Fale com a gente NC News TV Ao Vivo

Alerta de tribunal do crime leva PM a arsenal com bombas e drones no Guarujá

Homem de 42 anos foi preso em flagrante após policiais encontrarem fuzil, submetralhadora artesanal, mais de 700 munições e explosivos; corporação investiga possível ligação com o PCC.
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Uma denúncia sobre a possível realização de um tribunal do crime levou a Polícia Militar a encontrar um arsenal com armas de fogo, bombas e drones no Guarujá, litoral de São Paulo. A operação ocorreu entre a noite de sexta-feira (30) e a madrugada deste sábado (31), no Morro do Macaco, e terminou com a prisão em flagrante de um homem de 42 anos.

No imóvel, localizado na região da Vila Zilda, os policiais apreenderam um fuzil, uma submetralhadora artesanal, mais de 700 munições, granadas, 33 emulsões explosivas e três drones. Segundo a PM, o local pode ter funcionado como uma base de armazenamento de equipamentos utilizados pelo crime organizado. A corporação suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), mas a origem e a finalidade do material ainda estão sendo investigadas.

LEIA MAIS:

Corpos em sacos e com sinais de tortura intrigam polícia em SP; ‘tribunal do crime’ é investigado

Denúncia de tribunal do crime levou policiais ao imóvel

A apreensão ocorreu durante a Operação Impacto Contra o Tráfico de Drogas, realizada por equipes do 21º Batalhão de Polícia Militar do Interior.

Os agentes receberam informações sobre a possibilidade de um julgamento clandestino promovido por criminosos na comunidade. Ao verificar a denúncia, encontraram uma grande quantidade de armamentos e materiais explosivos.

O chamado tribunal do crime é uma prática atribuída a organizações criminosas, nas quais integrantes de facções realizam julgamentos ilegais para determinar punições contra pessoas acusadas de descumprir regras impostas pelo grupo.

Essas punições podem incluir ameaças, agressões, tortura e assassinatos.

No caso do Guarujá, a denúncia motivou a ação policial, mas ainda não foi confirmado que um julgamento clandestino estivesse efetivamente acontecendo no imóvel.

Polícia encontrou fuzil, submetralhadora e mais de 700 munições

Durante as buscas, os policiais localizaram armamentos de diferentes tipos e calibres.

Entre os materiais apreendidos estavam um fuzil calibre 5,56 mm, uma pistola calibre .45, revólveres, espingardas, uma carabina e uma submetralhadora de fabricação artesanal.

As equipes também encontraram mais de 700 munições de diferentes calibres, três capas de colete, dois aparelhos celulares e dinheiro em espécie.

A quantidade de armas chamou a atenção dos investigadores pelo potencial de utilização em ações criminosas de grande porte.

Segundo a Polícia Militar, o arsenal poderia ser empregado em confrontos armados, ataques coordenados e outras atividades de organizações criminosas.

A finalidade exata dos equipamentos, entretanto, ainda depende da investigação.

Explosivos e granadas exigiram atuação de equipe especializada

Além das armas, os policiais encontraram 33 emulsões explosivas, detonadores, cordéis, estopins, granadas e outros artefatos.

Por causa do risco representado pelo material, foi necessário acionar o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), unidade especializada da Polícia Militar.

Os profissionais realizaram a avaliação técnica e os procedimentos necessários para o manuseio seguro dos explosivos.

A perícia também foi chamada para analisar os objetos e documentar as condições em que foram encontrados.

Os investigadores deverão verificar as características dos artefatos, sua procedência e possíveis conexões com outras ocorrências criminosas.

Três drones e impressora 3D também foram apreendidos

Outro ponto que chamou a atenção dos policiais foi a presença de equipamentos tecnológicos no imóvel.

Durante a operação, foram apreendidos três drones e uma impressora 3D.

A Polícia Militar trabalha com a possibilidade de que a impressora tenha sido utilizada para produzir peças e componentes de armamentos.

Entre os equipamentos encontrados estava uma submetralhadora artesanal, cuja fabricação poderá ser examinada pelos peritos.

Ainda não há confirmação de que a impressora tenha sido utilizada na produção dessa arma.

Os drones também serão analisados para esclarecer sua possível finalidade.

A presença desses equipamentos não comprova, isoladamente, que tenham sido empregados em ações criminosas.

PM investiga possível ligação do arsenal com o PCC

A principal linha de investigação considera a possibilidade de o imóvel funcionar como uma estrutura de apoio logístico ao Primeiro Comando da Capital.

Segundo a Polícia Militar, o volume e as características dos armamentos indicam que o material poderia ser utilizado em operações organizadas por grupos criminosos.

Entre as hipóteses analisadas estão roubos a bancos, ataques a carros-fortes e ações conhecidas como Novo Cangaço.

Esse tipo de crime costuma envolver grupos fortemente armados que realizam ataques coordenados para dominar temporariamente determinadas áreas e cometer roubos de grande porte.

O capitão Guedes, da assessoria de imprensa da Polícia Militar, afirmou que as investigações deverão buscar a origem dos equipamentos e esclarecer como chegaram ao local.

A corporação também avalia a hipótese de parte das armas ter sido adquirida no mercado clandestino, inclusive por meio de entrada ilegal no Brasil.

Até o momento, não há conclusão definitiva sobre a procedência do arsenal nem sobre sua eventual utilização em crimes anteriores.

Homem de 42 anos foi preso em flagrante

Durante a operação, os policiais prenderam um homem de 42 anos, cuja identidade não foi divulgada.

Segundo a PM, ele já possuía antecedentes relacionados a crimes envolvendo armas de fogo.

O suspeito foi detido em flagrante após a localização do material no imóvel.

As autoridades deverão apurar sua possível participação no armazenamento e na distribuição dos equipamentos, além de investigar se existem outras pessoas envolvidas.

O histórico policial do homem também poderá ser considerado durante as diligências, mas não comprova, por si só, participação nos crimes atualmente investigados.

Até a divulgação das primeiras informações, não havia detalhes sobre uma manifestação da defesa do preso.

Guarujá registra outras investigações envolvendo o crime organizado

A apreensão ocorre em uma região que já foi cenário de operações policiais e episódios de violência relacionados a suspeitas de atuação de organizações criminosas.

Nos últimos meses, forças de segurança realizaram ações no Guarujá para investigar barricadas, ataques contra instalações policiais e pessoas apontadas como integrantes de facções.

Em agosto, uma base da Polícia Militar Ambiental foi atacada a tiros após uma operação realizada na comunidade Santa Rosa.

A polícia investigou a possibilidade de o ataque ter sido uma retaliação à atuação dos agentes na região.

Embora esses episódios façam parte do contexto de segurança pública do município, não há confirmação de ligação direta entre eles e o arsenal apreendido neste sábado.

A Polícia Civil deverá analisar se os materiais encontrados possuem alguma relação com investigações em andamento.

Próximos passos

As armas, munições, explosivos e equipamentos apreendidos deverão passar por exames periciais.

A investigação buscará identificar a origem do material, os responsáveis por seu armazenamento e a finalidade dos objetos encontrados.

Também será necessário esclarecer se o imóvel era realmente utilizado como base logística de uma organização criminosa e se a denúncia sobre o tribunal do crime tinha fundamento.

O homem de 42 anos permanece à disposição da Justiça após a prisão em flagrante.

A Polícia Militar afirma que as ações de combate ao crime organizado continuam na Baixada Santista, enquanto as autoridades responsáveis aprofundam a apuração sobre o arsenal encontrado no Guarujá.

Carregar Comentários