A Coreia do Norte divulgou novas fotografias do líder Kim Jong-un nesta terça-feira (20), após rumores sobre sua suposta morte por hemorragia cerebral circularem nas redes sociais. As imagens, publicadas pela imprensa estatal, mostram o dirigente de 42 anos visitando uma exposição de roupas e calçados em Pyongyang, acompanhado da filha, Kim Ju-ae, e de autoridades do governo.
Os boatos começaram depois que um dissidente chinês residente nos Estados Unidos afirmou, sem apresentar provas, que Kim teria sido levado em coma para um hospital em Pequim, na China, onde supostamente teria morrido. As alegações não foram confirmadas por fontes independentes nem pelos serviços de inteligência sul-coreanos.
As fotografias divulgadas pelo jornal estatal Rodong Sinmun mostram Kim examinando produtos e conversando com autoridades. Embora não seja possível verificar de maneira independente quando as imagens foram registradas, a publicação contraria a narrativa de que o líder teria morrido.
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De onde surgiram os rumores sobre a morte de Kim Jong-un?
A informação sobre a suposta morte foi divulgada por Wanjun Xie, um dissidente chinês que vive nos Estados Unidos e se apresenta como presidente do Partido Democrático Chinês, organização proibida pelas autoridades de Pequim.
Segundo Xie, Kim Jong-un teria sofrido uma grave hemorragia cerebral e precisado ser transferido para a China porque a Coreia do Norte não teria equipamentos médicos adequados para o tratamento.
O dissidente também afirmou que o líder teria morrido em um hospital de Pequim e que seu corpo teria sido levado secretamente de volta à Coreia do Norte.
Nenhuma dessas alegações foi acompanhada de documentos, registros hospitalares ou outras evidências verificáveis.
Xie já havia divulgado anteriormente informações não comprovadas sobre líderes políticos, incluindo rumores relacionados ao presidente chinês, Xi Jinping.

Inteligência sul-coreana não encontrou confirmação
Segundo informações divulgadas pela BBC News, autoridades de inteligência da Coreia do Sul afirmaram à agência Yonhap que não tinham recebido informações capazes de confirmar os relatos sobre a suposta morte de Kim Jong-un.
Especialistas também destacam que uma mudança repentina na liderança norte-coreana provavelmente provocaria movimentações perceptíveis em países vizinhos.
Entre os possíveis sinais estariam o reforço da segurança na fronteira chinesa, alterações na atividade diplomática e informações obtidas por redes de contatos mantidas por desertores norte-coreanos.
Até o momento, não foram identificados indícios consistentes desse tipo que sustentem a versão divulgada pelo dissidente.
Por que rumores sobre a morte de Kim continuam surgindo?
A falta de transparência do governo norte-coreano é um dos principais fatores que favorecem a circulação de informações não verificadas.
A Coreia do Norte mantém forte controle sobre a imprensa, restringe o acesso de jornalistas estrangeiros e divulga poucas informações sobre a rotina e a saúde de suas principais autoridades.
Mesmo serviços de inteligência de outros países enfrentam dificuldades para confirmar acontecimentos dentro do regime.
Esse ambiente de sigilo faz com que períodos de ausência pública do líder sejam frequentemente acompanhados por especulações sobre problemas de saúde ou mudanças no comando do país.
Em 2020, rumores semelhantes ganharam repercussão internacional depois que Kim deixou de aparecer em determinados eventos oficiais. Na ocasião, surgiram informações não comprovadas sobre sua morte após uma suposta cirurgia cardiovascular.
Pouco tempo depois, o líder voltou a aparecer em público, contrariando as especulações.
Sucessão no poder aumenta interesse pela saúde do líder
Outro fator que alimenta os rumores é a incerteza sobre quem assumiria o comando da Coreia do Norte caso Kim Jong-un deixasse o poder.
O país é governado pela família Kim há três gerações. Kim Il-sung, fundador do regime, foi sucedido pelo filho Kim Jong-il, que morreu em 2011. Desde então, Kim Jong-un ocupa a liderança.
Diferentemente das transições anteriores, ainda não existe um sucessor formalmente anunciado.
Nos últimos anos, Kim Ju-ae, filha do dirigente, passou a acompanhá-lo com frequência em eventos militares, cerimônias oficiais e visitas públicas.
A presença crescente da adolescente levou analistas e integrantes da inteligência sul-coreana a considerar a possibilidade de que ela esteja sendo preparada para assumir um papel de destaque no futuro.
No entanto, o governo norte-coreano não confirmou qualquer plano de sucessão, e a participação de Kim Ju-ae nos eventos não significa que ela tenha sido oficialmente escolhida como herdeira política.
Saúde de Kim Jong-un é acompanhada por países vizinhos
A saúde do líder norte-coreano é acompanhada de perto por autoridades da Coreia do Sul, dos Estados Unidos e de outros países interessados na estabilidade da Península Coreana.
Avaliações anteriores de inteligência sul-coreana apontaram fatores de risco cardiovascular relacionados ao histórico familiar e ao estilo de vida do dirigente.
Essas avaliações, porém, não comprovam a existência de uma doença grave atual nem sustentam os rumores de morte divulgados nesta semana.
A preocupação internacional está relacionada às possíveis consequências de uma mudança inesperada no comando da Coreia do Norte.
O país possui armas nucleares e mantém um programa de desenvolvimento de mísseis balísticos. Uma eventual crise de sucessão poderia gerar incertezas sobre o controle desse arsenal e sobre as relações de Pyongyang com países vizinhos.
Fotos mostram Kim ao lado da filha
Nas novas imagens divulgadas pela imprensa estatal, Kim Jong-un aparece acompanhado da filha Kim Ju-ae durante uma visita a uma exposição de roupas e calçados.
As fotografias mostram o líder observando produtos e interagindo com integrantes do governo norte-coreano.
A imprensa estatal não apresentou as imagens como uma resposta direta aos rumores e não comentou as alegações sobre uma suposta hemorragia cerebral.
Embora a data exata dos registros não tenha sido confirmada de forma independente, a divulgação ocorre em meio à repercussão internacional das informações falsas ou não verificadas.
O episódio evidencia como o sigilo em torno da liderança norte-coreana continua favorecendo especulações, especialmente quando envolvem a saúde do dirigente e o futuro do regime.
Até esta terça-feira (20), não havia evidências confiáveis de que Kim Jong-un tivesse morrido.