Quem são os vices de Lula e Flávio Bolsonaro? Conheça os nomes por trás da disputa pelo Planalto

Geraldo Alckmin e Alfredo Gaspar têm trajetórias políticas distintas e ganharam espaço nas campanhas presidenciais; conheça a história, a experiência e a atuação de cada um na disputa pelo Planalto.
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A disputa pela Presidência da República em 2026 não envolve apenas Luiz Inácio Lula da Silva (PT)) e Flávio Bolsonaro (PL), mas também seus vices. Na reta final do segundo turno, marcado para domingo (25), os candidatos a vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB) e Alfredo Gaspar (PL), assumiram funções importantes nas campanhas. Mas quem são os vices de Lula e Flávio Bolsonaro? Qual é de fato a trajetória deles? Com história diferentes, os dois representam escolhas políticas que ajudam a explicar a composição das chapas e as estratégias adotadas para conquistar eleitores.

De um lado está Alckmin, atual vice-presidente da República, ex-governador de São Paulo e político com décadas de experiência em cargos executivos. Do outro, Alfredo Gaspar, deputado federal por Alagoas, ex-integrante do Ministério Público e ex-secretário estadual de Segurança Pública. Enquanto Alckmin tem sua trajetória associada à administração pública e à articulação política, Gaspar construiu parte de sua projeção na área de segurança e no enfrentamento à criminalidade.

A participação dos dois ganhou destaque nas últimas semanas de campanha. Segundo informações divulgadas em 15 de outubro, as equipes de Lula e Flávio passaram a organizar agendas específicas para seus vices, com atenção a regiões e segmentos do eleitorado considerados importantes para a disputa.

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Geraldo Alckmin: de adversário histórico do PT a vice de Lula

Lula e seu adversário em 2006, Geraldo Alckmin, se cumprimentam durante debate entre presidenciáveis — Foto: Reuters

Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho nasceu em 7 de novembro de 1952, em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. Formado em medicina, iniciou a carreira política ainda jovem e construiu uma trajetória que passou pelo Legislativo municipal, pela Câmara dos Deputados e pelo governo paulista.

Alckmin foi eleito vereador de Pindamonhangaba em 1972 e chegou à prefeitura do município em 1977. Posteriormente, exerceu mandatos como deputado estadual e deputado federal, consolidando sua atuação na política paulista.

Sua projeção nacional ocorreu principalmente durante os anos em que esteve à frente do governo de São Paulo. Ele assumiu o comando do estado em 2001, após a morte do então governador Mário Covas, de quem era vice. Foi eleito governador em 2002 e voltou ao cargo em 2011, permanecendo até 2018.

Durante grande parte de sua carreira, Alckmin esteve ligado ao PSDB, partido do qual foi uma das principais lideranças nacionais. Em 2006, disputou a Presidência da República contra Lula e chegou ao segundo turno, mas foi derrotado pelo petista. Também concorreu ao Planalto em 2018, quando não avançou para a etapa final da eleição.

A aproximação com Lula e a mudança de partido

A aliança entre Alckmin e Lula marcou uma mudança significativa na trajetória dos dois políticos. Depois de anos em campos adversários, eles passaram a integrar a mesma chapa presidencial em 2022.

Para participar da composição, Alckmin deixou o PSDB e ingressou no PSB. A aproximação foi construída em meio às negociações para formar uma frente política mais ampla na disputa presidencial daquele ano.

A escolha reuniu dois políticos que haviam protagonizado uma disputa nacional em 2006. Também aproximou setores partidários que, historicamente, estiveram em lados diferentes das eleições presidenciais.

Com a vitória da chapa em 2022, Alckmin assumiu a Vice-Presidência da República em janeiro de 2023. Ele também passou a comandar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, acumulando responsabilidades na administração federal.

À frente da pasta, sua atuação passou a envolver políticas industriais, relações com o setor produtivo, comércio e iniciativas voltadas ao desenvolvimento econômico.

O papel de Alckmin na campanha de 2026

Na campanha pela reeleição de Lula, Alckmin passou a receber maior espaço nas atividades políticas do segundo turno. Segundo integrantes da campanha petista avaliaram que a capacidade do vice-presidente de dialogar com eleitores moderados poderia ser mais explorada nesta etapa da disputa.

São Paulo aparece entre os principais focos dessa atuação. Ex-governador do estado, Alckmin mantém uma trajetória política ligada ao interior paulista, onde a campanha de Lula busca ampliar o diálogo com o eleitorado.

A estratégia também inclui contatos com prefeitos, lideranças regionais e representantes de setores econômicos. Nos bastidores, integrantes da campanha chegaram a discutir a possibilidade de sinalizar Alckmin para o Ministério da Fazenda em um eventual novo mandato de Lulal.

A presença de Alckmin na chapa, portanto, reúne sua experiência administrativa, o histórico de atuação em São Paulo e a aproximação política entre o PT e setores de centro.

Alfredo Gaspar: do Ministério Público à chapa de Flávio Bolsonaro

                 Alfredo Gaspar é anunciado como vice de Flávio Bolsonaro na chapa à Presidência / Crédito: Vittor Sales

Alfredo Gaspar de Mendonça Neto é deputado federal por Alagoas e candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro. Sua trajetória pública está ligada principalmente ao Ministério Público, à segurança pública e, mais recentemente, à atuação parlamentar. Antes de chegar à Câmara dos Deputados, Gaspar construiu carreira no Ministério Público de Alagoas, onde ocupou funções de destaque e chegou ao cargo de procurador-geral de Justiça.

Natural de Maceió, em Alagoas, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, de 56 anos, é advogado, ex-promotor de Justiça e deputado federal eleito em 2022. Formado em Direito pelo Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac), com pós-graduação em Direito Público, construiu sua trajetória profissional no Ministério Público de Alagoas, onde chegou ao cargo de procurador-geral de Justiça. Também comandou a Secretaria de Segurança Pública do estado entre 2015 e 2016. Filiado ao Partido Liberal (PL), tem como principais bandeiras políticas o endurecimento das penas para crimes violentos, o combate ao crime organizado e o fortalecimento das forças de segurança.

A experiência na instituição contribuiu para sua projeção política, especialmente em debates relacionados à criminalidade, ao funcionamento das instituições e à segurança pública. Gaspar também comandou a Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas, ampliando sua participação na administração estadual.

Em 2020, disputou a Prefeitura de Maceió, mas foi derrotado no segundo turno por JHC. Dois anos depois, foi eleito deputado federal por Alagoas, iniciando seu mandato na Câmara em 2023.

A trajetória no Congresso Nacional

                       Alfredo Gaspar foi o relator da proposta na CCJ – Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
                                                                                                   Fonte: Agência Câmara de Notícias

Na Câmara dos Deputados, Alfredo Gaspar passou a atuar em discussões relacionadas à segurança pública, à fiscalização do poder público e a investigações parlamentares. O deputado também ganhou visibilidade por sua participação em debates e procedimentos de investigação no Congresso, incluindo a CPMI do INSS, voltada à apuração de irregularidades envolvendo benefícios previdenciários.

Sua trajetória como integrante do Ministério Público e gestor da segurança pública passou a integrar a apresentação política de sua candidatura à Vice-Presidência. Na campanha presidencial, a experiência de Gaspar nessas áreas é utilizada para sustentar propostas relacionadas ao combate à criminalidade e à atuação do Estado na segurança.

Como Alfredo Gaspar chegou à chapa presidencial

A definição do vice de Flávio Bolsonaro foi precedida por discussões dentro do PL e entre aliados políticos. Em julho de 2026, a jornalista Denise Rothenburg, do Correio Braziliense, informou que a escolha seria conduzida pelo próprio Flávio, enquanto dirigentes partidários defendiam a indicação de alguém com experiência eleitoral e capacidade de mobilização política.

Naquele momento, nomes como os de Tereza Cristina e Daniela Marques apareciam nas discussões, mas a composição acabou sendo definida com Alfredo Gaspar, integrante do mesmo partido do candidato à Presidência. A escolha resultou em uma chapa formada exclusivamente por representantes do PL.

Além da identificação partidária, a presença de Gaspar incorporou à candidatura de Flávio Bolsonaro um político com atuação no Nordeste e experiência profissional na área de segurança pública.

A missão de Gaspar no Nordeste

Uma das principais tarefas atribuídas a Alfredo Gaspar no segundo turno é ampliar a presença da campanha de Flávio Bolsonaro no Nordeste. A região teve votação majoritária para Lula nos nove estados durante o primeiro turno. Por isso, a campanha do PL passou a intensificar atividades políticas e encontros com lideranças locais.

Natural de Alagoas, Gaspar participa de agendas regionais e busca apresentar as propostas da chapa a eleitores nordestinos. O deputado foi escalado para percorrer estados da região durante o segundo turno. Até 15 de outubro, havia realizado atividades em Alagoas, Sergipe e Pernambuco.

A participação do vice também inclui discursos sobre segurança pública, emprego, renda e problemas sociais enfrentados pela população. Entre as possibilidades discutidas por aliados de Flávio Bolsonaro está uma eventual indicação de Gaspar ao Ministério da Justiça, caso a chapa seja eleita. A informação, porém, permanece no campo das articulações políticas, sem anúncio oficial de nomeação.

Dois perfis diferentes na disputa pela Vice-Presidência

As trajetórias de Geraldo Alckmin e Alfredo Gaspar mostram diferenças importantes na formação das duas chapas presidenciais.

Alckmin chega à eleição com experiência acumulada no comando do governo paulista, em disputas presidenciais e na administração federal. Sua trajetória inclui a passagem por diferentes funções do Executivo e a participação em articulações partidárias nacionais.

Gaspar, por sua vez, reúne experiência no Ministério Público, na gestão estadual da segurança pública e no Congresso Nacional. Sua entrada na disputa presidencial ocorre após a eleição para deputado federal em 2022.

A diferença também aparece na composição partidária. Lula e Alckmin representam uma aliança entre PT e PSB, construída em 2022 e mantida na eleição de 2026. Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar integram o PL.

No segundo turno, os dois vices passaram a assumir agendas próprias, participando de atividades que complementam a atuação dos candidatos à Presidência.

O que faz um vice-presidente da República?

Embora a campanha eleitoral concentre grande parte da atenção nos candidatos à Presidência, o vice-presidente exerce uma função prevista na Constituição Federal. Sua principal atribuição é substituir o presidente em situações de impedimento temporário e sucedê-lo em caso de vacância definitiva do cargo.

Isso significa que o vice pode assumir a Presidência em circunstâncias como viagens que exijam substituição, afastamentos e outras hipóteses previstas na legislação. A Constituição também estabelece que o vice-presidente auxilia o presidente quando convocado para missões especiais, além de exercer atribuições que lhe sejam conferidas por lei complementar.

A experiência de Geraldo Alckmin no atual governo mostra que o ocupante da Vice-Presidência também pode acumular funções ministeriais, conforme as decisões administrativas do presidente.

O cargo, portanto, não se limita à participação na campanha ou à substituição eventual do chefe do Executivo.

O que está em jogo no segundo turno

A eleição de domingo (25) definirá não apenas quem ocupará a Presidência da República pelos próximos quatro anos, mas também quem exercerá a Vice-Presidência a partir de janeiro de 2027.

A chapa vencedora assumirá o mandato presidencial em 1º de janeiro, conforme o calendário constitucional. Até a votação, Alckmin e Gaspar seguem como integrantes das respectivas campanhas, com atuação política voltada à apresentação das propostas e à mobilização de eleitores.

Independentemente do resultado, a escolha dos vices revela aspectos da formação das alianças presidenciais e ajuda a compreender como cada candidatura organizou sua participação na disputa de 2026.

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