O escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) parabenizou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela reeleição à Presidência da República nesta segunda-feira (26), mas voltou a criticar a possibilidade de um quarto mandato do petista. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que a permanência prolongada de um presidente no poder dificulta a renovação política.
Apesar das críticas, Cury ressaltou que o resultado das eleições deve ser respeitado e reconheceu que a reeleição é permitida pelas regras atuais. A manifestação foi publicada um dia após o segundo turno presidencial.
“Cumprimento o presidente Lula pela vitória e respeito o resultado das urnas. Mantenho minha posição contra a reeleição, porque um quarto mandato dificulta a renovação de ideias, projetos e equipes. Mas a regra está vigente e a democracia está acima de tudo”, escreveu.
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Escritor defende renovação na política
A crítica de Augusto Cury à reeleição não é nova. Durante a campanha presidencial de 2026, o escritor defendeu que presidentes cumpram apenas um mandato, para permitir que outras lideranças assumam o governo.
Na avaliação de Cury, a permanência prolongada de uma mesma pessoa na Presidência pode dificultar a chegada de novas ideias, projetos e equipes à administração pública. A posição faz parte das propostas que apresentou durante sua candidatura pelo Avante.
O escritor também defendeu pautas relacionadas à educação, à saúde, à proteção de mulheres e crianças e à pacificação nacional. Sua crítica ao quarto mandato de Lula está ligada à defesa de mudanças nas regras de reeleição presidencial.
Qual foi a posição de Cury no segundo turno?
Augusto Cury terminou o primeiro turno das eleições presidenciais na terceira colocação. No segundo turno, declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL), após negociar compromissos públicos relacionados a propostas que havia defendido durante a campanha.
Entre os pontos apresentados estavam o fim da reeleição presidencial, a ampliação da educação integral e do ensino técnico, a valorização dos professores e a expansão da telemedicina integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Após a vitória de Lula, Cury parabenizou o presidente eleito para um novo mandato, mas manteve sua posição contrária à possibilidade de reeleição. A manifestação não altera o apoio que havia declarado a Flávio Bolsonaro durante a disputa eleitoral.
O que diz a regra atual sobre a reeleição?
A Constituição Federal permite que presidente da República, governadores e prefeitos disputem uma reeleição consecutiva para o mesmo cargo. Dessa forma, Lula poderá iniciar um quarto mandato presidencial em janeiro de 2027, após já ter governado o país entre 2003 e 2010 e retornado à Presidência em 2023.
O fim da reeleição exigiria mudanças nas regras constitucionais, que precisariam ser discutidas e aprovadas pelo Congresso Nacional. A declaração de Cury expressa, portanto, uma posição política sobre o modelo atual, e não uma alteração já implementada na legislação.
Entenda o contexto
A eleição presidencial de 2026 foi marcada pela disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro e por debates sobre continuidade, renovação política e os rumos do país. Cury participou da corrida presidencial pelo Avante, apresentou propostas próprias e, após ficar fora do segundo turno, declarou apoio ao candidato do PL.
Com a vitória de Lula, o escritor reconheceu o resultado eleitoral, mas reiterou sua defesa do fim da reeleição. A publicação reúne, assim, duas posições: o respeito à decisão dos eleitores e a crítica à possibilidade de um mesmo presidente permanecer no cargo por quatro mandatos.