Fale com a gente NC News TV Ao Vivo

Rogério Marinho revela acordo com Tereza Cristina para enfrentar Alcolumbre no Senado

Líder da oposição afirma que não disputará o comando da Casa contra a senadora; PL discute nesta quarta-feira (4) estratégia para a eleição de fevereiro de 2027.
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, afirmou que tem um acordo com Tereza Cristina (PP-MS) para evitar que os dois disputem entre si a presidência da Casa. A declaração foi feita na terça-feira (3), em meio às articulações da direita para lançar uma candidatura capaz de enfrentar o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que busca a reeleição em fevereiro de 2027.

Segundo Marinho, os dois parlamentares continuam conversando sobre a sucessão, mas existe o compromisso de não dividir os votos em uma disputa direta. Apesar da declaração, ainda não foi definido qual dos dois poderá representar o grupo na eleição. O Partido Liberal deve discutir sua estratégia nesta quarta-feira (4).

A negociação ocorre em um momento de divergências dentro da oposição. Enquanto o PL trabalha para consolidar o nome de Rogério Marinho, Tereza Cristina mantém sua intenção de concorrer e tenta ampliar o apoio entre partidos de centro. O objetivo das conversas é evitar que candidaturas concorrentes do mesmo campo político facilitem a recondução de Alcolumbre.

PL deve lançar Rogério Marinho contra Alcolumbre na disputa pelo Senado

Rogério Marinho confirma entendimento com Tereza Cristina

Ao comentar as negociações para a presidência do Senado, Rogério Marinho afirmou que não pretende concorrer diretamente contra a senadora do Progressistas.

“Continuamos a conversar. Estamos (discutindo) um acordo entre nós, mas não seremos candidatos um contra o outro.”

A declaração indica uma tentativa de construir uma candidatura única da oposição, embora os parlamentares ainda não tenham chegado a uma definição sobre quem deverá disputar o cargo.

Uma das alternativas discutidas nos bastidores prevê um entendimento para que um dos senadores concorra em 2027 e o outro receba apoio para disputar a presidência da Casa em 2029. A possibilidade, porém, ainda não foi formalizada.

Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro, também confirmou que mantém conversas com Marinho. A parlamentar ressaltou que não desistiu de sua candidatura e pretende continuar participando das negociações.

“Rogério Marinho e eu conversamos muito sobre esse assunto, até porque nós somos do mesmo campo, mas a minha candidatura tá mantida e a dele também. Vamos ver mais para frente. Nós ainda temos pouco menos de 90 dias para isso. E eu quero ser a primeira mulher presidente do Senado.”

A manifestação mostra que, apesar do entendimento mencionado por Marinho, a oposição ainda precisa resolver qual candidatura terá o apoio necessário para disputar a eleição.

PL discute estratégia para enfrentar Davi Alcolumbre

O Partido Liberal pretende avançar nas articulações nesta quarta-feira (4). Rogério Marinho é o principal nome defendido pela legenda para comandar o Senado a partir de fevereiro de 2027.

Conforme o NC News noticiou anteriormente, o PL terá a maior bancada da Casa na próxima legislatura, com 28 senadores. Mesmo assim, a sigla precisará negociar com outros partidos para alcançar os votos necessários à eleição.

O presidente do Senado é escolhido pelos próprios parlamentares. Para vencer, um candidato precisa obter a maioria absoluta dos votos, equivalente a 41 dos 81 senadores.

O principal adversário da oposição é Davi Alcolumbre, que articula sua permanência no comando da Casa e busca apoio entre partidos governistas e de centro.

A federação formada por União Brasil e PP anunciou apoio à reeleição de Alcolumbre em outubro. A decisão, entretanto, não representa consenso entre todos os integrantes das legendas.

O posicionamento cria uma situação delicada para Tereza Cristina, que pertence ao PP, mas mantém interesse em disputar o cargo contra o atual presidente do Senado.

Oposição quer tornar públicos os votos dos senadores

Outra discussão que deve ganhar força nas negociações é a possibilidade de os parlamentares divulgarem publicamente seus votos na eleição para a presidência do Senado.

Atualmente, a escolha é realizada por votação secreta, o que permite que senadores apoiem candidatos diferentes daqueles indicados oficialmente por seus partidos.

Rogério Marinho defende que os integrantes da direita revelem suas escolhas como forma de demonstrar compromisso com a candidatura apoiada pelo grupo.

A proposta também busca reduzir a possibilidade de que parlamentares da oposição votem em Alcolumbre sem tornar pública sua decisão.

O debate ocorre porque o atual presidente mantém interlocução com integrantes de diferentes partidos, inclusive parlamentares que fazem oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A eventual divulgação dos votos pelos senadores não significa, por si só, uma mudança nas regras da eleição, que permanece secreta.

Por que a presidência do Senado é tão disputada?

O comando do Senado é considerado um dos postos mais importantes do Congresso Nacional. Além de dirigir os trabalhos legislativos, o presidente da Casa também exerce a presidência do Congresso.

Entre suas atribuições estão a organização das votações, a condução das sessões e decisões relacionadas ao encaminhamento de matérias legislativas.

O cargo também tem importância nas discussões envolvendo pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), tema defendido por integrantes da oposição e que provoca divergências com Alcolumbre.

Setores do PL criticam a atuação do atual presidente por não dar andamento a determinadas pautas defendidas pelo grupo, como pedidos contra ministros do STF e propostas relacionadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

Tereza Cristina, por sua vez, procura construir uma candidatura com diálogo mais amplo entre diferentes correntes políticas e defende que a agenda do Senado também contemple reformas econômicas e outras prioridades legislativas.

Próximos passos

A eleição para a presidência do Senado está prevista para 1º de fevereiro de 2027, quando os parlamentares escolherão quem comandará a Casa no próximo biênio.

Até lá, Rogério Marinho e Tereza Cristina devem continuar negociando uma possível composição. A definição dependerá das articulações entre PL, PP e outras legendas que possam apoiar uma candidatura alternativa à reeleição de Alcolumbre.

A reunião do PL prevista para esta quarta-feira poderá esclarecer a estratégia da legenda, mas não garante, por si só, uma definição conjunta de toda a oposição.

Enquanto isso, Davi Alcolumbre segue buscando apoios para permanecer no cargo. Como a votação é secreta, os posicionamentos anunciados pelos partidos não asseguram antecipadamente o resultado da disputa.

Carregar Comentários