O Partido Liberal (PL) deve anunciar, na próxima quarta-feira (4), o senador Rogério Marinho (PL-RN) como candidato à presidência do Senado Federal. A decisão deve ser mantida mesmo diante das tentativas de aproximação do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), com parlamentares da oposição. A eleição está prevista para fevereiro de 2027 e definirá quem comandará o Senado pelos dois anos seguintes.
A legenda terá a maior bancada da Casa a partir da posse dos senadores eleitos em outubro, com 28 parlamentares. Apesar desse peso político, o PL precisará conquistar apoio de outras siglas para eleger seu candidato. Alcolumbre, por sua vez, articula a reeleição e busca votos inclusive entre integrantes do PL, PP e Republicanos. Segundo informações divulgadas pelo g1 nesta segunda-feira (2), a maioria dos senadores do PL rejeita um acordo com o atual presidente e pretende colocar Marinho em campanha a partir da próxima semana.
PL sinaliza apoio à reeleição de Hugo Motta na Câmara e quer Rogério Marinho no Senado
PL resiste a acordo com Alcolumbre e aposta em candidatura própria
A estratégia do PL é aproveitar o crescimento da bancada nas eleições de outubro para ampliar sua influência sobre as decisões do Senado. Rogério Marinho, atual líder da oposição, é o principal nome defendido pela legenda para disputar a presidência.
O senador já enfrentou uma eleição pelo comando da Casa em 2023, quando foi derrotado por Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Agora, o partido considera que a nova composição do Senado oferece condições para uma candidatura própria.
Entretanto, a posição não é unânime. Nos bastidores, integrantes da legenda avaliam que uma derrota poderia prejudicar as negociações por cargos estratégicos, incluindo presidências de comissões permanentes.
A preocupação é semelhante à que aparece nas articulações do PL na Câmara dos Deputados, onde o partido considera apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para garantir participação na divisão dos principais espaços de poder.
Apesar das divergências internas, a maior parte da bancada do Senado pretende manter a candidatura de Marinho.
O senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ) defendeu o nome do parlamentar potiguar durante as discussões sobre a sucessão.
“A candidatura com mais força e votos hoje é a de Rogério Marinho.”
Alcolumbre busca votos na oposição e discute anistia
Enquanto o PL organiza sua candidatura, Davi Alcolumbre intensifica as conversas para tentar permanecer na presidência do Senado.
Na última semana, o parlamentar discutiu com outros senadores a possibilidade de colocar em votação um projeto de anistia relacionado aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A articulação é vista por interlocutores como uma tentativa de aproximar Alcolumbre de setores da direita que defendem a medida. Também existe a avaliação de que um eventual entendimento poderia reduzir a pressão pela abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
As conversas, entretanto, ainda não representam um acordo formal. A proposta de anistia enfrenta resistência de setores do Congresso, e qualquer mudança na legislação dependeria da tramitação e da aprovação parlamentar.
A federação formada por União Brasil e PP anunciou, em 27 de outubro, apoio à reeleição de Alcolumbre. Mesmo assim, há parlamentares dessas legendas que demonstram resistência ao atual presidente do Senado.
Um interlocutor de Alcolumbre afirmou ao g1 que o senador já teria votos suficientes para garantir a reeleição. A avaliação, porém, não representa uma confirmação do resultado, já que a votação será secreta e os apoios podem mudar até fevereiro.
Tereza Cristina também quer disputar a presidência
A eleição poderá ter outra candidatura de oposição. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) mantém o interesse em concorrer ao comando do Senado, apesar da possibilidade de o PL oficializar Rogério Marinho.
Ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina pretende disputar a oportunidade de se tornar a primeira mulher a presidir a Casa.
“Eu mantenho meu desejo de concorrer, de ser a primeira mulher presidente do Senado. Temos 90 dias até a eleição. Tem muita água pra rolar.”
A parlamentar conta com apoio de integrantes da oposição, incluindo a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF).
O cenário cria uma divisão entre diferentes setores da direita, que ainda discutem se devem concentrar apoio em um único candidato ou manter alternativas para a disputa.
A posição de Tereza Cristina também contrasta com a decisão nacional da federação União Brasil-PP, que declarou apoio à continuidade de Alcolumbre.
Carta de Flávio Bolsonaro entra nas articulações
Outro elemento presente nas negociações é a situação política do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que deixou o Brasil após as eleições presidenciais.
Segundo parlamentares ouvidos pelo g1, a divulgação de uma carta em que Flávio inicialmente se apresentou como presidente eleito, antes de alterar a expressão para líder do Brasil, provocou questionamentos entre integrantes da oposição.
Parte desses senadores avalia que a proximidade de Rogério Marinho com Flávio, cuja campanha presidencial ele coordenou, poderia dificultar a construção de uma liderança independente no comando do Senado.
Essa interpretação, porém, não é compartilhada por todos os integrantes do grupo. Parlamentares do PL continuam defendendo Marinho como candidato da legenda.
Alcolumbre também pretende ampliar as conversas com senadores eleitos ligados ao bolsonarismo, entre eles Guilherme Derrite (PP-SP) e Carol de Toni (PL-SC), além de buscar diálogo com Michelle Bolsonaro.
Como funciona a eleição para presidente do Senado?
A escolha do presidente do Senado é realizada pelos próprios senadores, em votação secreta. A Casa possui 81 integrantes, e a eleição exige maioria absoluta, equivalente a pelo menos 41 votos.
O presidente eleito será responsável por conduzir as sessões, organizar a pauta de votações e representar institucionalmente o Senado pelos dois anos seguintes.
O cargo também tem importância nas relações com o governo federal e com o Poder Judiciário, além de exercer atribuições relevantes na condução de processos envolvendo autoridades.
Com 28 senadores, o PL terá a maior bancada da próxima legislatura, mas não conseguirá eleger seu candidato apenas com os votos do próprio partido.
Por isso, tanto Rogério Marinho quanto Davi Alcolumbre dependem de negociações com outras legendas e de acordos que poderão envolver a composição da Mesa Diretora e a distribuição das presidências das comissões.
Próximos passos
A expectativa é que o PL confirme Rogério Marinho como candidato na quarta-feira (4). Depois disso, a legenda deverá intensificar as conversas com partidos de oposição e de centro em busca de apoio.
Alcolumbre continuará articulando sua reeleição, enquanto Tereza Cristina poderá manter uma candidatura alternativa.
A votação está prevista para 1º de fevereiro de 2027. Até lá, o cenário permanece aberto, e os posicionamentos anunciados pelas lideranças partidárias não garantem os votos individuais dos senadores.