Katie Zacharia, porta-voz de Trump, é demitida após admitir reprovação em exame de advocacia

Katie Zacharia reconheceu que nunca conseguiu licença para advogar nos Estados Unidos; saída da Casa Branca foi divulgada nesta sexta-feira (16), após questionamentos sobre suas credenciais profissionais.
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x
A passagem de Katie Zacharia pelo comando da comunicação da Casa Branca terminou após apenas cinco dias. A porta-voz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi demitida nesta sexta-feira (16), segundo informações divulgadas pela imprensa americana, depois de admitir que havia sido reprovada no exame necessário para exercer a advocacia no país. A saída ocorreu em meio a questionamentos sobre a trajetória profissional de Zacharia, de 41 anos, que já havia se apresentado publicamente como advogada. O próprio Trump utilizou essa qualificação ao anunciar sua nomeação, apesar de ela não possuir registro profissional para exercer a atividade nos Estados Unidos. Em entrevista concedida na quinta-feira (15), Zacharia confirmou que não passou no exame da Ordem dos Advogados da Califórnia e que nunca tentou novamente. A revelação ampliou a controvérsia iniciada após sua primeira coletiva de imprensa, realizada na terça-feira (13).
LEIA TAMBÉM
Trump usa eleição no Brasil para criticar demora na apuração em cidades democratas dos EUA

Katie Zacharia admite que não passou no exame da Ordem

A confirmação ocorreu durante uma entrevista ao programa apresentado por Sean Hannity, na Fox News. Questionada diretamente sobre a reprovação no exame exigido para obter a licença de advogada, Zacharia respondeu afirmativamente. Ela também reconheceu que não voltou a prestar a prova depois da primeira tentativa. A declaração colocou em evidência a diferença entre possuir um diploma universitário em Direito e estar legalmente habilitado para exercer a advocacia nos Estados Unidos. Zacharia concluiu a graduação em Direito na Universidade Pepperdine, na Califórnia, em 2011. No entanto, a formação acadêmica não garante automaticamente o direito de atuar como advogada no país, já que o exercício profissional depende de autorização concedida pelas autoridades competentes de cada estado.

Por que a porta-voz de Trump foi questionada?

As dúvidas começaram a ganhar força depois que jornalistas passaram a investigar as qualificações apresentadas por Zacharia em entrevistas, perfis profissionais e aparições públicas. Antes de assumir a comunicação da Casa Branca, ela havia mencionado experiências na área jurídica, incluindo atividades relacionadas a um escritório de advocacia em Pequim, na China, e a uma organização conservadora sediada na Califórnia. O problema surgiu porque essas referências foram acompanhadas do uso de títulos profissionais associados à advocacia, embora Zacharia não tivesse sido aprovada no exame exigido para obter a licença nos Estados Unidos. Durante sua primeira coletiva como porta-voz, ela foi questionada sobre o estado americano em que teria conseguido aprovação no exame. A resposta não esclareceu a situação e aumentou as dúvidas sobre suas credenciais.

Ex-porta-voz afirma que mudança para a China atrapalhou preparação

Ao explicar a reprovação, Zacharia afirmou que atravessava um período de mudanças pessoais quando realizou a prova, em 2011. Na época, preparava-se para o casamento e para se mudar à China, onde o marido trabalhava. Segundo ela, a mudança de país e os compromissos familiares afetaram sua concentração. Zacharia também afirmou que não pretendia exercer a advocacia nos Estados Unidos e, por isso, não considerou necessário repetir o exame. A ex-porta-voz sustentou ainda que sua formação acadêmica e a experiência com assuntos jurídicos permitiriam realizar análises na área, embora não estivesse habilitada a prestar serviços reservados a advogados licenciados.

Organização pede investigação sobre credenciais profissionais

A controvérsia também chegou às autoridades responsáveis pela regulamentação da advocacia na Califórnia. A organização Campaign for Accountability solicitou uma investigação para verificar se Zacharia utilizou indevidamente o título de advogada. O pedido levanta a possibilidade de descumprimento das regras estaduais sobre apresentação profissional e exercício da advocacia sem autorização. A existência da solicitação não significa que tenha sido comprovada alguma infração. Eventuais responsabilidades dependem da análise dos fatos pelas autoridades competentes.

Primeira coletiva na Casa Branca também gerou críticas

Além das dúvidas sobre a formação profissional, Katie Zacharia enfrentou críticas pela maneira como conduziu sua estreia diante dos jornalistas na Casa Branca. A coletiva de terça-feira (13) durou menos de 15 minutos e terminou depois que a porta-voz respondeu a perguntas de apenas três profissionais de imprensa. A apresentação foi considerada pouco esclarecedora por parte dos comentaristas políticos americanos. Em entrevistas posteriores, Zacharia afirmou que teve pouco tempo para se preparar e que ainda não sabia com que frequência realizaria encontros com jornalistas. Ela havia assumido o posto em substituição a Karoline Leavitt, que deixou a função em agosto para dedicar mais tempo à família.

Trump comenta saída da porta-voz após cinco dias

A demissão de Zacharia foi divulgada nesta sexta-feira pelo jornal The New York Times, com base em relatos de pessoas familiarizadas com a decisão. Trump afirmou a jornalistas que havia sugerido à porta-voz que reconsiderasse sua permanência no cargo. O presidente relatou ter questionado se ela realmente precisava continuar na função, diante da repercussão das controvérsias. Até a divulgação das informações sobre a saída, não havia um posicionamento público detalhado da Casa Branca sobre os motivos formais da demissão. O episódio abre uma nova etapa de reorganização na comunicação do governo americano. A definição de quem assumirá a função será importante para estabelecer a relação da Casa Branca com os jornalistas e a condução das próximas coletivas presidenciais.
Carregar Comentários