Brasil registra quase 2 mil denúncias de assédio eleitoral no trabalho durante as eleições de 2026

Minas Gerais aparece como o segundo estado com mais registros no país, com 212 denúncias; ameaças de demissão, constrangimentos e pressão sobre o voto estão entre as práticas investigadas
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O Brasil registrou 1.939 denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho durante as eleições de 2026, segundo balanço do Ministério Público do Trabalho (MPT). Os dados, atualizados até o encerramento do segundo turno, no domingo (25), incluem relatos de ameaças, constrangimentos e tentativas de interferência na escolha política de trabalhadores.

Minas Gerais terminou o período eleitoral como o segundo estado com maior número de denúncias, com 212 registros. No encerramento do primeiro turno, em 4 de outubro, eram 110 casos no estado, o que representa um aumento de aproximadamente 93% entre as duas votações.

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Em todo o país, o número de denúncias passou de 991 no primeiro turno para 1.939 ao término das eleições. Apesar do crescimento entre as etapas da votação, o total nacional ficou abaixo do registrado nas eleições presidenciais de 2022, quando o MPT recebeu mais de 3,3 mil denúncias.

O assédio eleitoral ocorre quando empregadores, superiores hierárquicos ou outras pessoas utilizam relações de trabalho para pressionar funcionários a apoiar determinado candidato ou manifestar uma posição política.

Entre os exemplos estão ameaças de demissão, redução salarial, rebaixamento de cargo, promessas de benefícios e exigências de participação em atividades de campanha.

Minas Gerais registra casos de pressão política dentro de empresas

Em Minas Gerais, o Ministério Público do Trabalho identificou situações que levaram à abertura de ações judiciais durante a campanha eleitoral.

Em Bom Despacho, no Centro-Oeste mineiro, uma fábrica de calçados foi alvo de uma ação após denúncia sobre a realização de um ato de campanha dentro do estabelecimento. A Justiça determinou a interrupção de atividades político-eleitorais nas dependências da empresa.

Outro caso ocorreu em Belo Horizonte, onde uma empresa de locações e transportes divulgou uma promessa de folga aos funcionários condicionada à vitória de um candidato à Presidência da República.

Após receber uma recomendação do MPT para retirar a publicação das redes sociais, a empresa respondeu ao órgão com a frase “O crime compensa”. A Justiça determinou a remoção do conteúdo e proibiu novas condutas destinadas a influenciar a escolha política dos empregados.

Em Capinópolis, no Triângulo Mineiro, trabalhadores de um supermercado foram orientados a substituir o uniforme vermelho por camisetas da Seleção Brasileira durante o fim de semana do primeiro turno. O caso também resultou em uma decisão judicial para impedir interferências na liberdade política dos funcionários.

Por que as denúncias de assédio eleitoral aumentaram?

O Ministério Público do Trabalho avalia que parte do crescimento das denúncias pode estar relacionada à maior conscientização dos trabalhadores sobre seus direitos. Em setembro de 2026, o órgão havia registrado aproximadamente 550 denúncias, contra 68 no mesmo mês de 2022, um crescimento superior a 700%.

Segundo o procurador do Trabalho Igor Sousa Gonçalves, coordenador nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho, a polarização política e as campanhas de conscientização podem ajudar a explicar esse aumento.

O crescimento dos registros, portanto, não significa necessariamente que o número real de episódios tenha aumentado na mesma proporção.

Para agilizar a apuração, o MPT também passou a utilizar inteligência artificial para organizar as denúncias, identificar registros relacionados a uma mesma empresa e classificar os tipos de irregularidade relatados.

Assédio eleitoral pode ser denunciado depois das eleições?

Mesmo após a votação, trabalhadores que sofrerem ameaças ou represálias relacionadas às suas preferências políticas podem procurar o Ministério Público do Trabalho.

O órgão informou que continuará acompanhando possíveis situações de discriminação, demissões e constrangimentos motivados pelo resultado eleitoral.

As denúncias podem ser apresentadas de forma anônima pelo site oficial do Ministério Público do Trabalho. Mensagens, áudios, documentos e outros registros podem ajudar na apuração dos fatos.

As investigações podem resultar em recomendações, termos de ajustamento de conduta, ações civis públicas e determinações judiciais. Dependendo do caso, as empresas também podem ser responsabilizadas por danos morais coletivos.

 

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