O comércio de flores e plantas ornamentais se prepara para o Dia de Finados, celebrado na próxima segunda-feira, 2 de novembro, com expectativa de crescimento nas vendas. Segundo o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), a comercialização desses produtos deve aumentar 5,2% em 2026, na comparação com o ano passado, considerando o mercado nacional.
Em Minas Gerais, a proximidade do feriado também movimenta floriculturas, produtores e vendedores que trabalham nas entradas dos cemitérios. A expectativa nacional, porém, ainda não pode ser considerada uma previsão específica para o estado. Em Belo Horizonte, comerciantes relataram dificuldades nas vendas no ano passado, enquanto os consumidores encontram flores mais caras em 2026.
Flores ficam até 38% mais caras em Belo Horizonte
O consumidor que pretende comprar flores para homenagear familiares e amigos deverá pesquisar os preços. Levantamento do site Mercado Mineiro, divulgado em 26 de outubro, identificou aumentos expressivos em produtos comercializados em Belo Horizonte e na Região Metropolitana (RMBH).
O arranjo plantado de gérberas apresentou uma das maiores altas. O preço médio passou de R$ 136,58, em outubro de 2025, para R$ 189,02 neste ano, um aumento de 38,39%.
O buquê com uma dúzia de rosas também ficou mais caro, com reajuste de 18,66%. O valor médio subiu de R$ 191,85 para R$ 227,64.
As diferenças entre estabelecimentos também chamam a atenção. Na pesquisa, um arranjo de gérberas foi encontrado por valores entre R$ 94,90 e R$ 299,90, enquanto o buquê com 12 rosas variou de R$ 129,90 a R$ 312,90.
Nem todos os produtos registraram aumentos. A dúzia de palmas, por exemplo, ficou 23,53% mais barata, passando de R$ 39,10 para R$ 29,90, em média.
Floriculturas de BH enfrentam concorrência de supermercados
Apesar da previsão nacional de crescimento, o comércio de flores em Belo Horizonte enfrenta mudanças no comportamento dos consumidores.
Em outubro de 2025, comerciantes ouvidos pelo Diário do Comércio relataram redução no movimento das floriculturas tradicionais, principalmente pela concorrência com supermercados e vendedores instalados próximos aos cemitérios.
Na ocasião, Luciana Lima, gerente de vendas da Floricultura Bela Vista, localizada no bairro Aparecida, na região Noroeste da capital, afirmou que as vendas estavam abaixo das expectativas.
Já Maria Aparecida Silva, proprietária da Camila Flores, no bairro Padre Eustáquio, relatou uma redução gradual da procura por vasos durante o Dia de Finados. Segundo ela, a facilidade de encontrar flores em supermercados e nas entradas dos cemitérios mudou os hábitos de compra.
Para enfrentar a concorrência, alguns estabelecimentos passaram a investir em arranjos personalizados e buquês elaborados, produtos menos comuns nas redes supermercadistas.
Os relatos mostram que o crescimento projetado nacionalmente pelo Ibraflor não significa, necessariamente, aumento das vendas para todas as floriculturas mineiras.
Comércio de flores terá vendedores autorizados em cidades mineiras
Em Minas Gerais, prefeituras organizaram espaços específicos para a venda de flores durante o feriado.
Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, a prefeitura autorizou 99 comerciantes a atuar nos cemitérios municipais, sendo 73 no Campo do Bom Pastor e 26 no São Pedro. Os espaços poderão comercializar flores, velas, água e refrigerantes.
Em Araguari, também no Triângulo, foram disponibilizadas 40 vagas para a venda de flores e arranjos na entrada do Cemitério Bom Jesus.
Já em Araxá, no Alto Paranaíba, a administração municipal ofereceu 23 vagas para comerciantes, distribuídas entre os cemitérios São João Batista e das Paineiras.
Em Belo Horizonte, a comercialização de flores no entorno dos cemitérios municipais depende de credenciamento da prefeitura. A autorização permite apenas a venda de flores naturais, com restrições ao uso de recipientes que possam acumular água, como medida de prevenção à dengue.