Conta de luz fica mais cara no DF a partir desta quinta-feira (22); veja o reajuste

Aneel aprovou aumento médio de 1,92% nas tarifas da Neoenergia Brasília, que atende cerca de 1,2 milhão de unidades consumidoras; revisão ainda é provisória.
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A conta de luz ficará mais cara no Distrito Federal a partir desta quinta-feira (22). A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou, na terça-feira (20), a revisão das tarifas da Neoenergia Brasília, responsável pelo fornecimento de energia elétrica na capital federal e nas demais regiões administrativas. O aumento médio será de 1,92%, com índices diferentes conforme a categoria de consumo.

Para os consumidores de baixa tensão, grupo que inclui residências e pequenos estabelecimentos, o reajuste médio será de 1,06%. Já os consumidores de alta tensão, como indústrias e estabelecimentos comerciais de maior porte, terão aumento médio de 4,27%. A revisão tarifária atinge aproximadamente 1,2 milhão de unidades consumidoras atendidas pela concessionária.

A decisão foi aprovada pela diretoria colegiada da Aneel e tem caráter provisório. Segundo a agência, o resultado definitivo será divulgado após a conclusão de uma fiscalização sobre inconsistências identificadas nos dados de mercado da distribuidora, relacionadas à implantação de um novo sistema comercial.

Reclamações contra Neoenergia disparam 88% no DF em meio a queixas sobre contas de luz

Quanto a conta de luz vai aumentar no Distrito Federal?

O impacto do reajuste dependerá da categoria tarifária e do consumo registrado em cada unidade.

  • Segundo a Aneel, os índices médios aprovados são:
  • Consumidores de baixa tensão: aumento médio de 1,06%.
  • Consumidores de alta tensão: aumento médio de 4,27%.
  • Efeito médio para os consumidores: aumento de 1,92%.

Para a classe residencial B1, a agência reguladora informa um índice específico de 1,11%.

Na prática, considerando apenas o reajuste médio de 1,06% e mantendo as demais condições, uma conta de R$ 100 teria acréscimo aproximado de R$ 1,06, passando para R$ 101,06.

Já uma unidade comercial ou industrial enquadrada na alta tensão, com fatura de R$ 5 mil, teria aumento aproximado de R$ 213,50, chegando a R$ 5.213,50.

Os exemplos são estimativas. O valor final da conta também depende do consumo de energia, dos tributos, da bandeira tarifária e das características de cada unidade consumidora.

Por que a energia elétrica vai ficar mais cara?

De acordo com a Aneel, a revisão considera os custos necessários para a prestação do serviço de distribuição de energia elétrica.

Entre os fatores que mais influenciaram os índices aprovados estão as despesas com aquisição de energia, distribuição, transmissão e encargos setoriais.

A revisão tarifária periódica também avalia os custos considerados eficientes para a operação da concessionária, além de metas relacionadas à qualidade do serviço e às perdas de energia.

Diferentemente do reajuste tarifário anual, que atualiza determinados componentes da tarifa conforme regras contratuais, a revisão periódica envolve uma análise mais ampla dos custos e das condições de prestação do serviço.

A Neoenergia Brasília informou que o aumento aprovado ficou abaixo da inflação.

Entenda como é dividido o valor da conta de luz

Segundo a Neoenergia Brasília, apenas uma parte do valor pago pelos consumidores permanece com a distribuidora para custear a operação e a manutenção do sistema elétrico.

A empresa apresentou a seguinte composição da tarifa:

16,8% correspondem aos custos de operação, manutenção, administração e investimentos da distribuidora.

42,8% são destinados a tributos e encargos setoriais.

40,4% correspondem aos custos de compra e transmissão de energia elétrica.

Em uma conta de R$ 100, por exemplo, a concessionária afirma que aproximadamente R$ 16,80 são destinados diretamente à sua atividade de distribuição.

A maior parcela, segundo a empresa, está relacionada a tributos e encargos, enquanto outra parte significativa cobre a aquisição e o transporte da energia até a rede de distribuição.

Essa divisão ajuda a explicar por que o valor final pago pelo consumidor não corresponde exclusivamente à remuneração da concessionária.

Reajuste ocorre após aumento de reclamações contra a Neoenergia

A aprovação das novas tarifas ocorre em um período de crescimento das reclamações de consumidores do Distrito Federal sobre os valores cobrados nas contas de energia.

Conforme levantamento publicado pelo NC News em 7 de outubro, o Instituto de Defesa do Consumidor do Distrito Federal (Procon-DF) registrou 521 reclamações contra a Neoenergia Brasília entre janeiro e junho de 2026.

O número representa um aumento de 88% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 276 queixas.

Até o início de setembro, o total de reclamações já havia chegado a 731, superando os 582 registros de todo o ano anterior.

Moradores relataram surpresa com o valor das faturas, inclusive em situações nas quais afirmaram não ter alterado significativamente os hábitos de consumo.

Na ocasião, a Neoenergia informou que o consumo médio de energia no Distrito Federal havia aumentado 14% em setembro, atribuindo a elevação às temperaturas mais altas e ao uso intensificado de aparelhos de refrigeração, como ventiladores e equipamentos de ar-condicionado.

A Aneel também informou que acompanha a evolução das reclamações relacionadas ao faturamento e à variação do consumo na área de concessão da empresa.

Revisão passou por consulta pública

Antes da aprovação, a proposta de revisão tarifária foi submetida à Consulta Pública nº 24/2026, realizada pela Aneel.

O processo recebeu contribuições entre 30 de julho e 14 de setembro, permitindo a participação de consumidores, representantes do setor elétrico e demais interessados.

A agência também promoveu uma audiência pública em Brasília, em 27 de agosto, para discutir os índices propostos e os critérios utilizados no cálculo das novas tarifas.

Após analisar as contribuições, a diretoria colegiada aprovou os percentuais que passarão a valer nesta quinta-feira (22).

No entanto, o resultado permanece provisório enquanto a Aneel conclui a fiscalização das informações de mercado apresentadas pela concessionária.

Como contestar uma conta de luz com valor elevado?

Consumidores que identificarem cobranças consideradas incompatíveis com o histórico de consumo podem solicitar esclarecimentos diretamente à Neoenergia Brasília.

O primeiro passo é conferir a quantidade de energia consumida, expressa em quilowatts-hora (kWh), e comparar o registro com as faturas anteriores.

Também é importante verificar o período de leitura, a bandeira tarifária aplicada e a existência de cobranças adicionais.

Caso a dúvida não seja solucionada pela distribuidora, o consumidor poderá registrar uma reclamação nos canais de atendimento da Aneel ou procurar o Procon-DF.

O reajuste aprovado pela agência não impede a contestação de eventuais erros de leitura, faturamento ou cobrança.

Próximos passos

As novas tarifas da Neoenergia Brasília entram em vigor em 22 de outubro de 2026 e passarão a ser consideradas no faturamento conforme o período de consumo de cada unidade.

A Aneel continuará analisando as inconsistências identificadas nos dados da concessionária antes de divulgar o resultado definitivo da revisão tarifária.

Os consumidores poderão acompanhar as atualizações pelos canais oficiais da agência reguladora e da Neoenergia Brasília.

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