A comercialização de laranja destinada à indústria de suco enfrenta um período de baixa demanda no Brasil. Com as processadoras reduzindo as compras no mercado à vista e priorizando contratos já firmados, os preços pagos aos produtores perderam força nas últimas semanas.
Segundo levantamento divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, na sexta-feira (23), a combinação de estoques elevados de suco e menor rendimento industrial da fruta tem influenciado as estratégias das empresas. O cenário reduz as oportunidades de negociação para citricultores que dependem de vendas fora dos contratos de fornecimento.
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Indústrias diminuem compras no mercado à vista
As indústrias de processamento estão concentradas no recebimento e na utilização de frutas adquiridas por meio de contratos negociados anteriormente.
Com isso, o chamado mercado spot, no qual as transações ocorrem sem contratos prévios de fornecimento, apresenta menor movimentação.
A redução da procura limita as possibilidades de venda para produtores que ainda possuem laranjas disponíveis e contribui para a pressão sobre as cotações.
Caixa da laranja é negociada a R$ 27,65
O indicador Cepea/Esalq registrou, na sexta-feira (23), cotação de R$ 27,65 por caixa de 40,8 quilos de laranja destinada à indústria, com valorização diária de 0,8%.
Apesar da recuperação pontual, o preço permanece abaixo dos R$ 29,62 registrados em 9 de outubro.
A diferença representa uma desvalorização aproximada de 6,7% em duas semanas, indicando o enfraquecimento das cotações no período.
Menor rendimento da fruta altera produção de suco
Outro fator que influencia o comportamento das processadoras é o rendimento da laranja durante a fabricação do suco.
De acordo com a equipe Hortifrúti/Cepea, parte das indústrias tem priorizado a produção de suco NFC, sigla em inglês para Not From Concentrate, que significa suco não concentrado.
A preferência ocorre em detrimento do FCOJ, sigla para Frozen Concentrated Orange Juice, produto concentrado e congelado que passa por um processo de retirada de água.
O menor rendimento industrial da fruta tem levado as empresas a ajustar suas estratégias de processamento, influenciando também o ritmo das aquisições.
Estoques elevados pressionam os preços
Além do rendimento da fruta, a quantidade de suco armazenado pelas indústrias contribui para a redução das compras.
Com estoques elevados, as empresas apresentam menor necessidade de adquirir novos lotes imediatamente.
Segundo o Cepea, a combinação entre maior disponibilidade de suco e menor rendimento da matéria-prima tem provocado uma reavaliação das estratégias comerciais e produtivas das processadoras.
Esse comportamento reduz a demanda no mercado à vista e dificulta a recuperação das cotações.
Produtores enfrentam dificuldades para negociar
Para os citricultores, a menor procura industrial representa um desafio adicional no planejamento das vendas.
Produtores que não possuem contratos de fornecimento podem enfrentar dificuldades para encontrar compradores ou negociar valores considerados satisfatórios.
A pressão sobre os preços também pode comprometer a margem de rentabilidade das propriedades, especialmente diante das despesas com fertilizantes, defensivos, mão de obra e manutenção dos pomares.
A intensidade dos efeitos varia conforme o custo de produção, o volume disponível e as condições comerciais de cada propriedade.
O que pode mudar o cenário da citricultura?
A recuperação das cotações dependerá do comportamento da demanda industrial, da evolução dos estoques de suco e do rendimento das frutas destinadas ao processamento.
Uma retomada das compras no mercado à vista poderia ampliar as oportunidades de negociação para os produtores.
Por outro lado, a manutenção dos estoques elevados e a concentração das operações em contratos anteriores podem prolongar a pressão sobre os preços.
O setor acompanha as próximas semanas para avaliar se haverá mudanças no ritmo das aquisições industriais e na remuneração da laranja.