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Judi Dench perde a visão aos poucos e revela que não consegue mais atuar ou reconhecer rostos

Aos 91 anos, vencedora do Oscar enfrenta uma degeneração macular diagnosticada em 2012 e encontra na memória dos textos de Shakespeare uma forma de manter a ligação com a arte.
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A atriz britânica Judi Dench, de 91 anos, revelou que a perda progressiva da visão provocada por uma degeneração macular a impede de continuar atuando no cinema e no teatro. Vencedora do Oscar e conhecida por interpretar a personagem M na franquia James Bond, ela também enfrenta dificuldades para ler e reconhecer o rosto de pessoas próximas. A doença foi diagnosticada em 2012 e tem comprometido cada vez mais sua autonomia.

Em entrevista à BBC Radio 4, divulgada em 22 de outubro, Dench contou que precisou adaptar a rotina às limitações visuais. A atriz afirmou que já não consegue realizar atividades que fizeram parte de suas sete décadas de carreira, incluindo a leitura de roteiros e a participação em produções cinematográficas. Apesar das dificuldades, procura manter uma relação próxima com a arte por meio da memória e dos textos que aprendeu ao longo da vida.

Em reportagem publicada pela revista Veja em 31 de outubro, a artista também falou sobre sua ligação com a poesia de William Shakespeare. Mesmo sem conseguir ler, ela continua recordando versos e personagens que interpretou ao longo da carreira. A atriz se prepara para lançar um novo livro de memórias, no qual compartilha experiências pessoais e profissionais.

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Judi Dench não consegue mais atuar nem reconhecer rostos

A perda da visão tem provocado mudanças profundas na vida da atriz, que construiu uma das carreiras mais reconhecidas do cinema e do teatro britânicos.

Durante a entrevista à BBC, Dench explicou que já não consegue subir aos palcos, participar de peças ou atuar em filmes. A dificuldade para ler também tornou inviável uma atividade que acompanhou toda sua trajetória profissional.

“Não posso mais subir ao palco, não posso mais fazer peças, não posso mais fazer filmes, não consigo mais ler.”

A atriz revelou ainda que sua capacidade de reconhecer rostos ficou comprometida.

Em algumas ocasiões, acaba confundindo desconhecidos com pessoas próximas e chega a cumprimentá-los por engano.

A dificuldade está relacionada ao comprometimento da visão central, característica da degeneração macular, que interfere na percepção de detalhes.

Apesar das limitações, Dench afirmou que tenta se adaptar à situação, sem concentrar toda a atenção nas dificuldades impostas pela doença.

Diagnóstico aconteceu há mais de dez anos

Judi Dench recebeu o diagnóstico de degeneração macular relacionada à idade em 2012, quando tinha 77 anos.

Desde então, a condição avançou gradualmente e passou a interferir em suas atividades profissionais e pessoais.

Em entrevistas anteriores, a atriz já havia relatado dificuldades para decorar roteiros e se deslocar sem ajuda.

Em 2023, reconheceu que precisava de apoio de outras pessoas para determinadas tarefas.

Dois anos depois, afirmou que não conseguia mais comparecer sozinha a eventos, devido ao risco de esbarrar em objetos ou não identificar obstáculos.

A piora da visão acabou reduzindo sua participação em produções audiovisuais, embora Dench tenha manifestado publicamente que não desejava se aposentar.

A artista também emprestou sua voz a produções recentes, demonstrando que algumas atividades artísticas ainda podem ser realizadas sem depender diretamente da leitura ou da visão.

Shakespeare continua presente na vida da atriz

Mesmo diante da perda visual, Judi Dench mantém uma ligação especial com a obra de William Shakespeare.

Ao longo de sua carreira, interpretou personagens como Julieta, Lady Macbeth e Cleópatra, tornando-se uma das principais intérpretes do dramaturgo no teatro britânico.

A atriz contou que costuma recordar poemas e trechos decorados durante décadas de trabalho.

Um dos versos que permanecem em sua memória pertence ao Soneto 43, de Shakespeare, que relaciona a experiência de fechar os olhos à capacidade de enxergar por meio da imaginação.

Para Dench, lembrar desses textos é uma maneira de continuar próxima da literatura, mesmo sem conseguir acompanhar livros impressos.

A memória também contribui para preservar experiências e imagens associadas à sua trajetória pessoal.

O que é degeneração macular?

A degeneração macular relacionada à idade, conhecida pela sigla DMRI, é uma doença que afeta a mácula, região central da retina responsável pela visão de detalhes.

Essa estrutura permite realizar atividades como ler, reconhecer rostos, identificar objetos pequenos e perceber detalhes das imagens.

Quando a mácula sofre alterações, a visão central pode ficar embaçada ou apresentar manchas escuras.

A doença não provoca necessariamente a perda completa de toda a visão, já que a percepção periférica pode permanecer preservada.

Mesmo assim, o comprometimento da região central pode dificultar significativamente a autonomia do paciente.

A degeneração macular é mais frequente em pessoas acima dos 50 anos, especialmente nas faixas etárias mais avançadas.

Entre os fatores associados ao risco de desenvolver a doença estão envelhecimento, histórico familiar, predisposição genética, tabagismo e hipertensão arterial.

Quais são os sintomas da doença?

Os sintomas variam conforme o estágio e o tipo de degeneração macular.

Uma das manifestações mais comuns é a dificuldade progressiva para enxergar detalhes no centro do campo visual.

Também podem ocorrer visão embaçada, distorção de linhas retas, alterações na percepção das cores e manchas escuras na região central da visão.

A dificuldade para reconhecer rostos, relatada por Judi Dench, é uma das consequências possíveis do comprometimento da mácula.

Em alguns pacientes, a doença avança lentamente. Em outros, determinadas alterações podem provocar uma perda visual mais rápida.

Como os sintomas iniciais podem ser discretos, a avaliação oftalmológica é importante para identificar alterações antes que ocorram danos mais graves.

Mudanças súbitas na visão, especialmente manchas centrais ou distorções que aparecem rapidamente, exigem atendimento oftalmológico urgente.

Degeneração macular tem tratamento?

A degeneração macular relacionada à idade não possui cura definitiva, mas existem tratamentos capazes de retardar a progressão de determinadas formas da doença.

A condição é dividida principalmente em dois tipos: seca e úmida.

A forma seca é a mais comum e envolve alterações progressivas nas células da retina.

Já a forma úmida ocorre quando vasos sanguíneos anormais se desenvolvem sob a retina, podendo provocar vazamentos e sangramentos.

Em casos de degeneração macular úmida, o tratamento pode incluir aplicações de medicamentos anti-VEGF dentro do olho, com o objetivo de controlar o crescimento desses vasos.

Para determinados pacientes com a forma seca, também existem medidas e tratamentos específicos que podem ajudar a retardar a evolução da doença.

A indicação depende do estágio, do tipo de alteração e da avaliação do oftalmologista.

O acompanhamento regular é fundamental porque nem toda perda visual pode ser recuperada depois que ocorre.

Carreira de Judi Dench reúne Oscar e grandes papéis no cinema

Judi Dench construiu uma trajetória de aproximadamente sete décadas no teatro, no cinema e na televisão.

A atriz conquistou o Oscar de melhor atriz coadjuvante por sua interpretação da rainha Elizabeth I no filme Shakespeare Apaixonado, lançado em 1998.

Também recebeu um prêmio Tony e sete prêmios Olivier, importantes reconhecimentos do teatro britânico.

Para o público internacional, tornou-se especialmente conhecida por interpretar M, a chefe do serviço de inteligência britânico, em oito filmes da franquia James Bond.

A personagem marcou sua presença em produções estreladas por Pierce Brosnan e Daniel Craig.

Além da série de espionagem, participou de filmes como Philomena, Iris e O Exótico Hotel Marigold.

Sua trajetória também inclui interpretações de personagens importantes de Shakespeare, principalmente nos palcos londrinos.

Livro de memórias e adaptação à nova rotina

Aos 91 anos, Judi Dench continua encontrando maneiras de preservar a relação com a arte, apesar da perda visual.

A atriz se prepara para lançar um novo livro de memórias, no qual revisita experiências de sua trajetória.

Embora a doença tenha limitado sua atuação profissional, ela mantém o interesse pela literatura, pela poesia e pelas lembranças dos personagens que interpretou.

O relato da artista também chama atenção para uma condição que pode comprometer profundamente a qualidade de vida de pessoas idosas.

A degeneração macular exige acompanhamento especializado e, dependendo do estágio, pode ser tratada para reduzir o risco de agravamento.

O caso de Judi Dench reforça a importância de investigar alterações na visão e de não considerar toda dificuldade para enxergar como uma consequência inevitável do envelhecimento.

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