A poucos dias do segundo turno, votos da terceira via e abstenções podem surpreender

Pesquisas indicam que os votos de candidatos eliminados não migram automaticamente e que mobilizar eleitores ausentes será um dos desafios das campanhas.
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pelo segundo turno da eleição presidencial também passa pelos eleitores que não escolheram nenhum dos dois no primeiro turno. Votos de candidatos eliminados, abstenções e escolhas por branco ou nulo formam um contingente importante, mas seu destino ainda depende das decisões individuais dos eleitores.

Pesquisas divulgadas em outubro mostram que a transferência de votos não é automática. Enquanto Flávio aparece à frente entre parte dos eleitores de candidatos ligados à direita, Lula encontra oportunidades entre grupos que apoiaram outras candidaturas ou não compareceram às urnas.

LEIA TAMBÉM:

69 deputados e senadores eleitos em 2026 são alvos de investigações ou processos criminais

Votos da terceira via podem mudar o resultado

Entre os eleitores que votaram em candidatos que ficaram fora do segundo turno, as pesquisas apontam diferentes tendências conforme o nome escolhido na primeira votação. Levantamento do Datafolha divulgado em outubro indicou vantagem de Flávio no conjunto dos eleitores da chamada terceira via, embora uma parcela declare preferência por Lula, branco ou nulo, ou ainda não tenha definido sua escolha.

Os recortes da pesquisa Quaest mostram diferenças entre os grupos. Entre os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), 42% declararam intenção de votar em Flávio, ante 23% em Lula. Entre os que escolheram Renan Santos (Missão), 40% indicaram voto no senador e 14% no presidente.

Já entre os eleitores de Augusto Cury (Avante), o cenário era mais equilibrado: 34% disseram que votariam em Lula e 30% em Flávio. Outros 30% afirmaram que poderiam votar em branco ou nulo ou não comparecer, enquanto 6% estavam indecisos.

Apoios políticos não garantem transferência

Declarações de apoio feitas por candidatos derrotados podem influenciar a campanha, mas não significam que todos os seus eleitores seguirão a mesma orientação. A escolha também depende de rejeição aos concorrentes, afinidade política e avaliação das propostas apresentadas para o segundo turno.

Abstenção é outro desafio para as campanhas

No primeiro turno, 33.469.244 eleitores não compareceram às urnas, o equivalente a 21,08% do eleitorado, segundo os dados da apuração divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O total torna a mobilização de quem ficou ausente um dos focos das campanhas.

Analistas apontam que a abstenção pode afetar de maneira diferente os candidatos, dependendo do perfil de seus eleitores e da capacidade de cada campanha de estimular o comparecimento. No entanto, não é possível presumir em quem os eleitores ausentes votariam caso tivessem participado do primeiro turno.

Brancos, nulos e indecisos também entram na conta

Além da abstenção, os votos brancos e nulos e os eleitores que ainda avaliam suas opções representam outro grupo acompanhado pelas campanhas. Parte dessas pessoas pode escolher um dos candidatos no segundo turno; outras podem manter a decisão de não apoiar nenhum dos dois ou deixar de votar.

Os levantamentos eleitorais registram intenções declaradas no momento das entrevistas, e não garantem como será o comportamento diante da urna. As diferenças entre os resultados das pesquisas e os recortes por candidato também precisam ser interpretadas considerando as margens de erro de cada levantamento.

Disputa segue aberta até a votação

Com a eleição se aproximando, Lula e Flávio tentam ampliar suas bases para além dos eleitores que já os apoiaram no primeiro turno. Para Flávio, o desafio inclui consolidar a preferência de parte do eleitorado da terceira via. Para Lula, mobilizar ausentes e atrair eleitores de candidaturas alternativas pode ser decisivo.

O resultado dependerá não apenas da migração de votos, mas também do comparecimento às urnas e da decisão de eleitores que ainda podem mudar de ideia. Por isso, os números das pesquisas ajudam a identificar tendências, mas não permitem antecipar com certeza o resultado do segundo turno.

Carregar Comentários