Apenas 27% dos brasileiros entrevistados afirmam viver em uma situação financeira confortável ou razoável, segundo o levantamento Ipsos Cost of Living Monitor 2026. O percentual representa uma queda de seis pontos percentuais em relação a 2025, quando 33% dos participantes avaliavam positivamente suas finanças. Os dados mostram uma piora na percepção sobre a capacidade de administrar o próprio dinheiro.
A pesquisa também revela que 34% dos entrevistados no Brasil enfrentam dificuldades financeiras, enquanto outros 34% afirmam conseguir apenas equilibrar as contas. Somados, esses dois grupos representam 68% dos participantes, mostrando que a maioria relata algum grau de aperto no orçamento.
O estudo foi realizado pela Ipsos em 33 países, com 23.531 entrevistados, sendo aproximadamente mil no Brasil. Além de avaliar a situação financeira atual, a pesquisa investigou as expectativas sobre alimentação, energia, inflação, juros e impostos. Os resultados refletem as percepções dos participantes, e não uma medição direta da renda ou das dívidas das famílias.
53% dos brasileiros vivem no limite do orçamento; especialista explica
Brasileiros enfrentam dificuldades para manter as contas em dia
Os números do levantamento mostram que a sensação de estabilidade financeira diminuiu no Brasil. Em setembro de 2025, 33% dos entrevistados se consideravam em uma situação confortável ou razoável. Em 2026, esse índice caiu para 27%.
Embora a proporção de participantes que relatam dificuldades financeiras tenha permanecido em 34%, a redução entre aqueles que avaliam positivamente suas condições econômicas indica uma mudança na percepção sobre o próprio orçamento.
O resultado brasileiro também ficou abaixo da média dos 33 países analisados. No conjunto dos mercados pesquisados, 38% dos entrevistados afirmam estar financeiramente confortáveis ou em uma situação razoável, enquanto 27% relatam dificuldades.

Os dados ajudam a contextualizar outras pesquisas recentes sobre as finanças pessoais. Conforme mostrou o NC News, um levantamento do Instituto Cidades Sustentáveis, realizado em parceria com a Ipsos-Ipec, identificou que 61% dos entrevistados em dez capitais brasileiras fizeram atividades extras nos últimos 12 meses para complementar ou obter renda.
Apesar de tratarem de públicos e metodologias diferentes, os levantamentos mostram como o orçamento doméstico e a busca por renda adicional aparecem entre as preocupações financeiras dos brasileiros.
Alimentação e energia preocupam consumidores
O aumento das despesas essenciais é uma das principais preocupações identificadas pela Ipsos. Segundo a pesquisa, 55% dos brasileiros entrevistados acreditam que gastarão mais com alimentação nos próximos seis meses.
Outros 51% esperam aumento nas despesas com compras domésticas. O mesmo percentual prevê gastos maiores com energia e serviços essenciais, como eletricidade e gás.
Esses números representam expectativas dos consumidores, e não aumentos de preços já confirmados.
A alimentação tem um peso importante no orçamento familiar, especialmente entre pessoas que destinam uma parcela significativa da renda à compra de produtos básicos.
Em reportagem publicada em outubro, o NC News mostrou que 74% dos consumidores entrevistados em outro levantamento reduziram os gastos com alimentação fora de casa nos seis meses anteriores.
Na pesquisa realizada pela consultoria Galunion, o aumento dos preços, os compromissos financeiros e a necessidade de economizar apareceram entre os motivos para a mudança de comportamento.
A pressão dos alimentos também foi identificada nos indicadores oficiais. Segundo reportagem do NC News sobre a prévia da inflação de outubro, produtos como abobrinha, tomate, cebola, batata e arroz registraram aumentos de preços, pressionando as compras de supermercado.
Maioria espera aumento de juros, inflação e impostos
A preocupação dos brasileiros não se limita às despesas atuais. O levantamento também identificou expectativas negativas em relação a indicadores econômicos para os próximos 12 meses.
Entre os participantes brasileiros, 61% acreditam que as taxas de juros vão subir. Outros 57% esperam aceleração da inflação, enquanto 55% preveem aumento dos impostos.
As respostas mostram o que os entrevistados acreditam que poderá acontecer, sem representar previsões oficiais sobre o comportamento da economia.
A pesquisa também aponta que 64% dos participantes no Brasil acreditam que a inflação somente voltará a um ritmo considerado normal depois de 2027 ou que isso nunca acontecerá.
A preocupação com os preços ocorre após a inflação oficial brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrar alta de 0,82% em setembro de 2026, acumulando 4,58% em 12 meses. Os dados foram apresentados em uma reportagem do NC News sobre a inflação e seu impacto no bolso dos brasileiros.
Apesar dessas preocupações, parte dos entrevistados demonstra otimismo com a própria situação. Segundo a Ipsos, 38% dos brasileiros esperam uma melhora no padrão de vida nos próximos 12 meses, enquanto 20% acreditam que haverá piora.
O que os brasileiros apontam como causas do custo de vida elevado?
O levantamento também perguntou aos participantes quais fatores eles consideram responsáveis pelo aumento do custo de vida.
No Brasil, 72% dos entrevistados citaram as políticas do governo nacional como um dos fatores que contribuem para a elevação dos preços.
As guerras e os conflitos internacionais foram mencionados por 70% dos participantes, enquanto 69% apontaram a situação da economia global.
Os percentuais correspondem à percepção dos entrevistados sobre possíveis causas da alta de preços. A pesquisa não estabelece que esses fatores sejam responsáveis, isoladamente, pela inflação brasileira.
Na média dos 33 países pesquisados, guerras e conflitos internacionais apareceram com 76% das menções, seguidos pela situação da economia global, citada por 74%, e pelas políticas dos governos nacionais, com 70%.
O relatório completo está disponível no site oficial da Ipsos.
Brasil acompanha dificuldades financeiras na América Latina
A pesquisa também permite comparar as percepções financeiras dos entrevistados em diferentes países latino-americanos.
Na Argentina, 60% dos participantes afirmam enfrentar dificuldades financeiras. No Chile, esse percentual chega a 56%.
O índice é de 42% no Peru e de 41% no México e na Colômbia. No Brasil, 34% dos entrevistados relatam dificuldades para administrar o orçamento.
Embora o percentual brasileiro seja inferior ao registrado nesses países, a proporção de pessoas que se consideram financeiramente confortáveis ou em situação razoável diminuiu em relação ao ano anterior.
O cenário de preocupação também aparece em outros indicadores. Em novembro, o NC News informou que o Brasil atingiu 84,2 milhões de pessoas inadimplentes em setembro de 2026, de acordo com dados da Serasa.
O número corresponde a 51,1% da população adulta brasileira, enquanto o valor acumulado das dívidas em atraso chegou a R$ 597,4 bilhões.
A inadimplência, porém, é um indicador diferente da percepção financeira medida pela Ipsos. Uma pessoa pode considerar seu orçamento apertado mesmo sem possuir dívidas em atraso.
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Como foi feita a pesquisa da Ipsos?
O Ipsos Cost of Living Monitor 2026 é um levantamento internacional que acompanha como consumidores avaliam suas finanças e percebem o aumento dos preços.
A edição de 2026 foi realizada por meio da plataforma online Global Advisor, entre 21 de agosto e 4 de setembro, com 23.531 participantes em 33 países. O relatório foi publicado em 22 de outubro de 2026.
No Brasil, foram entrevistadas aproximadamente mil pessoas. Os dados foram ponderados para refletir características demográficas da população adulta.
A Ipsos ressalta, no entanto, que a amostra brasileira é composta por um público proporcionalmente mais urbano, escolarizado e/ou de maior renda do que a população geral. Por isso, os resultados devem ser interpretados como as percepções do segmento mais conectado da população, e não como um retrato integral de todos os brasileiros.
O estudo acompanha a percepção dos consumidores sobre a situação financeira atual e as expectativas econômicas. Seus resultados não devem ser confundidos com indicadores oficiais de renda, inflação ou endividamento.
A queda de 33% para 27% na avaliação financeira positiva mostra que, entre os entrevistados brasileiros, diminuiu a sensação de conforto com o orçamento. Ao mesmo tempo, as expectativas de aumento de despesas indicam que o custo de vida continuará sendo uma preocupação importante para os participantes da pesquisa.