Confederação Asiática muda de lado e declara apoio à reeleição de Infantino

Após criticar o presidente da Fifa por quebra de confiança, entidade que reúne 47 federações anuncia apoio a um novo mandato; eleição está marcada para março de 2027.
Redação NC News
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A Confederação Asiática de Futebol (AFC) anunciou nesta sexta-feira (23) apoio à reeleição de Gianni Infantino para a presidência da Fifa. A decisão representa uma mudança significativa na posição da entidade, que há apenas dois meses havia se unido às confederações da Europa e da América do Norte para criticar a gestão do dirigente suíço por uma quebra de confiança.

O anúncio aconteceu durante um congresso extraordinário da AFC, realizado em Tóquio, no Japão. O presidente da confederação asiática, xeque Salman bin Ibrahim al-Khalifa, declarou apoio público a Infantino e o abraçou diante dos representantes das federações presentes. O gesto marcou uma reaproximação depois de meses de divergências sobre decisões administrativas e financeiras da Fifa.

A mudança ocorre em um momento importante para o futuro da entidade máxima do futebol. A eleição presidencial está prevista para março de 2027, e a AFC reúne 47 associações nacionais, cujos votos podem ter peso relevante na disputa. Apesar do apoio anunciado, cada federação possui seu próprio voto, e ainda não há garantia de que todas seguirão a orientação da confederação.

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Confederação Asiática anuncia apoio a Infantino durante congresso no Japão

A declaração foi feita pelo xeque Salman bin Ibrahim al-Khalifa durante uma reunião extraordinária da Confederação Asiática de Futebol, realizada nesta sexta-feira, em Tóquio.

Diante dos representantes das associações nacionais, o dirigente manifestou apoio à continuidade de Gianni Infantino no comando da Fifa.

A manifestação foi acompanhada por um abraço público entre os dois dirigentes, gesto que simbolizou a retomada das relações após o período de tensão.

“Reafirmamos nosso compromisso total em apoiar você e sua liderança enquanto busca um novo mandato como presidente da Fifa.”

A declaração foi feita por Salman durante o congresso.

O dirigente asiático também destacou as visitas realizadas por Infantino a países do continente e afirmou ter conversado com representantes de diversas federações sobre o futuro da presidência da Fifa.

Salman reconheceu que nem todos os 47 integrantes da AFC necessariamente acompanharão sua posição, mas afirmou acreditar que a maioria compartilha do apoio anunciado.

Por que a Ásia havia rompido com Infantino?

A mudança chama atenção porque, em agosto, a Confederação Asiática havia adotado uma postura crítica em relação à gestão de Infantino.

Na ocasião, a AFC se juntou à União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) e à Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) para questionar decisões tomadas pela presidência da Fifa.

As três entidades acusaram Infantino de provocar uma quebra fundamental de confiança na administração do futebol mundial.

A crise começou após a apresentação de um projeto que previa a venda de participações em direitos comerciais relacionados à Copa do Mundo para investidores privados.

O plano, avaliado em aproximadamente US$ 4,2 bilhões, provocou críticas sobre transparência, participação das federações e concentração de poder na presidência da entidade.

Dirigentes de diferentes continentes questionaram a maneira como a proposta havia sido elaborada e apresentada.

A iniciativa acabou abandonada pela Fifa, mas as divergências continuaram, especialmente entre representantes do futebol europeu.

Infantino pediu desculpas por erros na gestão da Fifa

Na semana anterior ao congresso asiático, Gianni Infantino participou de uma reunião do Conselho da Fifa, em Zurique, na Suíça.

Durante o encontro, o presidente reconheceu erros relacionados à elaboração do projeto de comercialização de direitos da Copa do Mundo.

O pedido de desculpas foi apresentado aos integrantes do conselho, que reúne representantes de diferentes confederações.

A manifestação ocorreu após meses de questionamentos sobre a proposta e sobre os mecanismos de tomada de decisão dentro da organização.

Durante o congresso desta sexta-feira, Salman mencionou as divergências anteriores, mas indicou que as conversas recentes permitiram restabelecer o entendimento com Infantino.

O presidente da AFC afirmou que os problemas discutidos no passado não deveriam ser confundidos com a decisão sobre o próximo mandato presidencial.

A reaproximação foi recebida com aplausos pelos participantes do congresso.

Presidente da Fifa destaca aumento dos repasses às federações

Depois de receber o apoio da Confederação Asiática, Infantino discursou aos representantes das associações nacionais.

O dirigente voltou a reconhecer que sua gestão cometeu erros, mas também defendeu os resultados alcançados desde que assumiu a presidência da Fifa, em 2016.

Um dos principais argumentos apresentados foi o aumento dos recursos financeiros destinados às federações nacionais.

Segundo Infantino, antes de sua chegada ao comando da entidade, algumas associações recebiam aproximadamente US$ 1 milhão a cada quatro anos.

Ele afirmou que, a partir de janeiro de 2027, os repasses previstos chegarão a US$ 25 milhões por associação no período mencionado.

A declaração foi apresentada como exemplo da ampliação dos investimentos da Fifa no desenvolvimento do futebol em diferentes países.

O anúncio recebeu aplausos dos dirigentes presentes no congresso asiático.

Os valores citados representam a comparação feita pelo próprio presidente da Fifa durante seu discurso.

O que muda na eleição para presidente da Fifa em 2027?

O apoio da Confederação Asiática altera o cenário de alianças políticas dentro da Fifa.

A organização reúne 211 associações nacionais com direito a voto na eleição presidencial.

A AFC representa 47 dessas federações, o que corresponde a uma parcela importante do eleitorado.

Embora o presidente da confederação tenha anunciado apoio a Infantino, as associações nacionais não são obrigadas a seguir a mesma orientação.

A decisão final dependerá dos votos individuais registrados durante o congresso eleitoral.

A eleição está prevista para março de 2027, e o prazo para apresentação de candidaturas termina em 18 de novembro de 2026.

Até esta sexta-feira (23), nenhum adversário havia formalizado candidatura contra Infantino, segundo a reportagem.

O apoio asiático amplia a base de sustentação pública do dirigente, mas não representa sua reeleição antecipada.

Uefa continua cobrando mudanças na administração

Enquanto a Confederação Asiática decidiu apoiar Infantino, a Uefa mantém questionamentos sobre a condução administrativa e financeira da Fifa.

A entidade europeia tem cobrado explicações sobre o projeto abandonado de venda de direitos comerciais da Copa do Mundo.

Entre as principais reivindicações estão maior transparência, participação das federações nas decisões e revisão dos mecanismos de governança.

A Uefa também solicitou documentos e esclarecimentos sobre decisões tomadas durante a gestão de Infantino.

As divergências demonstram que o anúncio da AFC não encerra a crise institucional enfrentada pela Fifa.

A posição de outras confederações e federações nacionais continuará sendo importante para determinar como ocorrerá a eleição presidencial de 2027.

Próximos passos

O próximo prazo importante será 18 de novembro, data-limite para a apresentação de candidaturas à presidência da Fifa.

Até lá, federações e confederações deverão continuar discutindo suas posições sobre a eleição e as propostas de mudanças na administração da entidade.

A Uefa também aguarda respostas da Fifa sobre questionamentos relacionados à transparência financeira e aos processos internos de decisão.

A eleição presidencial está prevista para março de 2027, quando as 211 associações nacionais poderão participar da escolha do próximo presidente.

Por enquanto, Gianni Infantino permanece no comando da Fifa e recebeu uma manifestação formal de apoio da Confederação Asiática, que anteriormente havia criticado sua gestão.

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