Rafael Mascarenhas tinha apenas 18 anos quando morreu após ser atropelado por um carro que participava de um racha no Rio de Janeiro, na madrugada de 20 de julho de 2010. Filho da apresentadora Cissa Guimarães e do músico Raul Mascarenhas, o jovem andava de skate com amigos em um túnel interditado quando foi atingido por um veículo em alta velocidade.
A morte de Rafael ganhou repercussão nacional não apenas pela tragédia, mas também pelas circunstâncias reveladas durante a investigação. O motorista fugiu sem prestar socorro, policiais militares foram envolvidos em um esquema de corrupção e o processo judicial se estendeu por mais de uma década.
Mais de 16 anos depois, o caso continua sendo lembrado pela família e voltou a ganhar atenção em outubro de 2026, após a divulgação de que um dos irmãos de Rafael procurou a polícia por causa de um comentário nas redes sociais que chamava de “herói” o homem condenado pelo atropelamento.
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Quem foi Rafael Mascarenhas, filho de Cissa Guimarães?
Rafael Guimarães Mascarenhas nasceu em 24 de setembro de 1991, no Rio de Janeiro. Era o filho mais novo de Cissa Guimarães e o único do relacionamento da apresentadora com o saxofonista Raul Mascarenhas.
O jovem era estudante universitário e músico. Cursava Engenharia Civil na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), mas planejava mudar para Arquitetura.
A música também ocupava um espaço importante em sua vida. Rafael era guitarrista e backing vocal da banda The Good Fellas e participava do reality musical Geleia do Rock, exibido pelo Multishow.
Antes de morrer, preparava uma viagem à Europa para realizar um curso de música. A trajetória artística, porém, foi interrompida pelo atropelamento.
Como aconteceu a morte de Rafael Mascarenhas?
Na madrugada de 20 de julho de 2010, Rafael andava de skate com dois amigos no Túnel Acústico, extensão do Túnel Zuzu Angel, na ligação entre a Gávea e São Conrado, na zona sul do Rio de Janeiro.
Naquele horário, a pista estava interditada para manutenção. Apesar do bloqueio, dois veículos conseguiram acessar o túnel por uma passagem de retorno.
Segundo as investigações, os motoristas participavam de uma corrida ilegal de automóveis, conhecida como racha.
Um Fiat Siena conduzido por Rafael de Souza Bussamra atingiu o estudante em alta velocidade. De acordo com a perícia, o veículo estava a aproximadamente 100 km/h no momento do atropelamento.
O motorista deixou o local sem prestar socorro.
Rafael Mascarenhas foi levado ainda com vida ao Hospital Miguel Couto, no Leblon. Ele apresentava múltiplos ferimentos na cabeça, no tórax e nos membros.
Apesar do atendimento médico, morreu na manhã daquele mesmo dia, aos 18 anos.
Motorista foi abordado pela polícia, mas acabou liberado
Um dos aspectos mais graves revelados pela investigação foi o envolvimento de policiais militares após o atropelamento.
Imagens de câmeras de segurança mostraram que o carro dirigido por Rafael Bussamra chegou a ser abordado por uma viatura da Polícia Militar depois do acidente.
Entretanto, o motorista não foi conduzido imediatamente à delegacia.
As investigações apontaram que houve uma negociação de propina envolvendo o motorista, seu pai, Roberto Bussamra, e os policiais responsáveis pela abordagem.
O objetivo era impedir que a ocorrência fosse devidamente registrada e evitar a responsabilização imediata pelo atropelamento.
O caso também envolveu tentativas de alterar as condições do veículo utilizado no acidente, prejudicando a preservação de provas.
Os policiais envolvidos foram expulsos da corporação e também responderam criminalmente.
O que aconteceu com o motorista que matou Rafael Mascarenhas?
Rafael de Souza Bussamra e seu pai, Roberto Bussamra, foram condenados pela Justiça em razão dos crimes relacionados ao caso.
O motorista recebeu condenação por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, além de outras infrações analisadas no processo.
Em 2016, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu substituir parte das penas por prestação de serviços à comunidade.
O Ministério Público recorreu da decisão, e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) posteriormente afastou a substituição da pena privativa de liberdade.
Em setembro de 2023, Rafael Bussamra e seu pai se apresentaram à Justiça para cumprir as penas determinadas.
Na ocasião, o motorista deveria cumprir três anos e seis meses de detenção por homicídio culposo. Roberto Bussamra recebeu pena de três anos e dez meses por corrupção ativa.
Posteriormente, houve progressão de regime no cumprimento das penas.
Cissa Guimarães transformou a memória do filho em homenagens
A morte de Rafael provocou grande comoção no meio artístico. Amigos e familiares participaram de homenagens ao jovem, que era conhecido pelo interesse na música e pelo convívio com outros artistas.
O túnel onde ocorreu o atropelamento passou a se chamar Túnel Acústico Rafael Mascarenhas.
Ao longo dos anos, Cissa Guimarães manteve viva a memória do filho por meio de manifestações públicas, entrevistas e visitas ao local da tragédia.
Em diferentes ocasiões, a apresentadora relatou a dor da perda e criticou a demora da Justiça na responsabilização dos envolvidos.
A trajetória de Rafael também continuou sendo lembrada por amigos e músicos que participaram de sua vida artística.
Por que o caso Rafael Mascarenhas voltou a repercutir em 2026?
Em outubro de 2026, o caso voltou ao noticiário após a coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, informar que um dos filhos de Cissa Guimarães acionou a polícia por causa de uma publicação nas redes sociais.
Segundo a reportagem, o comentário chamava de “herói” o homem condenado pela morte de Rafael Mascarenhas.
A manifestação provocou a reação da família e trouxe novamente à discussão os ataques direcionados a parentes de vítimas de crimes que tiveram grande repercussão pública.
Até a divulgação da notícia, não havia informações suficientes para confirmar quais medidas policiais seriam adotadas em relação ao comentário.
O legado de Rafael Mascarenhas
Rafael Mascarenhas morreu antes de completar 19 anos, quando ainda construía seus projetos profissionais e artísticos.
Além da história pessoal do estudante e músico, sua morte se tornou um caso emblemático envolvendo violência no trânsito, corridas ilegais, corrupção policial e a demora na responsabilização criminal.
Dezesseis anos depois, o nome de Rafael permanece associado tanto à busca da família por Justiça quanto às homenagens que preservam sua memória.