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Dono da Cimed é acusado de copiar fórmulas de produtos e enfrenta pedido de R$ 10 milhões

Fabricante Suavetex afirma que fórmulas de seis produtos bucais foram utilizadas após negociações frustradas; farmacêutica nega irregularidades e contesta acusações.
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O empresário João Adibe, presidente e controlador da Cimed, é alvo de uma queixa-crime apresentada pela fabricante Suavetex, que acusa sete integrantes do grupo farmacêutico de supostos crimes contra a propriedade industrial. A disputa envolve fórmulas de seis produtos de higiene bucal que teriam sido compartilhadas durante negociações de uma parceria comercial. A empresa também pede indenização mínima de R$ 10 milhões por danos morais.

Segundo informações divulgadas pela coluna de Tácio Lorran, do Metrópoles, nesta quinta-feira (5), a Suavetex sustenta que desenvolveu os produtos para uma futura sociedade com a Cimed. O acordo previa que a fabricante seria responsável pela produção dos itens, enquanto a farmacêutica cuidaria da distribuição e das vendas. Entretanto, a negociação não foi concluída, e os produtos teriam chegado ao mercado por meio de outra fabricante.

A Cimed nega as irregularidades e afirma que mantém relações comerciais baseadas na boa-fé e no cumprimento da legislação. A empresa também sustenta que decisões judiciais anteriores rejeitaram pedidos da Suavetex na esfera cível. As acusações apresentadas na queixa-crime ainda dependem de análise judicial e não representam uma condenação dos envolvidos.

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Como começou a disputa entre Cimed e Suavetex?

De acordo com a queixa-crime, a aproximação comercial entre as empresas envolvia o desenvolvimento de uma linha de higiene bucal com seis produtos: três géis dentais e três enxaguantes bucais.

Os itens seriam comercializados inicialmente sob a marca Carmed, conhecida principalmente pelos hidratantes labiais da Cimed.

A Suavetex afirma que compartilhou informações técnicas detalhadas, incluindo as fórmulas e as concentrações dos componentes, para permitir o registro dos produtos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em julho de 2025, os seis produtos foram apresentados à autoridade sanitária com a Suavetex indicada como fabricante.

A situação teria mudado em agosto daquele ano, quando João Adibe comunicou ao proprietário da Suavetex, Ronaldo Alves Andrello, que a marca Carmed seria substituída por outra identidade comercial.

Segundo a acusação, a mudança aconteceu enquanto as empresas ainda discutiam a possibilidade de estabelecer uma parceria mais ampla.

Proposta de R$ 120 milhões não teria sido concretizada

A fabricante também afirma que João Adibe apresentou, em setembro de 2025, uma proposta para adquirir integralmente a Suavetex por R$ 120 milhões.

Conforme a versão apresentada na queixa-crime, a oferta foi aceita por Ronaldo Andrello em 25 de setembro.

A empresa sustenta que, durante as negociações, novas informações comerciais e técnicas foram compartilhadas com representantes da Cimed.

Entretanto, poucos dias depois da aceitação da proposta, os contatos teriam sido interrompidos, sem a conclusão da aquisição.

Para a Suavetex, a sequência dos acontecimentos levanta suspeitas de que as negociações teriam sido utilizadas para obter informações confidenciais sobre seus produtos.

Essa interpretação é contestada pela Cimed, que rejeita a acusação de apropriação indevida de fórmulas.

Produtos teriam sido lançados com outra marca

Um dos principais pontos da disputa envolve a linha Super, lançada pela Cimed em dezembro de 2025.

Segundo a Suavetex, os seis produtos desenvolvidos durante as negociações foram posteriormente apresentados à Anvisa sob a nova marca, com a Icefresh Indústria e Comércio do Brasil Ltda. indicada como fabricante.

A empresa afirma que os itens lançados teriam a mesma composição e os mesmos códigos de barras dos produtos inicialmente desenvolvidos para a linha Carmed.

A fabricante também apresentou um relatório técnico comparando as composições divulgadas nos rótulos.

O documento, elaborado por sua responsável técnica, aponta semelhanças entre os ingredientes dos produtos. Entretanto, a comparação dos rótulos não determina, isoladamente, se as concentrações utilizadas nas formulações são idênticas.

A comprovação de eventual uso indevido de informações industriais dependerá da avaliação dos documentos e demais elementos apresentados à Justiça.

Luciano Huck e executivo da Globo aparecem como testemunhas

A disputa também envolve questionamentos sobre uma sociedade empresarial formada pela Cimed, pelo Grupo Globo e pela Joatinga Capital, ligada ao apresentador Luciano Huck.

A associação, denominada Cilab, foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em agosto de 2025 e tem atuação voltada ao desenvolvimento de produtos de consumo.

Na queixa-crime, a Suavetex incluiu Luciano Huck e Roberto Marinho Neto, executivo da Globo, entre as testemunhas indicadas.

A fabricante pretende esclarecer se a mudança da marca Carmed para Super chegou a ser discutida entre os integrantes da sociedade ou em reuniões de seu comitê de marketing.

Huck e Roberto Marinho Neto não são acusados de participação nos supostos crimes.

Por meio de seus representantes, ambos negaram envolvimento nas irregularidades apontadas pela fabricante.

A Globo também informou que a Cilab não participa da relação comercial entre Cimed e Suavetex.

Segundo as empresas, a marca Super pertence à Cimed e não integra o portfólio da sociedade formada com a Globo e a Joatinga.

O que diz a Cimed sobre as acusações?

Procurada pela imprensa, a Cimed negou as acusações e afirmou que suas relações com fornecedores seguem princípios de transparência, boa-fé e respeito aos contratos.

A farmacêutica também declarou que a Suavetex já apresentou pedidos na Justiça cível que foram rejeitados.

“A Cimed acredita que a queixa-crime noticiada configura mais uma tentativa da Suavetex de reverter, por outra via, as sucessivas derrotas que vem sofrendo na esfera cível.”

A empresa afirmou confiar que o Poder Judiciário reconhecerá a improcedência das alegações.

Sobre a linha de higiene bucal Super, a Cimed esclareceu que a marca é de sua titularidade e não faz parte da sociedade estabelecida com a Globo.

A farmacêutica também informou que a campanha publicitária da linha exibida durante o BBB 26 foi contratada e paga diretamente pela companhia.

Por se tratar de uma disputa em andamento na Justiça e sujeita a segredo judicial, a Cimed declarou que não comentaria os demais pontos do processo.

Suavetex pede indenização mínima de R$ 10 milhões

A queixa-crime foi apresentada à Justiça de São Paulo na terça-feira (3) e distribuída à 1ª Vara Criminal da capital na quarta-feira (4).

Além de João Adibe, outros seis integrantes ligados à Cimed foram incluídos na acusação.

A Suavetex pede a responsabilização dos envolvidos por suposta concorrência desleal e violação de informações protegidas pela legislação de propriedade industrial.

A fabricante também solicita o pagamento de indenização mínima de R$ 10 milhões por danos morais.

O valor de eventuais danos materiais, segundo o pedido, deverá ser calculado posteriormente.

O processo também poderá envolver discussões sobre o prazo legal para apresentação da queixa-crime, considerando as datas em que a Suavetex afirma ter tomado conhecimento das supostas irregularidades.

Próximos passos

A Justiça deverá analisar os elementos apresentados pela Suavetex e decidir sobre o andamento da queixa-crime.

A apresentação da ação não significa que os acusados tenham cometido os crimes apontados. A responsabilização criminal depende da análise judicial, com direito à defesa e ao contraditório.

Caso a acusação avance, poderão ser examinados documentos comerciais, informações sobre os registros na Anvisa e dados relacionados ao desenvolvimento das fórmulas.

Até o momento, não foi confirmada uma decisão judicial recebendo a queixa-crime ou estabelecendo responsabilidade criminal de João Adibe e dos demais envolvidos.

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