O dólar voltou a superar R$ 5,40 nesta sexta-feira (30), enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, operava em queda no último pregão de outubro. Às 14h03, a moeda norte-americana era negociada a R$ 5,437, com valorização de 0,91%, enquanto o índice recuava 0,40%, aos 168.496 pontos. O movimento ocorre em meio às incertezas sobre a política fiscal e a composição da equipe econômica para o próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O mercado financeiro brasileiro enfrenta uma semana de forte volatilidade desde o segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro. Após a reeleição de Lula, investidores passaram a reavaliar suas expectativas para os gastos públicos, a dívida federal e a trajetória dos juros. Nesta sexta-feira, o Ibovespa caminhava para registrar a quinta sessão consecutiva de perdas, enquanto o dólar permanecia pressionado por fatores internos e internacionais.
Bolsa segue em queda pelo quarto dia consecutivo após eleição e dólar volta a subir
Por que o dólar está subindo e o Ibovespa continua em queda?
A principal preocupação dos investidores está relacionada à condução da política econômica brasileira nos próximos anos. O mercado acompanha possíveis mudanças nas regras fiscais, as perspectivas para a dívida pública e a definição dos integrantes da equipe econômica do novo mandato presidencial.
A ausência de sinalizações mais concretas sobre essas questões tem contribuído para um ambiente de cautela. Quando aumenta a percepção de risco, parte dos investidores pode reduzir a exposição a ações brasileiras e buscar ativos considerados mais seguros, pressionando o Ibovespa e favorecendo a valorização do dólar.
O movimento também reflete a reorganização das posições financeiras após o resultado das eleições. Investidores que trabalhavam com cenários diferentes para a política econômica passaram a ajustar suas estratégias diante da continuidade do governo Lula.
Na segunda-feira (26), primeiro pregão após a votação, a Bolsa brasileira sofreu uma queda histórica e precisou interromper temporariamente as negociações por meio do mecanismo conhecido como circuit breaker.
A forte reação foi acompanhada por uma disparada do dólar, que chegou a superar R$ 5,60 durante o dia.
O episódio marcou o início de uma sequência de sessões negativas para o mercado acionário.
O NC News acompanhou a forte queda do Ibovespa e a valorização do dólar após a reeleição de Lula, destacando os efeitos das expectativas fiscais sobre os investimentos brasileiros.
Bolsa acumula perdas e permanece abaixo dos 170 mil pontos
Depois da forte desvalorização registrada no início da semana, o Ibovespa continuou enfrentando dificuldades para recuperar terreno.
Na terça-feira (27), o índice recuou 0,51%, encerrando o dia aos 175.710 pontos. Na quarta-feira (28), a queda foi de 2,68%, levando a Bolsa aos 171.006 pontos.
A sequência negativa continuou na quinta-feira (29), quando o Ibovespa perdeu 1,06% e terminou o pregão aos 169.186 pontos.
Nesta sexta-feira, a Bolsa voltou a operar no campo negativo, mantendo-se abaixo da marca de 170 mil pontos.
O desempenho reflete uma combinação de fatores, incluindo preocupações fiscais, comportamento dos juros futuros e movimentos dos mercados internacionais.
Embora a reeleição presidencial tenha intensificado as oscilações, a trajetória da Bolsa também depende de resultados empresariais, indicadores econômicos e mudanças nas condições financeiras globais.
Desemprego cai para 5,2%, mas mercado mantém cautela
Além das incertezas fiscais, os investidores acompanharam nesta sexta-feira os novos números do mercado de trabalho brasileiro.
Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego caiu para 5,2% no terceiro trimestre de 2026.
O resultado representa o menor índice registrado para esse período desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), em 2012.
O levantamento também mostrou que o país possui aproximadamente 5,6 milhões de pessoas desocupadas, enquanto a população com trabalho alcançou 103,6 milhões.
Apesar de indicar um mercado de trabalho ainda aquecido, o resultado não eliminou as preocupações dos investidores.
Isso porque a situação do emprego é apenas um dos indicadores considerados nas decisões financeiras. A evolução da inflação, dos gastos públicos e dos juros também influencia o comportamento do dólar e da Bolsa.
Disputa pela Ptax também influencia o dólar
Outro fator que contribuiu para as oscilações da moeda norte-americana nesta sexta-feira foi a formação da Ptax de fim de mês.
A Ptax é uma taxa de câmbio calculada pelo Banco Central a partir de consultas realizadas com instituições financeiras. Ela funciona como referência para diferentes contratos e operações do mercado.
Nos últimos dias úteis de cada mês, a definição dessa taxa costuma ganhar importância para investidores que possuem contratos cambiais próximos do vencimento.
Dependendo das posições financeiras assumidas, pode haver maior movimentação de compra e venda de dólares, ampliando a volatilidade das cotações.
Por isso, parte da valorização da moeda nesta sexta-feira também está relacionada a fatores técnicos do mercado de câmbio, e não exclusivamente ao cenário político brasileiro.
Cenário internacional amplia pressão sobre os mercados
O ambiente externo também contribuiu para a cautela dos investidores.
Nos Estados Unidos, o mercado financeiro acompanha os resultados trimestrais de grandes empresas de tecnologia, as perspectivas para os investimentos em inteligência artificial e as próximas decisões do Federal Reserve, o banco central norte-americano.
A expectativa de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos pode aumentar a atratividade de investimentos em dólar e reduzir o fluxo de recursos para mercados emergentes.
Além disso, tensões geopolíticas e a valorização internacional do petróleo ampliam as preocupações com a inflação global.
Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que o dólar pode avançar simultaneamente diante de diferentes moedas, incluindo o real.
Como a alta do dólar e a queda da Bolsa afetam os brasileiros?
As oscilações do mercado financeiro podem produzir consequências que vão além das aplicações em ações.
Quando o dólar permanece elevado, produtos e matérias-primas importados tendem a ficar mais caros em reais. O movimento pode pressionar os custos de empresas que dependem de componentes, equipamentos e insumos comprados no exterior.
O aumento também pode afetar viagens internacionais e compras realizadas em moeda estrangeira.
No caso da inflação, o impacto depende da duração da valorização cambial e da capacidade das empresas de repassar custos aos consumidores.
Já a queda da Bolsa atinge diretamente os investidores que possuem ações e fundos expostos ao mercado acionário.
A instabilidade também pode influenciar decisões de investimento das empresas, especialmente quando acompanhada de aumento dos juros futuros e maior dificuldade de financiamento.
Em uma análise publicada pelo NC News sobre os desafios da economia brasileira após as eleições, foram destacados os efeitos da volatilidade financeira sobre a confiança dos investidores, o crédito e o planejamento econômico.
Próximos passos: mercado aguarda sinais do governo e decisão sobre juros
O comportamento do dólar e do Ibovespa nas próximas sessões dependerá das novas informações sobre a política econômica brasileira e da evolução dos indicadores internacionais.
Entre os assuntos acompanhados pelos investidores estão a definição da equipe econômica do próximo mandato, as medidas previstas para as contas públicas e a trajetória da inflação.
Também estará no radar a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para a semana seguinte, quando o Banco Central deverá avaliar novamente a taxa básica de juros, a Selic.
A Bolsa brasileira não funcionará na segunda-feira (2 de novembro), em razão do feriado nacional de Finados. Segundo o calendário da B3, as negociações serão retomadas na terça-feira (3).
Até o encerramento do pregão desta sexta-feira, as cotações ainda podem sofrer alterações. A confirmação do desempenho diário e do resultado acumulado de outubro dependerá dos números definitivos de fechamento.