Oito anos após assassinato de jogador, família de Daniel ainda convive com a dor

Daniel Corrêa Freitas foi morto aos 24 anos, em 2018, no Paraná; condenação do autor do crime foi mantida pela Justiça, mas familiares seguem marcados pela perda.
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Oito anos depois do assassinato do jogador Daniel Corrêa Freitas, a família ainda convive com a dor de uma morte que interrompeu a carreira do atleta aos 24 anos. O crime, ocorrido em 27 de outubro de 2018, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, teve repercussão nacional pela violência e pelas circunstâncias em que o corpo foi encontrado. Mesmo após a condenação do principal responsável, os familiares continuam lidando com as consequências da perda.

Daniel foi morto depois de participar da comemoração do aniversário de 18 anos de Allana Brittes. O empresário Edison Luiz Brittes Júnior, pai da aniversariante, confessou o assassinato e foi condenado a mais de 42 anos de prisão em 2024. Em junho de 2026, o Tribunal de Justiça do Paraná manteve a condenação. O caso também teve novos desdobramentos na esfera cível, com uma decisão que determinou indenização e pensão à filha do jogador.

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Família de Daniel enfrenta oito anos de saudade

Para os familiares, a passagem do tempo não apagou as lembranças do jogador nem os impactos provocados pela forma como ele morreu. Daniel deixou uma filha pequena, que cresceu sem a presença do pai.

Em manifestações anteriores, a mãe do atleta, Eliana Corrêa, descreveu a dificuldade de enfrentar a perda e de compreender a violência praticada contra o filho.

Ao comentar o crime em uma entrevista concedida em 2018, ela afirmou que a morte atingiu toda a família, não apenas Daniel. O relato expressou a dimensão emocional da tragédia para as pessoas próximas ao jogador.

Em março de 2024, durante o julgamento dos acusados, Eliana declarou que havia trabalhado os sentimentos de revolta e que não alimentava mais ódio pelos responsáveis. A mãe também falou sobre a fé e a esperança de reencontrar o filho.

Essas declarações foram feitas em momentos diferentes da trajetória judicial do caso. Não há confirmação de que representem novas falas concedidas no aniversário de oito anos do assassinato.

Como aconteceu o assassinato de Daniel Corrêa?

Na noite de 26 para 27 de outubro de 2018, Daniel participou da festa de aniversário de Allana Brittes, realizada inicialmente em uma casa noturna de Curitiba.

Depois da comemoração, parte dos convidados seguiu para a residência da família Brittes, em São José dos Pinhais.

Segundo a investigação, Daniel entrou no quarto onde Cristiana Brittes, esposa de Edison, estava deitada e registrou fotografias ao lado dela. As imagens foram enviadas a um amigo.

Edison encontrou o jogador no quarto e iniciou uma sequência de agressões. Outros homens também participaram da violência dentro da residência, conforme os elementos reunidos durante a investigação.

Posteriormente, Daniel foi colocado no porta-malas de um veículo e levado até uma área rural, onde foi assassinado.

 

O corpo foi encontrado com graves ferimentos no pescoço e mutilações. A violência do crime provocou forte repercussão no país.
O corpo foi encontrado com graves ferimentos no pescoço e mutilações. A violência do crime provocou forte repercussão no país.

Acusação de tentativa de estupro não foi comprovada

Após confessar o assassinato, Edison Brittes alegou que teria agido para defender a esposa de uma suposta tentativa de estupro.

A versão foi contestada pela investigação. A Polícia Civil e o Ministério Público do Paraná concluíram que não havia comprovação de tentativa de estupro por parte do jogador.

A família de Daniel também rejeitou a acusação e buscou preservar a memória do atleta diante da repercussão do caso.

O julgamento examinou os depoimentos, as provas periciais e a participação dos envolvidos nos acontecimentos daquela madrugada.

Condenação de Edison Brittes supera 42 anos

Em março de 2024, sete pessoas foram levadas a júri popular pela morte do jogador e por crimes relacionados ao caso.

Edison Luiz Brittes Júnior foi condenado a 42 anos, cinco meses e 25 dias de prisão por homicídio triplamente qualificado e outros delitos.

Cristiana Brittes também recebeu condenação por crimes relacionados ao episódio. Allana Brittes foi condenada inicialmente por fraude processual, coação no curso do processo e corrupção de menores.

Outros quatro réus foram absolvidos no julgamento.

Em junho de 2026, o Tribunal de Justiça do Paraná manteve a condenação de Edison, que permanece preso.

Na mesma etapa de desdobramentos judiciais, a Justiça reconheceu a prescrição dos crimes atribuídos a Allana e declarou extinta sua punibilidade.

Filha do jogador teve indenização determinada pela Justiça

Além das consequências criminais, o assassinato gerou um processo de reparação pelos danos sofridos pela filha de Daniel.

Em julho de 2026, uma decisão judicial determinou indenizações por danos morais que somam R$ 340 mil, além do pagamento de pensão mensal por Edison Brittes.

A medida reconhece consequências materiais e emocionais da perda do pai, que morreu quando a criança ainda era pequena.

A determinação judicial não elimina os efeitos da ausência paterna, mas representa um dos desdobramentos da responsabilização pelo crime.

Quem era Daniel Corrêa Freitas?

Daniel Corrêa Freitas nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, e construiu sua trajetória no futebol profissional como meio-campista.

O atleta passou pelas categorias de base do Cruzeiro e defendeu equipes como Botafogo, São Paulo, Coritiba, Ponte Preta e São Bento.

Na época do assassinato, Daniel pertencia ao São Paulo e estava emprestado ao São Bento, clube do interior paulista.

Sua morte provocou manifestações de pesar de equipes, ex-companheiros de profissão e torcedores.

Oito anos depois, caso continua marcado por decisões judiciais

O aniversário de oito anos do assassinato ocorre após decisões importantes tomadas em 2026, incluindo a manutenção da condenação do principal autor e a determinação de reparação financeira à filha da vítima.

Embora o processo criminal tenha resultado em condenações e absolvições, o caso permanece presente na memória da família e de pessoas que acompanharam a trajetória de Daniel no futebol.

Para os familiares, a dimensão da perda vai além dos processos judiciais: Daniel deixou uma filha, uma carreira interrompida e uma história que continua sendo lembrada oito anos depois.

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