O Amapá ultrapassou a marca de mil focos de incêndio em 2026, com 1.027 registros entre 1º de agosto e esta segunda-feira (26 de outubro), segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgados pelo governo estadual. A situação preocupa as autoridades, principalmente pelas queimadas às margens da BR-156, uma das principais rodovias do estado.
Os municípios de Tartarugalzinho, Calçoene e Oiapoque estão entre os mais afetados. A vegetação seca e os ventos favorecem a propagação das chamas, enquanto a fumaça compromete a visibilidade nas estradas e aumenta o risco de acidentes. Diante do cenário, o estado mantém ações de prevenção, fiscalização e combate aos incêndios florestais.
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BR-156 concentra preocupação com avanço das queimadas
A BR-156 está entre os trechos mais críticos monitorados pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amapá. A rodovia atravessa diferentes regiões do estado e é uma importante ligação entre municípios, incluindo localidades do norte amapaense.
De acordo com os bombeiros, a presença de vegetação seca às margens da estrada facilita o avanço dos incêndios, especialmente em áreas de cerrado. A combinação entre material combustível, altas temperaturas, estiagem e ventos intensifica o risco de propagação das chamas.
Além da BR-156, as autoridades registram ocorrências próximas à BR-210, conhecida como Perimetral Norte, à AP-070 e à Rodovia do Centenário (AP-433).
O Corpo de Bombeiros alerta que a fumaça pode surgir repentinamente em determinados trechos, reduzindo a visibilidade e dificultando a reação dos motoristas.
Tartarugalzinho, Calçoene e Oiapoque estão entre os municípios mais afetados
Segundo o tenente-coronel Izidio Júnior, do Corpo de Bombeiros, a concentração de focos de incêndio em municípios do centro-norte do Amapá exige atenção das equipes de emergência.
Tartarugalzinho, Calçoene e Oiapoque aparecem entre as localidades com maior incidência de ocorrências neste período de estiagem.
Os órgãos ambientais utilizam sistemas de monitoramento por satélite para identificar focos de calor e orientar as ações de fiscalização e combate.
As informações também podem ser cruzadas com registros territoriais, permitindo identificar áreas atingidas e direcionar as equipes aos pontos considerados prioritários.
Amapá decretou situação de emergência por causa da estiagem
O governador Clécio Luís decretou situação de emergência em todo o Amapá em 16 de outubro, diante do agravamento da seca, do aumento dos incêndios florestais e da redução do nível dos rios.
O decreto tem validade de 180 dias e permite reforçar medidas de assistência humanitária, abastecimento de água e proteção às comunidades afetadas.
O governo estadual relaciona o agravamento das condições de estiagem à influência do fenômeno climático El Niño, que pode favorecer períodos mais secos em determinadas regiões.
Além dos impactos ambientais, a situação preocupa moradores de áreas rurais e ribeirinhas, que podem enfrentar dificuldades de deslocamento e acesso a serviços essenciais.
Uso do fogo está proibido até 30 de novembro
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) prorrogou até 30 de novembro de 2026 a proibição do uso do fogo no Amapá.
A medida busca reduzir a ocorrência de novas queimadas durante o período mais crítico da estiagem.
A população deve evitar a queima de lixo, terrenos, quintais e vegetação seca. O uso inadequado do fogo pode provocar incêndios de grandes proporções, principalmente em locais onde há acúmulo de capim seco.
O Corpo de Bombeiros também alerta para a possibilidade de incêndios provocados por ação humana. Entretanto, a origem de cada ocorrência depende de apuração específica.
Operação Amapá Verde intensifica prevenção e combate aos incêndios
As ações de enfrentamento às queimadas são realizadas por meio da Operação Amapá Verde 2026, que reúne atividades de prevenção, combate e fiscalização ambiental.
As equipes atuam em municípios considerados vulneráveis, entre eles Tartarugalzinho, Amapá, Calçoene, Mazagão, Laranjal do Jari, Ferreira Gomes, Pedra Branca do Amapari, Itaubal, Porto Grande e Vitória do Jari.
A Secretaria de Meio Ambiente também realiza campanhas educativas nos 16 municípios amapaenses, com orientações sobre os riscos das queimadas e a importância da participação da população.
O trabalho inclui monitoramento das áreas atingidas, ações de fiscalização e atendimento a ocorrências comunicadas pelos moradores.
Como dirigir com segurança em trechos atingidos pela fumaça?
O Corpo de Bombeiros orienta que os motoristas redobrem os cuidados ao encontrar fumaça nas rodovias, especialmente durante o período de estiagem.
- Reduza a velocidade ao perceber fumaça próxima à pista;
- Mantenha os faróis baixos acesos para melhorar a visibilidade do veículo;
- Aumente a distância em relação aos veículos à frente;
- Evite ultrapassagens e freadas bruscas;
- Não atravesse áreas com fumaça densa quando a visibilidade estiver comprometida;
- Acione o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 ao identificar focos de incêndio.
Ao comunicar uma ocorrência, é importante informar a rodovia, o trecho aproximado e pontos de referência que ajudem as equipes a localizar o incêndio.
Monitoramento continua durante período de maior risco
Com mais de mil focos registrados desde agosto, o Amapá mantém o acompanhamento das condições climáticas e das áreas com maior concentração de queimadas.
A expectativa das autoridades é reduzir novos registros por meio das restrições ao uso do fogo, da fiscalização ambiental e da atuação das equipes de combate.
Enquanto persistirem as condições de estiagem, a orientação é que moradores e motoristas evitem práticas que possam iniciar incêndios e comuniquem rapidamente qualquer ocorrência.