A popularização das canetas emagrecedoras, como Ozempic e Mounjaro, está provocando mudanças no consumo de roupas e acessórios nos Estados Unidos. Com a perda de peso, americanos estão procurando alfaiates, sapateiros e brechós para adaptar peças que deixaram de servir, em vez de gastar com um guarda-roupa novo. O movimento tem aquecido negócios especializados em ajustes de roupas, cintos e até calçados.
Uma pesquisa da plataforma de telemedicina Trimi, realizada com 737 adultos americanos que utilizam ou já utilizaram medicamentos da classe GLP-1, mostrou que 80% dos entrevistados adiaram a compra de roupas novas enquanto o corpo passava por mudanças. O tempo médio de espera foi de seis meses.
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A mudança ocorre em um mercado que cresce rapidamente. Segundo levantamento do instituto Gallup, divulgado em julho e atualizado em setembro de 2026, 11% dos adultos americanos utilizam medicamentos GLP-1 para perder peso. Em 2024, esse percentual era de 3%.
As informações sobre os efeitos no comércio foram reunidas em uma reportagem da agência Reuters, publicada na quinta-feira (22).
Americanos estão ajustando cintos e até calçados após emagrecer
A procura por serviços de costura e reparos cresceu entre consumidores que passaram a utilizar medicamentos para perda de peso. A Cobblers Direct, empresa que possui 25 lojas físicas no Texas e atende clientes de outras regiões dos Estados Unidos, registra crescimento anual de dois dígitos no serviço de redução de cintos.
Segundo o presidente-executivo da empresa, Stephen Kelly, a rede chega a encurtar 500 cintos por semana. Alguns clientes procuram os estabelecimentos com cinco ou seis peças de uma só vez.
Os pedidos não se limitam aos cintos. Consumidores também estão solicitando ajustes em calças, alças de bolsas e calçados.
Na Jim’s Cobbler Concierge, em Manhattan, o aumento dos pedidos levou os funcionários a apelidarem o serviço de adaptação de cintos de “belt-zempic”, uma referência ao Ozempic.
O diretor de relacionamento com clientes da empresa, CJ Burgos, relatou à Reuters que também houve aumento na procura por ajustes de sapatos de pessoas que perceberam mudanças no tamanho dos pés após emagrecer.
Pesquisa mostra que 90% tiveram problemas com jeans
O jeans está entre as peças que mais apresentam problemas de ajuste durante o emagrecimento. Na pesquisa da Trimi, 90% dos participantes relataram mudanças no caimento de peças jeans, enquanto 42% disseram que suas calças já não podiam ser utilizadas.
O levantamento também apontou que os entrevistados gastaram, em média, US$ 328 para renovar o guarda-roupa desde o início do tratamento.
Uma das consumidoras ouvidas pela Reuters foi Lorraine Scott, de 42 anos, moradora de Atlanta. Ela perdeu aproximadamente 27 quilos ao longo de um ano com medicamentos para emagrecer e gastou pelo menos US$ 300 para ajustar calças e jeans.
A americana decidiu preservar suas peças favoritas e evitar a compra de um guarda-roupa completo enquanto seu peso continuava variando.
Os resultados da Trimi foram obtidos por meio de uma pesquisa online com usuários atuais e antigos de medicamentos GLP-1. Portanto, não representam necessariamente o comportamento de todos os americanos que utilizam esses produtos.
Brechós também ganham clientes com popularização das canetas
O mercado de roupas usadas também começou a sentir os efeitos da popularização dos medicamentos para emagrecimento. Consumidores que precisam trocar o tamanho das peças, mas não querem investir em roupas novas, estão recorrendo a brechós, plataformas de revenda e redes de descontos.
Na ThredUp, plataforma americana de roupas usadas, 43% dos clientes que começaram comprando jeans com medidas de cintura acima do tamanho 28 passaram a adquirir peças menores, segundo Alon Rotem, diretor de estratégia da companhia.
Outra empresa que está adaptando seus produtos é a Stitch Fix, especializada em consultoria de estilo e venda de roupas pela internet.
A companhia passou a oferecer mais opções com tamanhos ajustáveis e tecidos elásticos. Segundo o presidente-executivo Matt Baer, pelo menos 20% dos novos clientes da empresa utilizam medicamentos GLP-1 e procuram ajuda para encontrar roupas adequadas às mudanças de medidas.
Medicamentos também estão mudando os gastos das famílias
As alterações no consumo de roupas acontecem em meio ao aumento das despesas com medicamentos para perda de peso nos Estados Unidos.
De acordo com a Reuters, parte dos consumidores está buscando alternativas mais econômicas porque precisa arcar com custos maiores dos tratamentos, enquanto empregadores americanos reduzem a cobertura desses medicamentos em planos de saúde.
A combinação entre perda de peso, roupas que deixam de servir e despesas com o tratamento ajuda a explicar o crescimento dos serviços de ajustes e do comércio de segunda mão.
Os dados disponíveis se referem ao mercado americano. Ainda não há informações suficientes para afirmar que o mesmo movimento ocorre na mesma proporção no Brasil.