Um homem de 39 anos foi preso temporariamente na manhã desta quarta-feira (28), suspeito de matar o companheiro de 21 anos, encontrado morto dentro da banheira de um motel na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. A Polícia Civil investiga se a morte, ocorrida em 1º de outubro, foi provocada para permitir o recebimento de indenizações de seguros de vida que poderiam alcançar milhões de reais.
O suspeito, identificado como Fernando Curti Tavares, era casado com a vítima desde junho deste ano, segundo a investigação. Os policiais descobriram que o jovem possuía mais de três apólices de seguro de vida, com valores entre R$ 2 milhões e R$ 10 milhões. Fernando era o único beneficiário e teria acionado os seguros poucas horas depois da morte.
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Prisão ocorre após investigação apontar indícios de homicídio
A prisão foi realizada após o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) reunir elementos que colocaram em dúvida a versão inicialmente apresentada pelo suspeito.
O pedido de prisão temporária havia sido encaminhado à Justiça em 15 de outubro. A medida foi cumprida nesta quarta-feira, depois de os investigadores identificarem indícios de homicídio doloso, além de suspeitas de destruição de provas e risco de fuga.
A Polícia Civil também solicitou buscas no endereço do investigado e a extração de dados de equipamentos eletrônicos que possam ajudar a esclarecer a ocorrência.
A prisão é uma medida cautelar e não representa condenação. A responsabilidade criminal do suspeito ainda depende da conclusão das investigações e da análise judicial.
Seguros de vida milionários chamaram a atenção da polícia
Um dos principais pontos da investigação envolve os seguros de vida contratados em nome do jovem.
Segundo os registros policiais, foram identificadas mais de três apólices, com valores que variavam de R$ 2 milhões a R$ 10 milhões. Os contratos também possuíam cláusulas que previam o pagamento em dobro em determinadas situações de morte acidental.
Fernando Curti Tavares aparecia como único beneficiário das apólices e, conforme a investigação, teria procurado as seguradoras poucas horas depois da constatação da morte.
Para os investigadores, a existência dos contratos e a rapidez com que os seguros teriam sido acionados são elementos relevantes para apurar uma possível motivação financeira.
Não há confirmação de que qualquer indenização tenha sido efetivamente paga.
O que aconteceu dentro do motel?
O caso ocorreu em um motel localizado na Avenida Marquês de São Vicente, na Barra Funda.
De acordo com os registros policiais, o casal chegou ao estabelecimento por volta das 22h de 30 de setembro. Fernando teria contratado uma pernoite e permanecido com o companheiro na suíte.
Em seu relato inicial, o investigado afirmou que os dois tiveram uma relação sexual dentro da banheira de hidromassagem.
Depois, segundo a versão apresentada à polícia, ele teria descido para tomar banho em outro ambiente da suíte, que possuía dois pavimentos.
Fernando declarou que retornou aproximadamente 20 minutos depois e encontrou o jovem desacordado na banheira.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas a morte foi constatada no local.
Inicialmente, a ocorrência foi tratada como uma possível morte acidental. Com o avanço da investigação, porém, os policiais passaram a considerar a hipótese de homicídio.
Estrutura da suíte colocou versão do suspeito em dúvida
Durante a reconstituição das circunstâncias do caso, os investigadores observaram características da suíte que, segundo a polícia, não correspondiam integralmente à narrativa do acompanhante.
A banheira ficava em um mezanino separado por uma estrutura de vidro. Conforme a apuração policial, era possível visualizar o local a partir da porta do banheiro onde Fernando afirmou ter permanecido.
Esse detalhe levantou dúvidas sobre a alegação de que o suspeito não teria percebido o que acontecia com o companheiro durante o período em que esteve afastado.
Os policiais também analisam os horários de entrada no estabelecimento, os relatos prestados e outros elementos reunidos na investigação.
Laudo aponta lesões incompatíveis com afogamento acidental
O laudo necroscópico inicial indicou afogamento como causa da morte do jovem.
Entretanto, a perícia identificou outros elementos que levaram os investigadores a questionar a possibilidade de acidente.
Entre os achados estão lesões nas mãos, nos dedos e nos antebraços, consideradas possíveis marcas de defesa, além de ferimentos na cavidade oral e infiltrações hemorrágicas profundas na região do pescoço.
Outro ponto analisado é a profundidade da banheira, inferior a 70 centímetros.
A principal hipótese investigada é que a vítima tenha sofrido violência física e compressão no pescoço antes de ser mantida submersa.
Esses elementos sustentaram o pedido de prisão temporária, mas a dinâmica exata da morte ainda será objeto de apuração.
Suspeito teria apagado dados do próprio celular
A investigação também identificou uma atitude considerada suspeita durante o atendimento inicial da ocorrência.
Segundo os registros policiais, Fernando teria restaurado o próprio celular às configurações de fábrica ao descobrir que o aparelho seria apreendido.
O procedimento pode apagar informações armazenadas no dispositivo, incluindo registros de mensagens e outros dados que poderiam interessar aos investigadores.
A Polícia Civil considera esse comportamento relevante para apurar a possibilidade de destruição de provas.
A análise dos equipamentos eletrônicos e de eventuais registros recuperados poderá contribuir para esclarecer a sequência dos acontecimentos.
Mãe da vítima desconhecia casamento e seguros
Durante as investigações, a mãe do jovem foi ouvida pela Polícia Civil.
Em depoimento, ela afirmou que não tinha conhecimento do relacionamento amoroso entre o filho e Fernando, nem do casamento que, segundo os investigadores, havia ocorrido em junho.
A mulher também declarou desconhecer a existência das apólices de seguro de vida contratadas em nome do filho.
O depoimento passou a integrar o conjunto de informações analisadas pelo DHPP para compreender o contexto da relação e as circunstâncias anteriores à morte.
O que acontece agora com a investigação?
Com a prisão temporária de Fernando Curti Tavares, a Polícia Civil poderá aprofundar as diligências relacionadas à morte do jovem.
Os investigadores pretendem analisar documentos dos seguros de vida, informações bancárias pertinentes ao caso, equipamentos eletrônicos e resultados dos exames periciais.
Também deverão confrontar os depoimentos já prestados com as evidências obtidas na suíte do motel.
A investigação busca esclarecer se houve homicídio, como a morte teria ocorrido e se existiu uma motivação financeira relacionada às apólices.
Até esta quarta-feira (28), não havia informação de condenação ou conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal do investigado.