A Força Aérea Brasileira (FAB) avançou nos testes de uma tecnologia que pode mudar a forma como suas aeronaves atuam em operações militares. O sistema LINK-BR2 permite que caças, aviões-radar e centros de comando compartilhem informações em tempo real, criando uma rede de comunicação segura durante as missões.
A nova etapa de testes foi realizada entre 19 e 30 de outubro, durante a Campanha IRIS 2026, na Base Aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul. A operação envolveu três caças F-5M e uma aeronave E-99M, utilizada para vigilância e controle do espaço aéreo.
Um dos principais resultados ocorreu em 27 de outubro. Na ocasião, os caças F-5M receberam informações sobre alvos detectados pelo radar do E-99M. Na prática, isso significa que os pilotos puderam acessar dados identificados por outra aeronave, ampliando a percepção do cenário durante o voo.

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Como funciona a tecnologia da FAB?
O LINK-BR2 é um sistema de enlace de dados que permite transmitir informações e voz de maneira segura e criptografada entre aeronaves e estações em solo.
Em uma operação militar, por exemplo, um avião-radar pode identificar uma aeronave ou outro alvo e compartilhar essas informações com os caças envolvidos na missão. Assim, diferentes tripulações passam a trabalhar com informações integradas, sem depender exclusivamente das comunicações tradicionais por rádio.

A tecnologia também pode contribuir para reduzir o tempo de resposta e melhorar a coordenação em operações de defesa aérea.
Sistema poderá ser utilizado nos caças Gripen
O projeto não foi desenvolvido apenas para os F-5M. A FAB trabalha para ampliar a integração do LINK-BR2 com outras plataformas, incluindo os caças F-39 Gripen e aeronaves KC-390 Millennium.
A expansão depende de novas etapas de engenharia, integração e certificação para cada plataforma.
O primeiro voo de certificação do sistema nesta campanha ocorreu em 20 de outubro. Os resultados obtidos agora serão utilizados para avançar no processo de certificação para uso operacional.
Projeto começou há mais de uma década
O desenvolvimento do LINK-BR2 começou em 2012, em um contrato firmado entre a FAB e a empresa Mectron. Posteriormente, a AEL Sistemas assumiu a continuidade do projeto.
Os trabalhos são conduzidos pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), com participação de equipes de ensaios em voo, engenharia, certificação e representantes dos esquadrões envolvidos.

A tecnologia representa um passo importante para a modernização da aviação militar brasileira, ao permitir que diferentes aeronaves compartilhem informações e atuem de maneira coordenada em operações cada vez mais complexas.