O veterinário Wilson Grassi Júnior, ex-candidato à Presidência da República pelo Democrata, anunciou que poderá apoiar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais, desde que o senador assuma compromissos com a proteção animal. Ao explicar sua posição, Grassi descartou apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que a opinião de sua mãe, de 80 anos, também pesou na decisão.
O posicionamento foi divulgado na quarta-feira (14), em um vídeo publicado no Instagram. Na gravação, o ex-presidenciável explicou por que não pretende apoiar Lula e apresentou um manifesto com cinco propostas voltadas ao bem-estar animal, que deseja ver incorporadas ao programa de governo de Flávio Bolsonaro.
A manifestação ocorre a menos de duas semanas do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Embora tenha sinalizado disposição para apoiar o candidato do PL, Grassi condicionou sua adesão à aceitação das medidas apresentadas no documento.
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Wilson Grassi diz que não apoiará Lula por causa da mãe
Em um vídeo de aproximadamente 1 minuto e 40 segundos, Wilson Grassi explicou que sua decisão de não apoiar Lula envolve divergências políticas e uma questão familiar. Segundo ele, sua mãe, de 80 anos, tem forte rejeição à esquerda e ao Partido dos Trabalhadores.
O veterinário afirmou que chegou a refletir sobre seu posicionamento eleitoral, mas decidiu preservar a relação com a mãe em vez de declarar apoio ao presidente.
“Eu pensei muito […] e a resposta final é essa: gente, eu não posso ir de Lula pelos motivos que eu expus no vídeo anterior e porque eu tenho uma mãe de 80 anos que simplesmente odeia a esquerda, odeia o PT. Se eu apoiar o Lula, eu perco a minha mãe. E entre política e a minha mãe, eu prefiro a minha mãe. Então, eu não vou apoiar o Lula, isso já está decidido”, disse Wilson Grassi.
A declaração foi acompanhada da apresentação de condições para um eventual apoio a Flávio Bolsonaro. Em vez de anunciar uma adesão sem contrapartidas, Grassi decidiu vincular seu posicionamento a compromissos específicos com políticas públicas de proteção animal.
Durante sua campanha presidencial, o veterinário deu destaque à defesa dos animais, tema que também marca sua atuação profissional e sua presença nas redes sociais.
Quais são as cinco propostas apresentadas a Flávio Bolsonaro?
Wilson Grassi divulgou uma carta aberta intitulada “Manifesto de Apoio Condicionado à Causa Animal”, direcionada ao candidato do PL. No documento, afirma que o programa de governo de Flávio Bolsonaro não apresenta medidas específicas suficientes para a área e propõe cinco compromissos.
A primeira proposta prevê a criação de uma Política Nacional de Proteção Animal, com ações voltadas tanto aos animais domésticos quanto à fauna silvestre.
O segundo ponto trata do reconhecimento e da regulamentação da atividade dos protetores de animais comunitários, profissionais e voluntários que atuam no resgate, acolhimento e cuidado de animais em situação de abandono.
A terceira medida propõe apoio do governo federal à implantação de hospitais veterinários públicos nos municípios, ampliando o acesso da população a atendimentos para animais de estimação.
O quarto compromisso envolve o fortalecimento de programas gratuitos de castração, com o objetivo de controlar a população de cães e gatos e reduzir o abandono.
Por fim, o manifesto defende medidas mais rigorosas de proteção à fauna silvestre, combate à caça e ao tráfico de animais, além de incentivos à pesquisa em biotecnologia para desenvolver alternativas ao uso de animais na alimentação.
As propostas representam uma tentativa de levar a pauta da proteção animal para o centro das discussões sobre políticas públicas no próximo governo.
Manifesto busca mobilizar defensores da causa animal
Além da publicação do vídeo, Wilson Grassi disponibilizou um formulário para que apoiadores possam aderir ao manifesto. Segundo as informações divulgadas, o documento havia reunido 132 assinaturas no momento do levantamento.
A iniciativa busca ampliar o alcance das reivindicações e demonstrar à campanha de Flávio Bolsonaro que existe um grupo interessado na adoção das medidas.
No texto, Grassi sustenta que o acolhimento das propostas poderá estimular a participação de médicos-veterinários, protetores independentes, profissionais de saúde animal e ativistas ambientais.
Isso, porém, não significa que essas categorias tenham declarado apoio coletivo ao senador. A mobilização apresentada pelo ex-candidato representa uma iniciativa própria, cuja adesão dependerá da manifestação individual dos participantes.
Também não há confirmação, nas informações apresentadas, de que Flávio Bolsonaro tenha aceitado formalmente os cinco compromissos.
Apoio condicionado ocorre em meio à formação de alianças no segundo turno
A manifestação de Wilson Grassi acontece durante a reorganização das forças políticas após o primeiro turno da eleição presidencial, realizado em 4 de outubro.
Flávio Bolsonaro tem recebido declarações de apoio de partidos e lideranças que não disputam mais a Presidência. Entre os movimentos recentes estão as adesões do Novo, do Republicanos, do Podemos e da federação formada por União Brasil e PP.
O MDB também anunciou apoio de parte majoritária de seus diretórios estaduais ao candidato do PL, embora outras direções regionais tenham optado por Lula.
Diferentemente das alianças partidárias, o posicionamento de Grassi está relacionado a uma pauta específica. O veterinário pretende utilizar sua manifestação pública para cobrar compromissos que possam ser transformados em políticas governamentais.
O apoio individual do ex-presidenciável não representa, por si só, uma transferência automática de votos. Seu eventual impacto eleitoral dependerá da receptividade das propostas e da mobilização de seus apoiadores.
Próximos passos
A definição sobre o apoio de Wilson Grassi dependerá da resposta de Flávio Bolsonaro ao manifesto. Caso o senador aceite as condições, o veterinário poderá formalizar sua adesão à campanha na reta final do segundo turno.
Até o momento, não foi informada uma data para a manifestação do candidato do PL sobre as propostas.
Enquanto aguarda uma resposta, Grassi pretende manter a mobilização em torno do documento e ampliar a coleta de assinaturas.
A eleição presidencial será decidida em 25 de outubro, quando os brasileiros voltarão às urnas para escolher entre Lula e Flávio Bolsonaro.