 mil anos. O achado ocorreu na vila de Behbeit el-Hagar, na província de Gharbia, no delta do Nilo, e foi anunciado pelas autoridades egípcias nesta semana.

A descoberta começou quando o morador encontrou um bloco de pedra com marcas incomuns enquanto trabalhava em um terreno próximo à própria casa. Ele comunicou o achado às autoridades responsáveis pelo patrimônio histórico, que enviaram especialistas para avaliar o material. A inspeção deu início a escavações que revelaram peças monumentais ligadas ao Egito Antigo.

Segundo o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito, uma das esculturas representa Ramsés II, enquanto a segunda também pode retratar o faraó. Os pesquisadores encontraram ainda um bloco de granito rosa com inscrições hieroglíficas que ajudaram a identificar a origem dos objetos.

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Estátua de Ramsés II poderia ter mais de oito metros de altura

Uma das peças encontradas é a cabeça de uma estátua de Ramsés II, com aproximadamente 1,60 metro de altura. A escultura apresenta o faraó usando a coroa dupla, símbolo da união entre o Alto e o Baixo Egito.

Os arqueólogos estimam que a estátua original, incluindo sua base, poderia alcançar cerca de 8,5 metros de altura. A dimensão revela o caráter monumental da obra, produzida durante um período em que esculturas gigantes eram utilizadas para representar a autoridade dos governantes.

A segunda escultura foi encontrada parcialmente preservada e mede aproximadamente 2,40 metros. Embora esteja sem as pernas e a base, conserva características do rosto e o tradicional adorno de cabeça utilizado nas representações dos faraós.

As autoridades acreditam que essa peça também retrate Ramsés II, mas a identificação ainda depende de estudos complementares.

Fragmento de estátua atribuído ao faraó Ramsés II é descoberto enterrado no Egito após mais de 3 mil anos.

Inscrições em granito rosa ajudaram a identificar o faraó

Além das esculturas, a equipe encontrou um bloco de granito rosa com aproximadamente 1,30 metro de comprimento e inscrições em hieróglifos.

Os textos apresentam dois títulos associados a Ramsés II: Rei do Alto e Baixo Egito e Filho de Rá, referência ao deus solar da religião egípcia.

Essas inscrições são importantes porque permitem relacionar os objetos ao período de governo do faraó e ajudam os pesquisadores a compreender o significado histórico do conjunto.

A descoberta também levanta perguntas sobre a localização original das estátuas e a razão pela qual seus fragmentos permaneceram enterrados naquela região durante tantos séculos.

Bloco de pedra com inscrições hieroglíficas encontrado durante escavações arqueológicas no Egito.

Quem foi Ramsés II, um dos faraós mais poderosos do Egito?

Ramsés II governou o Egito aproximadamente entre 1279 a.C. e 1213 a.C., durante a 19ª dinastia. Seu reinado, de cerca de 66 anos, foi um dos mais longos da história egípcia.

Conhecido também como Ramsés, o Grande, o faraó ficou marcado por campanhas militares, grandes construções e pela expansão de monumentos religiosos.

Entre as obras associadas ao seu governo estão os templos de Abu Simbel, no sul do Egito, famosos pelas enormes esculturas que representam o governante.

Durante seu reinado, Ramsés II também utilizou monumentos e inscrições para reforçar sua imagem de poder. Muitas dessas representações sobreviveram por milhares de anos e continuam sendo encontradas em escavações arqueológicas.

Múmia de Ramsés, o Grande / Crédito: Divulgação

Por que a descoberta é importante para a arqueologia?

A região de Behbeit el-Hagar possui importância histórica por abrigar vestígios de um antigo complexo religioso dedicado à deusa Ísis.

A presença de esculturas associadas a Ramsés II pode oferecer novas informações sobre a utilização do local em diferentes períodos da história egípcia.

Uma das questões que os pesquisadores pretendem investigar é se as estátuas foram originalmente instaladas naquela área ou transportadas de outro lugar em algum momento da Antiguidade.

O achado também demonstra como vestígios arqueológicos importantes ainda podem estar escondidos em áreas ocupadas atualmente por moradores e agricultores.

Próximos passos

O Conselho Supremo de Antiguidades do Egito continuará as escavações e os estudos das peças encontradas para determinar sua origem, suas características e a relação entre os diferentes fragmentos.

Os especialistas também pretendem investigar a organização histórica do sítio arqueológico e identificar possíveis estruturas associadas às esculturas.

A descoberta, iniciada com uma pedra encontrada por acaso, pode ajudar a reconstruir novos detalhes sobre a presença de monumentos reais no delta do Nilo e sobre a história de uma das figuras mais conhecidas do Egito Antigo.

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