A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) intensificou a mobilização de aliados e apoiadores nas redes sociais para reforçar o discurso sobre programas sociais na reta final do segundo turno presidencial. A iniciativa ocorre após declarações da coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, sobre uma proposta de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família consigam emprego ou abram um negócio.
O episódio gerou desconforto entre integrantes da campanha, segundo relatos publicados pelo Metrópoles, porque abriu espaço para questionamentos sobre como o candidato pretende reduzir R$ 200 bilhões em despesas públicas sem comprometer políticas de assistência social.
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Declaração sobre transição provocou reação
Em entrevista à CBN Bahia na segunda-feira (19), Daniella Marques afirmou que a proposta prevê um período de transição para que beneficiários possam buscar emprego com carteira assinada ou abrir o próprio negócio sem perder imediatamente a proteção financeira.
A fala passou a ser explorada por adversários políticos, que associaram a proposta à promessa de redução de despesas públicas feita pelo senador. Aliados de Flávio demonstraram preocupação com a possibilidade de a medida ser interpretada como uma ameaça à continuidade dos pagamentos.
O desconforto relatado nos bastidores está relacionado também ao momento da declaração, feita poucos dias antes da votação do segundo turno. A campanha tenta evitar que o debate sobre o benefício desvie a atenção de suas demais propostas econômicas.
Flávio nega que pretende acabar com o benefício
Após a repercussão, Flávio publicou um vídeo nas redes sociais para contestar a interpretação de que pretende limitar o Bolsa Família a dois anos para todas as famílias. O senador afirmou que o prazo mencionado se aplicaria a beneficiários que conseguissem emprego ou iniciassem um negócio.
O candidato também declarou que, caso o trabalhador perca o emprego ou não consiga manter a atividade empresarial, poderia retornar ao programa. A proposta, entretanto, ainda é uma promessa eleitoral e não modifica automaticamente as regras atualmente em vigor.
Bolsa Família já possui regra de proteção
O programa federal já conta com mecanismos para evitar que famílias percam imediatamente o benefício quando sua renda aumenta. As condições de permanência e o percentual recebido dependem das regras aplicáveis a cada grupo de beneficiários e da data de ingresso na Regra de Proteção.
Por isso, a proposta apresentada pela campanha precisa ser analisada em comparação com os mecanismos existentes. A definição de eventuais mudanças exigiria detalhamento dos critérios de renda, do período de permanência e das condições para retorno ao benefício.
Flávio terá apoio de Nunes e Tarcísio na gestão de crise
Além da resposta pública sobre o programa social, a campanha pretende reforçar a divulgação das propostas de Flávio por meio de aliados políticos, agendas presenciais e publicações nas redes sociais. A estratégia busca ampliar o alcance do candidato para além de sua base tradicional de apoiadores.
Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) estão entre os aliados citados na articulação política. No Nordeste, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice na chapa, também deve participar da mobilização.
A agenda divulgada pela campanha prevê compromissos em São Paulo e Fortaleza na quarta-feira (21), preparação para o debate da TV Globo na sexta-feira (23) e atividades em Minas Gerais e no Rio de Janeiro no sábado (24).
Como a questão do Bolsa Família pode afetar as eleições?
O segundo turno presidencial está marcado para domingo (25 de outubro), quando os eleitores escolherão entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na reta final, as campanhas intensificam a defesa de suas propostas e procuram responder às críticas dos adversários.
A discussão sobre o Bolsa Família coloca em evidência duas questões centrais do debate econômico: como ampliar as oportunidades de emprego e geração de renda e como garantir a proteção de famílias que ainda dependem da transferência de recursos públicos.