Mensagens de Cariani com policial indicam tentativa de barrar investigação, diz MP

Promotoria afirma que influenciador recebeu informações sobre diligências e acompanhou o arquivamento de um inquérito em Diadema; defesa nega irregularidades e espera absolvição.
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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) afirma que mensagens extraídas do celular do influenciador e empresário Renato Cariani indicam uma relação de proximidade com um policial civil que teria atuado para dificultar o avanço de uma investigação sobre sua indústria química. As conversas foram apresentadas nas alegações finais do processo criminal em que a Promotoria pede a condenação de Cariani por crimes relacionados ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro.

Segundo o documento, divulgado nesta sexta-feira (30), o policial civil André Dziuba teria repassado informações sobre diligências, discutido procedimentos investigativos e ajudado a reduzir o alcance de um inquérito envolvendo operações comerciais da Anidrol, empresa de Cariani localizada em Diadema, na Grande São Paulo. A defesa do influenciador contesta as acusações e afirma que demonstrará sua inocência. O empresário ainda não foi condenado.

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Mensagens indicam proximidade entre Cariani e policial civil, segundo MP

As conversas foram identificadas durante a análise de dispositivos eletrônicos apreendidos na investigação da Operação Hinsberg, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2023.

Nas alegações finais, os promotores afirmam que Cariani mantinha contato frequente com André Dziuba, policial civil ligado à área de controle e fiscalização de produtos químicos.

De acordo com a acusação, o empresário recebia informações sobre procedimentos em andamento, acompanhava diligências e discutia diretamente com o agente o andamento de uma investigação anterior.

O Ministério Público sustenta que a relação ultrapassava contatos profissionais e teria sido utilizada para proteger os interesses de Cariani durante a apuração.

Os investigadores também afirmam que o influenciador opinava sobre fiscalizações e chegou a sugerir empresas que poderiam ser verificadas pela polícia.

Para a Promotoria, esse comportamento indicaria uma possível tentativa de interferir na fiscalização do setor químico.

Policial teria informado que investigação não avançaria

Entre os diálogos destacados pelo Ministério Público está uma conversa de setembro de 2022, na qual Cariani questiona o andamento de um inquérito relacionado a operações comerciais envolvendo a farmacêutica AstraZeneca.

Segundo a acusação, o policial informou que a equipe havia tentado identificar veículos utilizados na retirada de produtos químicos, mas não conseguiu avançar nas diligências.

Em uma das mensagens reproduzidas no documento, o agente afirmou:

“Assim fizemos um relatório induzindo o delegado a não fazer mais nada”.

A declaração foi apresentada pelos promotores como um dos elementos que sustentariam a suspeita de interferência na investigação.

Para o Ministério Público, o diálogo indica que o policial teria adotado medidas para desestimular novas diligências.

A interpretação, entretanto, faz parte da tese da acusação e ainda depende de avaliação judicial.

Cariani e policial teriam comemorado arquivamento

Outro ponto destacado nas alegações finais envolve o encerramento de um inquérito que tramitou na 2ª Vara Criminal de Diadema.

A investigação foi arquivada em 2023, antes do avanço da Operação Hinsberg.

Segundo os promotores, mensagens extraídas do celular mostram que Cariani buscava informações sobre o andamento do procedimento e tinha conhecimento de sua possível conclusão.

Em uma conversa apresentada pelo Ministério Público, o policial comunicou que o caso havia terminado.

“Acabou, meu. É só tomar uma”.

Cariani teria respondido:

“Obrigado, Dezao! Bora tomar uma então?”.

O policial também informou que o inquérito havia sido relatado em 19 de janeiro de 2023 e posteriormente arquivado.

Para a Promotoria, a troca de mensagens reforça a suspeita de que o empresário acompanhava de perto o procedimento investigativo.

O Ministério Público afirma ainda que o arquivamento foi utilizado pela defesa de Cariani como argumento favorável ao empresário, embora o promotor responsável pelo procedimento anterior não tivesse conhecimento das mensagens posteriormente identificadas.

Investigação envolve produtos químicos e suposto desvio para o tráfico

Renato Cariani é sócio da Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa do setor químico sediada em Diadema.

A companhia foi alvo da Operação Hinsberg, realizada pela Polícia Federal em dezembro de 2023, após suspeitas de irregularidades na comercialização de substâncias químicas controladas.

Segundo a investigação, produtos vendidos pela empresa teriam sido desviados para a fabricação e o refino de drogas, incluindo cocaína e crack.

Os investigadores apontam que operações comerciais teriam sido registradas em nome de empresas que não reconheciam as compras.

Entre as companhias mencionadas está a farmacêutica AstraZeneca, que informou não ter realizado determinadas transações atribuídas ao seu nome.

A acusação sustenta que notas fiscais e registros comerciais teriam sido utilizados para simular vendas legítimas e ocultar o verdadeiro destino dos produtos.

O Ministério Público também aponta suspeitas de movimentações financeiras destinadas a dar aparência regular aos valores relacionados às operações investigadas.

Cariani nega participação no suposto esquema e afirma que a empresa foi vítima de fraudes praticadas por terceiros.

MP afirma que mensagens indicam conhecimento sobre uso de insumos

Além dos contatos relacionados ao inquérito anterior, os promotores destacaram mensagens que, segundo a acusação, demonstrariam conhecimento de Cariani sobre a utilização de determinados produtos químicos na fabricação de entorpecentes.

Em uma conversa de abril de 2019, o policial teria perguntado ao empresário sobre o controle de uma substância química.

De acordo com o documento, Cariani respondeu que o produto era controlado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e poderia ser utilizado para aumentar o rendimento da cocaína.

Para o Ministério Público, o diálogo reforçaria a tese de que o empresário conhecia possíveis aplicações ilícitas das substâncias comercializadas pela empresa.

A defesa contesta a interpretação da acusação e sustenta que as provas reunidas no processo não demonstram participação criminosa de Cariani.

O conhecimento técnico sobre produtos químicos, isoladamente, não comprova o envolvimento em tráfico de drogas.

Ministério Público pede condenação de três acusados

Nas alegações finais, o Ministério Público pediu a condenação de Renato Cariani, Fábio Spinola Mota e Rodrigo Gomes Pereira.

Os três respondem a acusações relacionadas à associação para o tráfico, ao tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e à lavagem de dinheiro.

Segundo a Promotoria, o suposto esquema teria envolvido mais de 12 toneladas de produtos químicos e movimentações financeiras suspeitas superiores a R$ 2,4 milhões.

Esses números fazem parte da acusação e ainda serão analisados pela Justiça.

No mesmo documento, o Ministério Público pediu a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na Anidrol, e Andréia Domingues Ferreira.

Segundo os promotores, não foram reunidas provas suficientes para sustentar a condenação das duas mulheres.

O pedido de condenação ou absolvição representa a manifestação do Ministério Público e não uma decisão definitiva do Judiciário.

O que diz a defesa de Renato Cariani?

Em nota, o advogado Aldo Romani Netto, responsável pela defesa de Renato Cariani, afirmou que recebeu com naturalidade o pedido de condenação apresentado pelo Ministério Público.

Segundo o defensor, a manifestação corresponde à posição que a acusação vem sustentando desde o início da ação penal.

“O pedido não representa nenhuma surpresa”.

O advogado declarou que, durante as alegações finais da defesa, serão contestadas as teses apresentadas pelos promotores.

A defesa sustenta que as provas produzidas durante o processo demonstrarão que Cariani não participou dos crimes investigados.

Romani Netto também afirmou confiar em um julgamento baseado na análise imparcial do conjunto de provas.

O influenciador responde ao processo em liberdade e mantém sua posição de inocência.

Até a publicação das informações, não havia manifestação da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo sobre os questionamentos relacionados ao policial civil André Dziuba.

Próximos passos

O processo está na fase de alegações finais, etapa em que acusação e defesa apresentam suas conclusões sobre as provas reunidas ao longo da ação penal.

Após a manifestação do Ministério Público, caberá aos advogados dos acusados apresentar seus argumentos e contestar os elementos utilizados pela Promotoria.

Em seguida, a Justiça deverá analisar os depoimentos, documentos, mensagens e demais provas antes de decidir se absolve ou condena os réus.

As suspeitas de interferência na investigação anterior também dependerão de avaliação pelas autoridades competentes.

Enquanto não houver sentença, Renato Cariani permanece na condição de réu, com direito à presunção de inocência.

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