Paraíba fica três meses sem feminicídios, mas registra recorde de tentativas em 2026

Estado não contabilizou assassinatos por razões de gênero entre julho e setembro, mas registrou oito tentativas somente no último mês analisado.
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A Paraíba completou três meses consecutivos sem registros de feminicídio em 2026. Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, nenhuma mulher foi assassinada por razões de gênero nos meses de julho, agosto e setembro. Apesar do resultado, o estado registrou oito tentativas de feminicídio em setembro, o maior número mensal contabilizado neste ano.

O levantamento, divulgado no sábado (24), mostra que a ausência de novos feminicídios consumados não significa o fim da violência contra as mulheres. Entre janeiro e setembro, a Paraíba acumulou 19 assassinatos classificados como feminicídio e 33 tentativas do mesmo crime.

Na comparação com 2025, os registros de mortes apresentam redução. Nos primeiros seis meses do ano passado, 25 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado, contra 19 no mesmo período de 2026. Os dados, entretanto, reforçam a necessidade de acompanhar também as tentativas de assassinato e outras formas de violência de gênero.

Feminicídios caem no Brasil, mas tentativas aumentam e chegam a 12 por dia

Paraíba registra 19 feminicídios nos primeiros nove meses de 2026

De acordo com os dados oficiais, os 19 feminicídios registrados no estado ocorreram durante o primeiro semestre. Julho, agosto e setembro terminaram sem novas ocorrências contabilizadas nessa categoria.

Junho foi o mês mais violento, com cinco mulheres assassinadas por razões de gênero. Janeiro e março aparecem na sequência, com quatro registros cada.

João Pessoa concentrou o maior número de feminicídios no primeiro semestre, com cinco casos. Conceição registrou duas ocorrências.

Também foram contabilizados assassinatos em Arara, Baía da Traição, Belém, Bonito de Santa Fé, Desterro, Emas, Guarabira, Itapororoca, Lagoa Seca, Monteiro, Piancó e Sertãozinho, com um registro em cada município.

Os números representam os casos oficialmente classificados como feminicídio e podem sofrer atualizações conforme o andamento de investigações e a revisão dos registros policiais.

Tentativas de feminicídio chegam a 33 casos

Enquanto os feminicídios consumados deixaram de ser registrados nos últimos três meses analisados, as tentativas de assassinato de mulheres por razões de gênero continuaram acontecendo.

Entre janeiro e setembro, foram contabilizadas 33 tentativas de feminicídio na Paraíba.

Setembro apresentou o maior número mensal do ano, com oito ocorrências. Em agosto, foram registrados quatro casos.

No primeiro semestre, junho já havia apresentado um número elevado, com sete tentativas.

João Pessoa também aparece entre os municípios com maior quantidade de registros, somando cinco tentativas de feminicídio.

Outras ocorrências foram registradas em cidades como Cabedelo, Campina Grande, Monteiro, Bayeux, Cajazeiras, Sousa e Pombal.

O crescimento das tentativas em determinados períodos demonstra que a análise da violência contra as mulheres não pode considerar apenas os assassinatos consumados.

Estado registrou recorde de feminicídios em 2025

A redução observada em 2026 ocorre depois de um ano marcado por números elevados de violência contra as mulheres na Paraíba.

Em 2025, o estado registrou 36 feminicídios, igualando o maior número da série histórica, alcançado em 2019.

O total também representou crescimento de aproximadamente 38% em relação a 2024.

O feminicídio é caracterizado pelo assassinato de uma mulher por razões relacionadas à sua condição de gênero, incluindo situações de violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação contra mulheres.

Desde 2024, a legislação brasileira estabelece pena de 20 a 40 anos de reclusão para o crime, que passou a ser tratado como delito autônomo no Código Penal.

Brasil também registra queda nas mortes e aumento das tentativas

O cenário da Paraíba acompanha uma tendência observada nos dados nacionais de 2026.

Entre janeiro e setembro, o Brasil contabilizou 1.082 vítimas de feminicídio, uma redução de 4,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Entretanto, as tentativas de feminicídio cresceram 10,4%, chegando à média de aproximadamente 12 ocorrências por dia em todo o país.

Os números mostram que a redução dos assassinatos consumados não representa necessariamente uma diminuição proporcional de todas as formas de violência contra as mulheres.

A identificação de ameaças, agressões e comportamentos violentos antes de episódios mais graves é considerada uma parte importante das estratégias de prevenção.

Como denunciar violência contra a mulher?

Mulheres em situação de violência podem procurar atendimento e orientação por meio da Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180.

O serviço funciona gratuitamente e recebe denúncias, além de oferecer informações sobre direitos e serviços de proteção.

Em situações de emergência, quando existe risco imediato à integridade física da vítima, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.

Também é possível registrar denúncias junto à Polícia Civil, pelo telefone 197, ou procurar uma delegacia especializada no atendimento à mulher.

As denúncias podem contribuir para a identificação de agressores e para a adoção de medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.

Próximos passos

Os dados de outubro ainda deverão ser incorporados aos levantamentos oficiais, permitindo avaliar se a sequência de meses sem feminicídios consumados continuará na Paraíba.

O acompanhamento das tentativas de assassinato, das denúncias de violência doméstica e da aplicação de medidas protetivas será fundamental para compreender a evolução dos indicadores no estado.

Embora os três meses sem mortes representem uma mudança importante nos registros de 2026, as 33 tentativas de feminicídio contabilizadas até setembro demonstram que a violência de gênero permanece como um desafio para a segurança pública.

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