A Coreia do Norte anunciou nesta terça-feira (22) ter realizado com sucesso o teste de um novo sistema de armas acompanhado pessoalmente por Kim Jong-un. Imagens divulgadas pela mídia estatal indicam que o lançamento pode envolver uma nova versão de míssil balístico de curto alcance equipada com tecnologia hipersônica.
O teste ocorreu no domingo (20), na região de Wonsan, na costa leste norte-coreana. Naquele dia, militares da Coreia do Sul detectaram dois lançamentos de mísseis balísticos de curto alcance em direção ao mar, realizados com aproximadamente três horas de diferença.
Uma das telas divulgadas pela Agência Central de Notícias da Coreia do Norte mostra a inscrição “trajetória de voo do Hwasongpho-11Ma-1” e dados que atribuem ao projétil um alcance de 908,2 quilômetros. As informações, porém, divergem das medições feitas pelas forças sul-coreanas.
VEJA TAMBÉM:
Coreia do Norte lança dois mísseis em três horas; EUA descartam ameaça imediata
Kim acompanha teste ao lado da filha
Kim Jong-un acompanhou o lançamento ao lado da filha, Kim Ju-ae, que aparece em fotografias oficiais observando telas com informações sobre a trajetória do armamento.
A Coreia do Norte apresentou o teste como um avanço relevante na modernização das Forças Armadas e na capacidade de resposta do país diante de possíveis adversários.
Kim afirmou que o desenvolvimento de novas tecnologias militares teria impacto direto sobre os países considerados inimigos por Pyongyang.
“Tal realidade causaria ao inimigo uma dor de cabeça incurável e um golpe muito cruel e inevitável”, afirmou Kim Jong-un, segundo a mídia estatal norte-coreana.
O líder também classificou o teste como demonstração de uma tecnologia de defesa “ultramoderna” e afirmou que o resultado representa avanço na modernização militar do país.
Imagens apontam para Hwasongpho-11Ma-1
A Coreia do Norte não detalhou oficialmente o nome e todas as características técnicas da nova arma no anúncio.
As fotografias divulgadas, entretanto, mostram uma tela identificando a trajetória de um “Hwasongpho-11Ma-1”. Analistas sul-coreanos avaliam que o sistema pode ser uma evolução da família Hwasong-11 equipada com um veículo planador hipersônico.
Esse tipo de veículo é projetado para alcançar velocidades hipersônicas e realizar alterações de altitude e direção depois da fase inicial do lançamento.
Os dados visíveis na tela divulgada por Pyongyang indicam velocidade de aproximadamente 2.146 metros por segundo, altitude de 35,8 quilômetros e distância de 908,2 quilômetros.
Coreia do Sul detectou distâncias menores
Os números apresentados pela Coreia do Norte não coincidem com os dados registrados pelo Estado-Maior Conjunto sul-coreano.
Segundo Seul, o primeiro míssil foi lançado por volta das 15h de domingo, no horário local, e percorreu aproximadamente 450 quilômetros.
Cerca de três horas depois, um segundo projétil foi disparado da mesma região e percorreu mais de 600 quilômetros antes de cair no mar.
Militares e especialistas da Coreia do Sul afirmam que os dados divulgados pelo regime ainda precisam de análise adicional.
Entre as possibilidades consideradas está uma diferença provocada pela trajetória incomum do projétil ou até a divulgação de números imprecisos por Pyongyang para apresentar o ensaio como bem-sucedido.
Trajetória mostrou manobra em baixa altitude
Um dos elementos que mais chama atenção nas imagens oficiais é a trajetória apresentada na tela acompanhada por Kim Jong-un.
O gráfico mostra o projétil subindo após o lançamento, iniciando uma descida e posteriormente voltando a ganhar altitude em uma manobra semelhante ao chamado
pull-up.
Esse comportamento é associado a armas projetadas para dificultar a previsão da trajetória.
Em mísseis balísticos tradicionais, radares conseguem estimar com maior precisão a rota e o provável ponto de impacto depois que a trajetória é estabelecida.
Um veículo capaz de realizar manobras durante o voo torna essa previsão mais complexa e reduz o tempo disponível para sistemas antimísseis reagirem.
O que significa um míssil hipersônico?
O termo hipersônico é usado para sistemas capazes de viajar a velocidades superiores a Mach 5, equivalente a cinco vezes a velocidade do som.
A velocidade, por si só, não é novidade em mísseis balísticos. O principal diferencial dos sistemas hipersônicos modernos está na combinação entre alta velocidade e capacidade de manobra.
Essa característica pode dificultar a detecção antecipada e a interceptação, especialmente quando o projétil opera em altitudes inferiores às utilizadas por mísseis balísticos tradicionais.
Apesar da apresentação feita por Pyongyang, especialistas continuam analisando até que ponto o novo sistema possui de maneira consistente todas as capacidades reivindicadas pelo regime.
Teste aumenta pressão sobre Coreia do Sul, Japão e EUA
Os lançamentos foram acompanhados em tempo real por Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos, que mantêm sistemas de compartilhamento de informações sobre a atividade balística norte-coreana.
O Japão informou que os projéteis caíram fora de sua zona econômica exclusiva.
A Coreia do Sul reforçou o monitoramento da região e afirmou que continuará compartilhando dados com Washington e Tóquio.
O lançamento ocorre em um momento em que os três países reiteram a intenção de conter o avanço dos programas nuclear e balístico norte-coreanos.
Pyongyang relaciona arsenal à pressão militar dos rivais
A Coreia do Norte afirma que o desenvolvimento de novos armamentos é uma resposta à presença militar americana na região e à cooperação de defesa entre Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão.
Pyongyang vem criticando exercícios militares conjuntos realizados pelos três países e sustenta que precisa fortalecer sua capacidade de dissuasão.
Washington, Seul e Tóquio, por outro lado, afirmam que os exercícios são defensivos e que o avanço dos programas nuclear e balístico norte-coreanos representa uma ameaça à estabilidade regional.
Teste ocorre em meio a impasse diplomático
O novo teste também acontece em um período de poucas perspectivas de retomada das negociações nucleares.
Estados Unidos e Coreia do Sul vêm sinalizando disposição para retomar conversas com Pyongyang, mas o governo norte-coreano continua rejeitando propostas que tenham a desnuclearização como condição central.
A Coreia do Norte sustenta que seu status como potência nuclear não está aberto a negociação nas atuais condições.
Ao mesmo tempo, o país aprofundou nos últimos anos sua relação estratégica com Rússia e China, o que ampliou a margem diplomática de Kim Jong-un diante da pressão ocidental.
LEIA TAMBÉM:
Coreia do Norte rejeita pressão da AIEA e promete ampliar arsenal nuclear
Entenda O Contexto
A Coreia do Norte lançou dois mísseis balísticos de curto alcance no domingo (20), a partir da região de Wonsan, na costa leste do país.
A Coreia do Sul informou inicialmente que os projéteis percorreram cerca de 450 quilômetros e mais de 600 quilômetros antes de cair no mar.
Dois dias depois, Pyongyang afirmou que os lançamentos fizeram parte do teste bem-sucedido de um novo sistema de armas.
As imagens divulgadas pela mídia estatal mostram uma tela com a identificação “Hwasongpho-11Ma-1” e uma distância de voo de 908,2 quilômetros, o que levou especialistas a relacionar o teste a uma nova arma hipersônica.
A diferença entre os dados divulgados por Pyongyang e os detectados pela Coreia do Sul ainda está sob análise.
Kim Jong-un acompanhou o teste ao lado da filha, Kim Ju-ae, e afirmou que o desenvolvimento de novas tecnologias militares aumenta a capacidade de dissuasão do país.
AS MAIS LIDAS DO NC NEWS:
Novo sinal de celular muda buscas por helicóptero com Rick na Serra catarinense
Conselho do MPF vai decidir se Gonet pode seguir no caso Master após mensagens e foto com Vorcaro
Protesto em Nova York projeta Flávio Bolsonaro entregando faixa presidencial a Trump