O advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), afirmou ter desembolsado R$ 3,6 milhões para adquirir uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O imóvel é alvo de uma disputa judicial com o atacante Richarlison, da seleção brasileira e do Tottenham, que afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões na propriedade.
Segundo informações divulgadas na quinta-feira (22), a escritura pública da negociação, realizada em 2022, registra o pagamento de R$ 600 mil pela mansão. Willer afirma que outros R$ 3 milhões foram destinados à quitação de impostos atrasados, acumulados por mais de dez anos. A compra foi feita por meio da empresa WT Administração de Imóveis e Bens S/A, pertencente ao advogado.
Na época da negociação, a Prefeitura de Angra dos Reis avaliava o imóvel em R$ 2,6 milhões. A diferença entre os valores apresentados pelas partes acrescenta um novo elemento à disputa, que também envolve acusações de irregularidades judiciais e a citação do nome de Flávio Bolsonaro.

Amigo de Flávio Bolsonaro tenta calar Richarlison sobre disputa por ilha de R$ 10 milhões
Escritura registra compra por R$ 600 mil
De acordo com a documentação obtida pelo UOL, a aquisição foi formalizada por meio de uma transferência bancária de R$ 600 mil. O vendedor foi representado por Donato Capabianco Galvez, autorizado a atuar em nome da empresa M. Locadora de Veículos e Transportes Turísticos Limitada.
Willer sustenta que o valor registrado na escritura não representa o custo total da operação, pois teria assumido aproximadamente R$ 3 milhões em débitos tributários relacionados à propriedade.
O terreno possui 1.435,50 metros quadrados, incluindo uma construção de 140 metros quadrados. A área também envolve direitos de ocupação de terrenos de marinha, o que acrescenta questões jurídicas à discussão sobre a titularidade e a posse do imóvel.

Richarlison afirma ter perdido imóvel após recusar proposta
O jogador afirma que adquiriu direitos sobre a propriedade em 2020 e investiu aproximadamente R$ 10 milhões na negociação. Segundo seu relato, Flávio Bolsonaro teria demonstrado interesse em comprar a mansão, mas a proposta não foi aceita.
Richarlison acusa o senador e Willer Tomaz de terem se beneficiado de uma manobra judicial que resultou na perda da posse do imóvel. Os dois negam as acusações.
Em publicações nas redes sociais, o atacante apresentou documentos relacionados à negociação e pediu uma investigação sobre as circunstâncias da disputa.
“Você mostrou os papéis que possui, e todos foram verificados pela Justiça. Eles provam uma coisa só: você comprou a ilha de invasores”, declarou Willer em resposta ao jogador.
Disputa chegou ao Superior Tribunal de Justiça
O conflito pela propriedade passou por diferentes instâncias judiciais. Em 2022, uma decisão determinou a reintegração de posse em favor da empresa ligada ao advogado.
O caso também chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que manteve, em junho de 2025, entendimento favorável à empresa de Willer.
Apesar das decisões judiciais sobre a posse, Richarlison continua questionando as circunstâncias da perda do imóvel e a atuação das pessoas envolvidas.
Flávio Bolsonaro nega qualquer participação irregular na negociação e afirma não possuir vínculo com a propriedade.

Polícia Federal deve incluir disputa em investigação
O caso também passou a despertar interesse da Polícia Federal. Segundo informações divulgadas na quinta-feira (22), a corporação pretende incluir a disputa pela mansão em um inquérito que já investiga as relações entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro.
O advogado é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis conexões com irregularidades envolvendo descontos em benefícios do INSS. Essas apurações não significam que as acusações relacionadas à mansão tenham sido comprovadas.
A inclusão do episódio na investigação deverá permitir a análise das circunstâncias da negociação e de eventuais relações entre os envolvidos.